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Torcida azul na Bahia: como Salvador virou a casa de Cabo Verde

Com fã de Ivete Sangalo no gol, Cabo Verde vira a "segunda seleção" dos baianos na Copa

Sandro Alex Farias
Por Sandro Alex Farias
O estudante de direito cabo-verdiano Flávio Pina, de 21 anos, mora na capital baiana há cerca de um ano e meio
O estudante de direito cabo-verdiano Flávio Pina, de 21 anos, mora na capital baiana há cerca de um ano e meio - Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Neste domingo, 21, às 19h, Cabo Verde enfrenta o Uruguai pelo Grupo H e certamente chega com o nível de confiança lá em cima. A equipe africana chocou o mundo após empatar com a Espanha em 1 a 1 na primeira rodada.

Na cultura ocidental, o verde é a cor da esperança. Apesar de carregar essa cor em seu nome, Cabo Verde e sua seleção são mais identificados com o azul. Depois ver sua seleção surpreender o mundo do futebol e parar uma campeã mundial em sua estreia em Copas, o povo de lá certamente tem fé que podem surpreender ainda mais na maior competição do futebol mundial.

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O país, formado por dez ilhas no litoral africano, abriga uma população alegre e hospitaleira, mas que enfrenta desafios econômicos que estimulam um grande fluxo migratório. Por isso, Cabo Verde tem mais filhos vivendo fora de seu território do que dentro dele. Com isso, o grande resultado contra a Espanha foi comemorado não apenas no arquipélago, mas também ao redor do mundo.

Em Salvador, um estudante de direito cabo-verdiano vibrou e se orgulhou do desempenho do goleiro Vozinha e dos demais jogadores. Flávio Pina, de 21 anos, mora na capital baiana há cerca de um ano e meio. Longe de sua terra natal, ele tem tido, com a Copa, a possibilidade de reencontrar suas raízes.

“São coisas que a gente não imaginava viver tão cedo. Todos sentiram um pouco daquilo que nós somos: fortes, resistentes e capazes”, disse.

Essas características tipicamente cabo-verdianas passaram a ser observadas também pelos brasileiros. Após a partida, Flávio ouviu muitos elogios de amigos e até de desconhecidos nas ruas. “Depois do jogo contra a Espanha, fui para a rua com a camisa e uma criança falou que era o time do Vozinha. Fiquei bastante feliz”, contou orgulhoso.

Flávio Pina, de Cabo Verde, narra experiências em Salvador na Copa:

“Não imaginava viver isso tão cedo. Todos sentiram um pouco daquilo que nós somos: fortes, resistentes e capazes”.

O mundo pode até ter se surpreendido, mas os corações cabo-verdianos sempre tiveram a tal da esperança. Outro cabo-verdiano que vive em Salvador, Emanuel Monteiro, estudante de 19 anos, diz que sempre acreditou na competitividade da equipe e agora, mais do que nunca, acredita que Cabo Verde pode ir longe na Copa do Mundo:

“Alguns podiam não ter tanta esperança, mas eu sempre acreditei que, se existe 1% de chance, haverá sempre 99% de fé. As expectativas para o resto da competição são muito altas. Confiamos no nosso potencial e esperamos chegar bem longe”, afirmou.

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Paixão comum

Cabo Verde e Brasil têm em comum a colonização portuguesa, o que gerou diversas semelhanças culturais, como a língua. No entanto, a paixão pelo futebol também parece ser algo profundamente enraizado na população dos dois países.

Os cabo-verdianos não fazem questão de esconder a influência da cultura brasileira no país. O herói do último jogo, o goleiro Vozinha, já declarou ser fã de figuras como Rogério Ceni e Ivete Sangalo, além de acompanhar novelas brasileiras.

Se a arte do Brasil ecoa pelo mundo, o futebol nem se fala. Os Tubarões Azuis mostraram na estreia que aprenderam bem a competir diante dos gigantes. O que eles não precisaram aprender foi a sonhar. A esperança que, nesta semana, ganhou tons de azul embala os corações cabo-verdianos em qualquer lado do Atlântico, da Cidade da Praia até a Praia da Barra.

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