MADE IN BAHIA
NR-1: Adequação é desafio para as empresas baianas
Confira a coluna Made in Bahia desta terça


A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias a aplicação de multas relacionadas aos riscos psicossociais previstos na NR-1 trouxe alívio para muitas empresas do mercado baiano. Desde o início da fiscalização, cresceram dúvidas sobre os critérios dos auditores e sobre a capacidade de adequação em tão pouco tempo.
Mas é preciso separar duas discussões. Uma trata da fiscalização. A outra, mais ampla e urgente, trata da gestão.
A suspensão alcança as penalidades, não a responsabilidade de prevenir ambientes que favoreçam o adoecimento. Essa obrigação já existia e segue vigente, porém mal interpretada. A atualização da NR-1 deu mais visibilidade a algo que indicadores de saúde ocupacional mostram há anos: a forma como o trabalho é organizado também pode adoecer pessoas.
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Nesse sentido, a reflexão da jornalista e especialista corporativa Izabela Camargo é precisa: “a decisão suspende as multas, não a prevenção”. Reduzir a NR-1 ao medo de sanções é perder a essência da norma. O desafio real não está apenas em preencher documentos, mas em compreender como liderança, metas, comunicação, carga de trabalho, autonomia e cultura afetam a saúde das equipes.
Talvez o maior ganho desse debate seja deslocar a saúde mental do campo exclusivo do RH. Em poucas semanas, o tema passou a ocupar agendas do jurídico, da medicina do trabalho, da governança, dos sindicatos e do STF. Isso mostra que os riscos psicossociais não é pauta acessória e sim uma questão estratégica.
Se a fiscalização aguarda critérios mais objetivos, este é o momento para as empresas adotarem uma postura menos reativa e mais inteligente: investir em conhecimento.
É nessa direção que em nosso mercado baiano a formação “Riscos Psicossociais: do Risco Trabalhista à Performance Sustentável”, da ABRH Bahia em parceria com a Escutaris(empresa Made in Bahia) , ganha relevância. Ao reunir Psicologia, Medicina do Trabalho e Direito, o programa propõe uma leitura interdisciplinar da NR-1 e reforça que gerir riscos psicossociais exige mais do que conhecer a legislação. Exige compreender pessoas, processos e organizações.
O prazo de 90 dias pode ser visto apenas como adiamento das cobranças. Ou como oportunidade para revisar práticas, desenvolver lideranças, fortalecer a governança e construir ambientes saudáveis antes da retomada da fiscalização.
A diferença entre esses caminhos mostrará quais organizações estarão apenas em conformidade e quais transformarão a gestão da saúde mental em vantagem competitiva.
Para ficar claro, a discussão nunca foi sobre multas e sanções. Sempre foi sobre pessoas. E organizações que entendem isso não esperam a fiscalização para começar a mudar.


