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Salvador ganha mostra com 14 artistas e obras da Bienal de São Paulo

Mostra no MUNCAB reúne obras de artistas brasileiros e internacionais

Beatriz Santos
Por
Registro de obra de Nádia Taquary na 36ª Bienal de São Paulo
Registro de obra de Nádia Taquary na 36ª Bienal de São Paulo - Foto: Fundação Bienal de São Paulo

Salvador recebe, a partir de 5 de setembro, uma seleção da 36ª Bienal de São Paulo, que será apresentada no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) até 29 de novembro.

Com curadoria de Keyna Eleison e Thiago de Paula Souza, a exposição reúne trabalhos de 14 artistas brasileiros e estrangeiros em diálogo com questões relacionadas às culturas afro-brasileiras e afro-diaspóricas.

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A passagem pela capital baiana integra o programa de mostras itinerantes da 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática.

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Artistas de Salvador estão entre os participantes

A relação com Salvador aparece também na escolha dos artistas. Antonio Társis, nascido no Arraial do Retiro, participa com catástrofe orquestra #1 (Ato I) (2024-2025), instalação que utiliza tambores, carvão e caixas de fósforo para abordar o extrativismo colonial.

Alberto Pitta apresenta tecidos serigrafados construídos a partir de referências afro-diaspóricas, experiências cotidianas, festas e narrativas da cultura negra.

Também nascida e sediada em Salvador, Nádia Taquary leva à exposição Irókó: A árvore cósmica (2025). A instalação utiliza miçangas e algodão e parte da representação da primeira árvore sagrada da cosmologia iorubá, associada ao ciclo da vida e ao senhor do tempo.

"Esta itinerância foi feita com muito calor e muito desejo, pensando a humanidade como prática, numa poética que pudesse se dar em um território de tanta poesia viva. Há uma curiosidade que também é um ato de amor: Irókó, trabalho de Nádia Taquary, obra comissionada para a 36ª edição, volta agora para sua própria origem. A peça foi construída em Salvador, e trazê-la de volta é algo que não consegue ser expresso só em palavras", afirma Keyna Eleison.

Além dos artistas baianos, a seleção reúne Berenice Olmedo, Christopher Cozier, Korakrit Arunanondchai, Leo Asemota, Manauara Clandestina, Márcia Falcão, Marlene Almeida, Ming Smith, Myrlande Constant, Sharon Hayes e Théodore Diouf.

Exposição traz obras de diferentes países

Entre os trabalhos internacionais está a produção de Myrlande Constant, que utiliza bordados com contas e lantejoulas para repensar a tradição dos drapo vodou, estandartes ligados ao vodu.

A artista Berenice Olmedo participa com Pnoê (2025), instalação pneumática composta por dispositivos médicos obsoletos que aborda questões relacionadas ao corpo e à vulnerabilidade.

Já Théodore Diouf apresenta pinturas e gravuras sobre papel que estabelecem relações com a abstração geométrica africana.

Outro destaque é a fotógrafa norte-americana Ming Smith, primeira fotógrafa negra a ter obras adquiridas pelo MoMA, em Nova York. Mais de 50 fotografias da artista estarão no MUNCAB, percorrendo diferentes momentos da diáspora negra entre o Harlem e a África.

O conjunto inclui imagens da série Invisible Man, sobre o cotidiano de Nova York nas décadas de 1980 e 1990, além de registros da série Jazz, com nomes como Pharoah Sanders, Sun Ra e Billy Higgins.

Bienal amplia circulação pelo Brasil

A etapa de Salvador faz parte de uma programação que leva recortes da 36ª Bienal a diferentes cidades brasileiras e estrangeiras ao longo de 2026.

Antes da capital baiana, o projeto passou por Goiânia, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Santos, Fortaleza, Recife e São José do Rio Preto. Ainda estão previstas exposições em Belém, Belo Horizonte e Vitória, além de Santiago, Berlim e Cidade do México.

"O programa de mostras itinerantes nasceu com a convicção de que a Bienal de São Paulo não termina quando o Pavilhão fecha as portas, que é fundamental ampliar esse alcance e levar recortes da mostra principal a públicos que, de outra forma, não teriam acesso a ela", afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. "Integrar o MUNCAB como parceiro desse projeto pela primeira vez é mais um passo nesse processo de expansão e democratização do acesso à arte", conclui.

MUNCAB recebe a mostra pela primeira vez

A chegada da Bienal ao MUNCAB também marca uma nova parceria para o programa de itinerâncias. Para a instituição, a exposição será inserida no contexto de um museu dedicado à cultura afro-brasileira.

“Como território de pertencimento, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira não é apenas o lugar onde a exposição acontece, mas parte ativa das relações que ela produz, permitindo outras condições de aproximação e leitura das obras, produzindo novos sentidos em Salvador”, destaca Cintia Maria, diretora geral do MUNCAB.

Esta será a terceira vez que Salvador recebe uma itinerância da Bienal de São Paulo. A cidade recebeu o programa em 2011, durante a 29ª edição, e em 2024, com a 35ª Bienal. Nas duas ocasiões, as exposições foram realizadas no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).

A edição de 2026 será a primeira a ocupar o MUNCAB.

Programação também terá ações educativas

Além da exposição, a itinerância inclui atividades educativas destinadas a diferentes públicos. O programa prevê formação das equipes locais, encontros presenciais e virtuais, acompanhamento pedagógico, visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e ações voltadas a estudantes.

A proposta faz parte da estrutura do programa de mostras itinerantes, realizado de forma programática pela Fundação Bienal de São Paulo desde 2011.

A 36ª Bienal foi realizada originalmente entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, em São Paulo, e registrou 784.399 visitantes.

Sobre a 36ª Bienal de São Paulo

Com conceito do curador geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza, Keyna Eleison, Henriette Gallus, André Pitol e Leonardo Matsuhei, a 36ª Bienal tem como título Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática.

A proposta parte do poema “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo, e tem entre seus fundamentos a escuta ativa de uma humanidade marcada por deslocamentos, encontros e negociações.

36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática

Itinerância Salvador – MUNCAB

  • Curadoria: Thiago de Paula Souza e Keyna Eleison
  • Arquitetura: Gisele de Paula
  • Visitação: 5 de setembro a 29 de novembro de 2026
  • Horário: terça a domingo, das 10h às 17h
  • Acesso do público ao museu até 16h30

Ingressos:

  • Inteira: R$ 20
  • Meia-entrada: R$ 10
  • Ingressos online pelo portal do MUNCAB
  • Entrada gratuita: quartas-feiras e domingos
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