OPINIÃO
Globo ganha nova dor de cabeça após CazéTV entregar presente na Copa do Mundo
Coluna aborda a crise gerada nos bastidores com nova versão de Avenida Brasil

A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim no último domingo, 19, mas os problemas nos bastidores da Globo vão demorar a passar. O torneio não apenas escancarou o estrago provocado pelo avanço da CazéTV, como também expôs o erro estratégico de uma emissora que abriu mão da exclusividade de jogos.
Esta coluna até comentou que o canal recebeu um "presente" incômodo da empresa de Casimiro Miguel de que precisará se movimentar mais na próxima cobertura.
O problema é que, mal deu tempo de curar a ressaca do Mundial, a diretoria da Globo já se vê diante de um "abacaxi" ainda maior, cozinhado em fogo alto na sua principal vitrine: a teledramaturgia.
A nova dor de cabeça atende pelo projeto de trazer de volta o universo de Avenida Brasil em 2027. Sim, a segunda versão da história escrita por João Emanuel Carneiro está confirmada.
Globo com armadilha na tela
Resgatar um fenômeno de 2012 para tentar salvar a audiência do horário nobre parece, à primeira vista, uma jogada comercial tentadora. Na prática, contudo, a pré-produção da continuação da trama de Carminha (Adriana Esteves) tem se mostrado um pesadelo.
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Os bastidores estão repletos de dúvidas, o desempenho morno da reprise recente no Vale a Pena Ver de Novo acendeu o sinal vermelho e o medo de comparar o presente com o passado já fez a cúpula da casa cogitar até mudar o título da trama.
Precisamos destacar que a primeira versão de Avenida Brasil funcionou porque era o espelho de uma classe média emergente, politicamente incorreta, ruidosa e cheia de imperfeições da época. Isso mesmo, da época. Algo que mudou completamente nos últimos anos.
A prova disto é que a própria Globo adotou uma grade mais conservadora, tramas menos provocativas e apresentadores mais podados para garantir a audiência desse público.
Resta saber é como fazer uma sequência de Avenida Brasil se a própria emissora tem medo do tom que consagrou a novela?
Talvez falte a Globo uma espontaneidade que vimos na CazéTV durante a Copa do Mundo. Se o canal quiser que a sua maior aposta de dramaturgia para 2027 não seja mais um vexame, terá que perder o medo do conflito.



