LEVI VASCONCELOS
Ser deputado pode até ser bom, mas para os ex dá muito final infeliz
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste domingo, 26


Três vezes prefeito de Alagoinhas, entre 1962 e 1996, um tempo em que reeleição não podia, também três vezes deputado estadual, Murilo Cavalcante faleceu em julho de 2004, pobre, e costumava dar o aviso aos incautos:
"Quem entra para ser deputado, se for milionário, sai rico; se for rico, sai pobre; e se for pobre, sai miserável"
Exagero? Otoniel Saraiva, amigo de Murilo, também filho de Alagoinhas, em vias de completar 75 anos e presidente da Associação dos Ex-Deputados, diz que Murilo quando falava isso referia-se aos que não usam a política pensando em encher o bolso.
E cita que a experiência não é mesmo muito animadora. A Alba já teve mais de oito mil deputados, vivos na condição de ex-deputado, pouco mais de cem.
"Pelo menos a metade enfrenta sérias dificuldades para viver. É triste, mas é assim."
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DESAFIO
Otoniel diz que, do ponto de vista dele, a presidência de uma associação de quem hoje já está mais pra lá do que pra cá ainda tem um aditivo indesejável: a dor de ver queridos amigos saindo de cena.
"Imagine você que, entre abril e maio do ano passado, perdemos cinco amigos queridos, José Santana, Delegado Magalhães, Ewerton Almeida, o Tom, Paulo Câmera e Luiz de Deus. Deles, Santana, Tom e Luiz colaboravam com a associação".
Ou seja, perdeu os amigos e os colaboradores. E quantos ex-deputados colaboram com a Associação dos Ex-deputados?
"Cinco."
Mas, Otoniel faz a ressalva. Ele foi deputado entre 1995 e 1999, uma única vez, é economista de formação e fez toda a trajetória na iniciativa privada, como na Ferbasa e na Ibrac, depois na Rádio Cruzeiro, e manda um recado para os candidatos deste ano:
"Se fosse hoje, eu não seria deputado de novo. Mas espero que vocês tenham boa sorte."


