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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Bienal de São Paulo: entenda desafios para realizar evento após quase 30 edições

Festival começou na última sexta-feira, 4, e segue até o dia 13 de setembro

Edvaldo Sales
Por
Evento começou na última sexta-feira, 4, e segue até o dia 13 de setembro
Evento começou na última sexta-feira, 4, e segue até o dia 13 de setembro - Foto: Edvaldo Sales | Ag. A TARDE

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo chegou à sua 28ª edição neste ano. O evento, que começou na última sexta-feira, 4, e segue até o dia 13 de setembro, se destaca como um dos mais importantes do setor cultural da cidade, e também é o maior do circuito de livro no país e um dos maiores da América Latina.

O portal A TARDE foi até a capital paulista a convite do festival e conversou com Luciano Monteiro, diretor de comunicação e sustentabilidade da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que realiza o evento.

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Ele revelou quais são os principais desafios de manter a Bienal de São Paulo como um dos eventos de literatura mais importantes do Brasil após quase 30 edições.

“Uma das coisas que eu vejo como desafio é conseguir manter e acompanhar essa incrível diversidade e pluralidade tanto nos autores e autoras, como também no público. A gente vê um público cada vez mais diverso, mais representativo, de todas as camadas”, iniciou.

Outra dificuldade que Luciano citou é conseguir manter dentro da programação temáticas contemporâneas, “que conversem com esse público e com a nossa produção literária, tanto do Brasil quanto do exterior”.

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Avanços

Na ocasião, o diretor de comunicação também abordou os principais avanços entre a edição de 2024 e a deste ano. Segundo ele, o primeiro é a infraestrutura do evento.

“Nós tivemos uma ampliação muito significativa. A Bienal está com quase 87 mil metros quadrados de área, está com uma programação de 3.500 horas de atividades culturais, 800 autores, sendo que mais de 700 são brasileiros e quase 100 são autores internacionais”, ressaltou.

Entre os nacionais estão nomes como Conceição Evaristo, Paula Pimenta, Raphael Montes, Itamar Vieira Jr., Carina Rissi, Ana Paula Maia, José Falero, Aline Bei, Ana Suy, Socorro Acioli, Pedro Bial, Luiza Helena Trajano, Milton Cunha e diversos outros.

Já entre os internacionais estão Ana Huang, Elena Armas, Alice Oseman, Jay Kristoff, Lynn Painter, Danielle L. Jensen, Leia Stone, Hannah Bonam-Young, Bal Khabra, Jennifer E. Archer, Kristy Boyce, Lee Hong, Lesley-Ann Jones e Courtney Henning Novak.

Luciano Monteiro disse que também há o avanço do ponto de vista de novos espaços. “A gente tem explorado e trabalhado com temas cada vez mais contemporâneos e que geram uma interação maior com o público leitor”, complementou.

“Por exemplo, nesta edição, nós trouxemos a Alameda dos Artistas, onde quadrinistas e ilustradores podem interagir com o público. Temos um espaço de saúde e bem-estar. Nós temos os tradicionais espaços como área infantil e também atividades que cruzam as mídias, como é o caso do espaço de cordel”, listou.

Outro destaque é que nesta edição nós criamos uma programação noturna durante a semana mais voltada para o público adulto. Esse é um ganho bastante importante.
Público na Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Público na Bienal Internacional do Livro de São Paulo - Foto: Edvaldo Sales | Ag. A TARDE

Espanha homenageada

Na 28ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o país escolhido para ser homenageado foi a Espanha, por múltiplos motivos, como apontou o diretor de comunicação e sustentabilidade da CBL.

“Primeiro, o país tem uma riquíssima produção literária, uma produção cultural incrível. A Espanha como país convidado pode trazer algumas amostras dessa produção. Eles chegaram com uma comitiva de 50 autores e, além disso, tem músicos, tem representantes do governo”, enfatizou.

Ele afirmou que tem um ponto de vista comercial também. “A Espanha trouxe uma comitiva de 15 editores. Isso é uma possibilidade para o Brasil tanto levar a produção brasileira para acesso do público espanhol, como uma chance também dos nossos colegas editores aqui no Brasil conhecerem mais da literatura contemporânea espanhola”, explicou.

E assim, quem sabe, a gente intensificar as traduções e o fluxo de negócios entre os dois países.

Bienal e o hábito da leitura

Por fim, Luciano Monteiro fez uma avaliação sobre o papel da Bienal de São Paulo em um cenário em que cada vez mais se discute a falta do hábito da leitura, apesar de existir um movimento comprovado por pesquisas de que os jovens estão utilizando os meios digitais para ler.

“Eu vejo um convívio bom e que tem tido bons resultados entre os formatos digitais e o formato físico. A gente vê uma expansão tanto na venda dos livros físicos quanto também dos recursos digitais, como por exemplo os audiolivros. Esses dois segmentos respondem, hoje, por cerca de 20% do que se compra de livros no Brasil”, revelou.

As pesquisas que a gente tem estão apontando para três situações. A primeira é que estamos vendo mais jovens, de 18 a 34 anos, mais mulheres e também a classe C consumindo livros.

Para ele, esse é um movimento que tem se consolidado “e a programação da Bienal e a presença do público refletem muito isso”.

“Uma das missões que a gente tem, além da interação do público leitor com os seus autores e autoras prediletas, é melhorar os indicadores de leitura no Brasil para formarmos um país com mais leitores e com mais livros”, finalizou Luciano Monteiro.

*O repórter viajou a convite da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

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