TEATRO
Ana Mametto e Bule-Bule celebram os orixás em espetáculo em Salvador
Orixás em Voz une música, poesia e tradição oral em homenagem à ancestralidade afro-brasileira


Nesta quinta, 5, e sexta-feira, 6, às 20h, o Cineteatro 2 de julho abriga o espetáculo Orixás em Voz, idealizado e apresentado pela cantora e atriz Ana Mametto em parceria com um dos maiores nomes do cordel brasileiro, Mestre Bule-Bule.
A montagem dá início às comemorações do Novembro Negro e traz ao palco uma celebração viva da cultura e das tradições de matriz africana por meio do samba de roda.
Baseado na obra Orixás em Cordel, escrita por Bule-Bule, a montagem é um encontro poético e musical entre a cantora e atriz e um dos maiores mestres da cultura popular brasileira, dividindo o palco.
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Em cena e em canto, os dois artistas celebram não apenas a força das divindades afro-brasileiras, mas também uma profunda amizade e cumplicidade construída ao longo de décadas.
“Orixás em Voz é celebrar o amor, a fé e a amizade. Bule-Bule é um presente que a vida me deu. É meu Preto Velho, aquele que me abençoou nos primeiros passos da minha carreira e que segue abençoando meus caminhos com sua arte, sua sabedoria e, sobretudo, com a beleza da sua existência. Ter sua presença na minha vida é uma dádiva que celebro com amor, respeito e gratidão”, afirma Mametto, com emoção.
Novembro negro
Baseado na rica obra Orixás em Cordel de Antônio Ribeiro da Conceição, mais conhecido como Bule-Bule, a apresentação Orixás em Voz propõe uma releitura vibrante das histórias contadas na obra do cordelista e repentista.
No lugar de uma transposição literal da literatura, a narrativa ganha vida através da tradição oral, celebrando a ancestralidade dos orixás por meio de cânticos sagrados, clássicos do cancioneiro popular e intervenções poéticas.
Lançado há quase 10 anos, em 2018, o livro Orixás em Cordel surgiu a partir de uma inquietação de Bule Bule, ao perceber que a literatura do cordel sempre tratou, na sua visão, as religiões de matriz africana de maneira cômica e desrespeitosa. Essa obra nasce, portanto, como um elemento para preencher essa lacuna e enaltecer as raízes e o legado da cultura africana.
Bule não consegue dizer precisamente se a sua obra foi o fio condutor, mas percebe que a partir de Orixás em Cordel outros livros começaram a tratar da temática das religiões de matriz africana.
“Hoje já se encontram livros grossos de capa dura, com ilustrações variadas, em quadrinhos e já tem muita gente abrindo a mente para escrever com respeito aos Orixás. Não sei se a mudança se deu a partir do sucesso de Orixás em Cordel, mas logo em seguida, outros deram passos nessa mesma direção. Já saímos do zero e já passamos de um, estamos mais à frente neste rumo acertador”, afirma Bule Bule.
Nascida na capital baiana e tendo o seu primeiro contato com a música aos 13 anos de idade, Ana Mametto destaca a representatividade em apresentar esse espetáculo justo no mês dedicado à memória, à reflexão, à valorização da cultura e do fortalecimento da luta do povo negro.
“Acredito que apresentar essa obra durante o Novembro Negro é também um gesto de valorização da nossa ancestralidade e da produção intelectual e artística do povo negro. É um momento de reconhecer quem veio antes, celebrar a nossa história e reafirmar que nossas narrativas precisam ocupar os palcos, os espaços de cultura e todos os lugares de representação”, crava.
Encontro de almas
Amigos há mais de 20 anos, o espetáculo Orixás em Voz é uma celebração desta parceria, desse apoio e dessa união entre dois baianos, de diferentes épocas, com diferentes estilos, mas que se enxergaram e se encontraram um no outro.
Junto ao pianista, arranjador e diretor musical do espetáculo, Yacoce Simões, Ana Tereza Oliveira, batizada pelo cantor Matheus Aleluia com o nome artístico “Mametto”, que significa “mãe que cuida de todos”, decidiu dar voz e vida a Orixás em Cordel, essa obra de tamanha importância à cultura baiana e brasileira.
“O livro Orixás em Cordel, de Mestre Bule-Bule, é matéria-prima, é ouro, é legado e um presente precioso para as gerações futuras. Eu e Yacoce Simões, meu companheiro e diretor musical do espetáculo, entendemos que este era o momento de nos reunirmos para celebrar essa obra e sua dimensão cultural e ancestral", explica.
"A ideia foi trazer o livro como inspiração para uma montagem em que pudéssemos cantar e contar os Orixás, dar corpo, voz e presença a essas narrativas, trazendo sua poesia para o universo da música e da cena”, completa.
“Quando apresentamos a ideia, Bule-Bule amou o convite e embarcou conosco nessa travessia, nesse mar de amor, palavras e canções. Sua alegria e generosidade tornaram esse encontro ainda mais especial. Assim nasceu Orixás em Voz: um encontro entre palavra e música, tradição e criação, que celebra a força dos Orixás, a riqueza da nossa ancestralidade e, sobretudo, a beleza de uma amizade construída ao longo de tantos anos”, sintetiza Mametto.
Para Bule-Bule, o entusiasmo em participar desse projeto com sua amiga de tantos anos é um sentimento muito poderoso, ao que ele não esconde suas expectativas e sua felicidade em fazer dessa ideia uma realização. “É uma satisfação enorme, daquelas que preenche todo o vazio. É como você preparar um canteiro no jardim, plantar das melhores sementes de rosa e no tempo certo, está fazendo uma colheita. Aí você se satisfaz e ainda satisfaz os outros".
"Existem pessoas comentando, como o locutor e diretor teatral Fernando Guerreiro, que disse: ‘eu achei que esse encontro nunca aconteceria, era o encontro de Bule-Bule e Ana Mametto, é o Nego Velho e A Princesinha’, externaliza.
“Então, eu espero que possamos multiplicar o público que vai participar para os outros espetáculos. Ana é uma pessoa de muita visão e Yacoce é um produtor que tem amplo conhecimento musical e de mistura de sons e ritmos, então só estou esperando coisas boas, só estou esperando benesses e continuo dizendo ‘Deus é bom e gosta da gente’, conclui Bule-Bule.
Ana Mametto e Bule-Bule: ‘Orixás em Voz’
- Quando: quinta (5) e sexta-feira (6)
- Horário: 20h
- Onde: Cineteatro 2 de Julho (Rua Pedro Gama, 413 E – Federação, sede do Irdeb)
- Ingressos: R$ 60 e R$ 30
- Vendas: Sympla
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.


