LITERATURA INFANTIL
Violência e tabus: livros infantis debatem temas sensíveis na Bienal de São Paulo
Evento começou na sexta-feira, 4, e segue até o dia 13 de setembro


A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo começou na sexta-feira, 4, e segue até o dia 13 de setembro. Um dos destaques do evento é o stand da Telos Editora, que trabalha com lançamentos de títulos infantis, entre eles livros que abordam temas sensíveis, como violência doméstica, desigualdade social, entre outros.
O portal A TARDE foi até a capital paulista a convite do evento, que é realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), e aproveitou para conversar com Antonio Erivan Gomes, dono da Telos.
Ele afirmou que é de “total importância” tratar de temas como esses na literatura infantil. “Quando fazemos isso, não estamos trazendo somente a oportunidade para conversar com a criança, mas também com a família e, principalmente, com a escola”, ressaltou.
Segundo ele, a escola também tem muita dificuldade de tratar determinados assuntos, como sexualidade, vulnerabilidade social, violência doméstica, violência contra criança e violência sexual.
“São temas que devem estar dentro do escopo de uma editora que trabalha com literatura infantil”, afirmou.
O livro infantil faz essa ponte entre escola, família e sociedade. O casamento da ilustração com o texto faz todo sentido para você ter um bom livro que comunica bem com as pessoas, de criança a adulto. Antonio Erivan Gomes
Entre os títulos da Telos Editora que se destacam ao abordar temas sensíveis estão:
- 'Ninguém', de Pedro Seromenho com ilustrações de Soraia Oliveira
- 'Perto Daqui', de Ida Mlakar Črnič com ilustrações de Peter Škerl
- 'O Vovô e o Neném', de Rita de Fitas com ilustrações de Heitor Vidal
- 'A Última Palavra', de André Neves
- 'A Gota de Água', de Inês Castel-Branco

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Como aproximar a literatura das crianças
Na ocasião, Antonio Erivan também falou sobre como aproximar a literatura das crianças em um momento em que as novas gerações estão cada vez mais conectadas e ligadas à tecnologia.
“Tudo passa, primeiro, pelo hábito da leitura, mas quais são os canais que a gente tem de incentivo à leitura hoje? Infelizmente, muitos pais não têm uma interlocução com o filho em relação à leitura, ela não faz parte do cotidiano. Isso fica para a escola muitas vezes e lá também não acontece de uma forma eficiente”, pontuou.
“Mas vale destacar que um livro que traz elementos brincantes diferenciados, com interatividade, faz a diferença”, disse. Ele alertou ainda que se não tiver os materiais apropriados para cada faixa etária, existe a possibilidade de distanciar cada vez mais o leitor das novas possibilidades.
A leitura precisa fazer parte da vida da criança. Os responsáveis têm que incentivar e mostrar para ela que isso é um ato agradável e útil para ela. Para cada criança tem um livro. Antonio Erivan Gomes
Bienal Internacional do Livro de São Paulo

A 28ª edição do evento tem presença confirmada de 800 autores (nacionais e internacionais) e de 269 expositores ao longo de toda a programação, que terá também convidados nacionais e internacionais.
Entre os nacionais estão Conceição Evaristo, Paula Pimenta, Raphael Montes, Itamar Vieira Jr., Carina Rissi, Ana Paula Maia, José Falero, Aline Bei, Ana Suy, Socorro Acioli, Pedro Bial, Luiza Helena Trajano, Milton Cunha, Sergio Vaz, Vitor Martins, Ray Tavares, Alê Santos, Felipe Castilho, Jana Bianchi, Giovana Madalosso, Daniel Ribeiro, Bruno Freire, Tatiane Biase, Bárbara Carine, Zoe X, Gabriel Dearo e Manu Digilio.
Já entre os internacionais estão Ana Huang, Elena Armas, Alice Oseman, Jay Kristoff, Lynn Painter, Danielle L. Jensen, Leia Stone, Hannah Bonam-Young, Bal Khabra, Jennifer E. Archer, Kristy Boyce, Lee Hong, Lesley-Ann Jones e Courtney Henning Novak.
*O repórter viajou a convite da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.


