SELEÇÃO BRASILEIRA
Por que Endrick não sai do banco? Entenda teoria envolvendo patrocínio
Sem entrar em campo durante a estreia na Copa, Endrick vem sendo cada vez mais pedido pela torcida


As coisas não têm ido bem na Seleção Brasileira, especialmente após empatar em 1 a 1 com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo - mas a torcida parece saber a solução. Nas redes sociais, o país inteiro pede pela entrada de Endrick em campo, mas o jogador de 19 anos segue no banco.
Autor do gol da vitória do Brasil sobre o Egito no último amistoso antes do Mundial, Endrick tem tradição de ser decisivo e, ao mesmo tempo, de ser banco. Com pouquíssimos minutos no Real Madrid, sob o controle do próprio Ancelotti, e sem titularidade até mesmo no Lyon, o jovem talento nunca teve muito espaço no time brasileiro.
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Contra o Marrocos, o Brasil começou com Igor Thiago entre os titulares e ainda utilizou Matheus Cunha ao longo do confronto, mas não acionou o camisa 19. As especulações, então, aumentaram - e algumas se relacionam com os patrocínios na Copa do Mundo.
Nas redes, torcedores passaram a questionar se o pouco espaço de Endrick tem relação com o contrato do jogador com a New Balance, marca da qual ele é um dos principais nomes no futebol mundial, questionando até onde interesses comerciais podem influenciar o jogo de uma seleção.
Não há, até então, qualquer evidência pública de que patrocinadores interfiram nas escalações do Brasil ou nas decisões da comissão técnica. O que existe, até agora, é uma teoria alimentada pela força comercial de Endrick, o vínculo histórico da CBF com a Nike e as ausências incômodas de Endrick entre escalados.

Endrick e New Balance
Endrick escolheu a marca americana antes mesmo de sua primeira convocação para a Seleção principal, fechando um acordo válido até julho de 2028. Na época, ele tinha opções de fechar com empresas mais tradicionais no futebol, como Nike, Adidas e Puma, mas optou por um projeto no qual teria mais protagonismo.
A New Balance ofereceu a Endrick a possibilidade de se tornar um rosto global da marca no futebol e criou uma linha especial de chuteiras, algo que pesou na decisão do jogador e de seu estafe como uma possibilidade de transformar o atacante em uma marca própria, com espaço maior do que teria em fornecedoras com elencos já estrelados.

Na Nike, Endrick dividiria vitrine com vários nomes de peso do futebol internacional, incluindo Vinicius Junior. Na Adidas, o principal garoto-propaganda segue sendo Lionel Messi. Na Puma, Neymar ocupa posição central. A New Balance, no entanto, enxergou no brasileiro a chance de construir um projeto em torno dele.
É justamente esse protagonismo comercial que entrou no centro das teorias. Para torcedores, cada close nas chuteiras de Endrick durante uma Copa teria valor simbólico e publicitário para a New Balance, em um ambiente dominado por marcas concorrentes.
Nike e a CBF
O debate também resgatou um episódio histórico da relação entre patrocinadores e Seleção Brasileira. Em 1996, veio a público um contrato entre Nike e CBF que previa obrigações comerciais relacionadas a amistosos, escolha de adversários e utilização de jogadores titulares.
Esse passado ajuda a explicar por que qualquer discussão envolvendo marcas e Seleção encontra terreno fértil entre torcedores, já que a parceria entre CBF e Nike atravessa décadas e tem enorme peso financeiro e simbólico. A camisa amarela, uma das mais reconhecidas do esporte mundial, é também um ativo comercial de valor gigantesco.
O caso mais lembrado é o de Ronaldo Fenômeno na final da Copa do Mundo de 1998. Depois de sofrer uma convulsão antes da decisão contra a França, o atacante chegou a ser retirado da escalação, mas voltou ao time titular pouco antes da bola rolar.

A presença dele em campo, em meio ao episódio médico e à derrota brasileira por 3 a 0, gerou uma série de teorias sobre possível pressão externa para que o principal astro da Seleção e da Nike disputasse a final.
Nada foi comprovado como interferência direta da fornecedora na escalação de Ronaldo, mas ainda assim, o episódio virou símbolo da desconfiança sobre o peso dos contratos comerciais nos bastidores da Seleção.
Desde então, sempre que uma decisão técnica parece pouco explicada ou contraditória para parte da torcida, a memória de 1998 reaparece como referência.
Conflitos de marca em outros esportes
Fora do futebol, uma das maiores especulações de influência de patrocínios aconteceu com Michael Jordan nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona.
Jordan era o grande nome do Dream Team dos Estados Unidos e tinha uma ligação histórica com a Nike. O uniforme oficial de pódio da seleção americana, porém, exibia a marca Reebok.
Para evitar conflito com seu patrocinador pessoal, Jordan cobriu o logotipo da Reebok com uma bandeira dos Estados Unidos durante a cerimônia de medalhas, criando uma cena que se tornou um exemplo clássico de choque entre patrocinador individual e patrocinador oficial de equipe ou entidade.

Diferentemente da teoria envolvendo Endrick, o caso Jordan não dizia respeito a escalação ou tempo de jogo, mas mostrou como a imagem de um atleta pode entrar em rota de colisão com contratos comerciais maiores.
Na Copa do Mundo, essas tensões são administradas por regras comerciais rígidas. A Fifa protege seus patrocinadores oficiais, enquanto confederações também buscam preservar seus contratos, tornando a imagem de um jogador em campo quase uma vitrine.
Adidas, Fifa e a Copa
Além da relação entre Nike e CBF, a presença da Adidas como parceira histórica da Fifa adiciona um novo ponto de tensão à situação. A marca alemã tem relação profunda com a Copa do Mundo e fornece a bola oficial do torneio.
Para quem sustenta a teoria, então, a entrada de um jogador tão associado à New Balance em uma partida de grande audiência criaria desconforto comercial. Mas, novamente, não há prova de que isso tenha qualquer efeito sobre a utilização de atletas.

A Copa sempre reuniu jogadores patrocinados por diferentes marcas, e em campo, chuteiras de Nike, Adidas, Puma, New Balance e outras fornecedoras convivem no mesmo ambiente.
O que o caso revela, com mais segurança, é o nível de atenção que hoje cerca a imagem dos jogadores. Cada detalhe, passando por chuteira, comemoração, close de câmera, garrafa no banco, postagem nas redes, pode virar disputa simbólica entre marcas.
Próxima partida pode reduzir ou aumentar pressão
Enquanto a teoria cresce fora de campo, Endrick segue à espera de minutos na Copa. O Brasil volta a jogar contra o Haiti nesta sexta-feira, 19, às 21h30, e a expectativa por sua utilização tende a aumentar depois da estreia frustrante contra o Marrocos.
Se Ancelotti der chance ao atacante, parte da pressão pode diminuir, mas se ele voltar a ficar no banco, a discussão provavelmente ganhará novo fôlego, seja por razões técnicas, comerciais ou pela mistura das duas coisas no imaginário dos torcedores.



