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China proíbe "namorados virtuais" de IA e gera onda de tristeza em usuários

Nova lei tenta conter dependência emocional excessiva de chatbots; gigantes suspendem serviços

Redação e AFP
Por Redação e AFP
Proibição de parceiros de IA na China expõe debate
Proibição de parceiros de IA na China expõe debate - Foto: Freepik/Divulgação

A relação entre humanos e algoritmos sofreu um golpe drástico na Ásia. Entrou em vigor na China uma nova regulamentação governamental que determina o fim definitivo dos "namorados virtuais" criados por Inteligência Artificial (IA).

A decisão histórica de Pequim mira o combate à dependência emocional excessiva gerada por esses chatbots antropomórficos na população.

A medida inédita provocou forte impacto no mercado de tecnologia, além de gerar uma onda de lamento, perplexidade e relatos de "coração partido" de usuários nas redes sociais chinesas.

Traços de personalidade humanos são proibidos

O pacote de diretrizes foi elaborado por cinco órgãos de estado, incluindo a poderosa Administração do Ciberespaço da China (ACC).

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A legislação foca estritamente em sistemas capazes de simular traços de personalidade humanos, voz e textos de teor afetivo.

Confira os pontos mais rígidos da nova legislação:

  • Proibição de laços afetivos: os chatbots não podem estimular dependência emocional, simular relacionamentos amorosos ou dinâmicas familiares;
  • Barreira para menores: fica terminantemente proibido oferecer qualquer tipo de parceiro virtual para menores de idade;
  • Filtros de crise: os sistemas devem detectar flutuações de comportamento e sentimentos extremos do usuário, acionando mecanismos de apoio psicológico;
  • Proibições políticas: os avatares e humanos digitais estão proibidos de gerar conteúdos que incitem a subversão ao governo ou à segurança nacional.

Serviços de uso prático — como atendimento ao cliente, assistentes de estudo, suporte técnico corporativo e tradução — continuam autorizados e operando sem restrições.

Empresas correm para desativar funções

Diante do prazo final imposto pelo governo chinês, as maiores empresas de tecnologia do país agiram rapidamente para desativar as funções afetivas de suas ferramentas de IA.

A ByteDance (dona do Doubao e do TikTok), a Alibaba (com o sistema Qwen) e a Tencent (com o Yunbao) suspenderam as opções de companhia virtual das plataformas.

Os desenvolvedores do Doubao anunciaram que darão prazo até meados de outubro para que os usuários consigam exportar e arquivar o histórico de suas interações e conversas íntimas.

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Objetivo é evitar o isolamento social

A nova lei chinesa joga luz sobre um debate global complexo a respeito do uso de robôs inteligentes para mitigar o isolamento social.

O mercado de "humanos digitais" movimentou cerca de R$ 3 bilhões no último ano na China, com um crescimento acelerado puxado pelo aumento das taxas de solidão.

Enquanto defensores do banimento alertam sobre o risco do distanciamento das relações interpessoais reais, usuários lamentam a perda de uma IA considerada um "pilar espiritual puramente fiel".

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