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Capoeira vira instrumento pedagógico em escola comunitária de Salvador

Capoeiragem Mirim transforma educação de crianças da capital baiana

Luiza Nascimento
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| Atualizada em
Aluno da Capoeiragem Mirim
Aluno da Capoeiragem Mirim - Foto: Luiza Nascimento/ Ag. A TARDE

Na roda de capoeira, crianças e adolescentes aprendem a gingar, cantar, tocar instrumentos e respeitar adversários. Mas também é dentro dela que são repassados ensinamentos fundamentais para a vida, nos quais alunos descobrem maneiras de se relacionar com outras pessoas, desenvolvem a coordenação motora, fortalecem a autoestima e encontram um espaço para crescer em diversos âmbitos.

É nessa conexão que o Centro de Treinamento e Estudos da Capoeiragem (CTE Capoeiragem) desenvolve o Capoeiragem Mirim, um projeto social que utiliza a capoeira como ferramenta para o desenvolvimento da cultura, esporte e cidadania.

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O que começou há mais de 30 anos, quando dois jovens se aproximaram de um professor de capoeira na comunidade do Bate Facho, em Salvador, hoje alcança quase 500 crianças e jovens.

Na época, o idealizador do projeto, Ricardo Carvalho, o Mestre Balão, passou a ensinar a prática gratuitamente para os rapazes. Naquele momento, Balão ainda não tinha um projeto estruturado, mas no seu interior, havia a convicção de que a capoeira poderia ser muito mais do que uma atividade física.

"Eu sabia que capoeira era uma ferramenta de formação social e educacional, mas eu era muito jovem. Então eu vim trabalhando a capoeira dentro da sua plenitude, da forma que estava no meu coração, o que eu tinha aprendido diante de alguns anos já de prática", contou Balão ao portal A TARDE.

Ricardo Carvalho - Mestre Balão
Ricardo Carvalho - Mestre Balão - Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

Anos depois, a iniciativa se transformou em um programa conceituado, mas preservou a ideia de origem: oferecer às crianças um espaço de aprendizado, convivência e valorização das próprias raízes.

Hoje, o projeto mantém unidades em Salvador, outras cidades da Bahia, e estados como São Paulo e Sergipe, através de profissionais se unem para contribuir com o desenvolvimento dos participantes.

Visita à matriz do CTE Capoeiragem
Visita à matriz do CTE Capoeiragem - Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

Ferramenta para mudança de trajetória

O projeto foi efetivado em 2002, quando as aulas começaram a ser realizadas em uma associação na mesma comunidade. Lá, a capoeira passou a fazer parte do cotidiano pedagógico, mas na época, o espaço enfrentava dificuldades de infraestrutura.

Anos depois, a instituição passou por uma transformação e se consolidou como Escola Comunitária do Bate Facho, local onde funciona um dos núcleos do Capoeiragem Mirim até hoje. Nesta época, Balão decidiu retomar o trabalho de maneira mais estruturada, ao lado inclusive de antigos alunos, como Neriton de Araújo Ferreira, o Mestre Coruja.

Como foi aluno do projeto antes de se tornar professor, Mestre Coruja conhece o processo por outro ângulo. Morador do Bate Facho até hoje, ele teve o primeiro contato com a capoeira ainda criança, no próprio espaço.

Segundo ele, a atividade ajudou a afastá-lo de situações de vulnerabilidade presentes na comunidade e abriu uma possibilidade profissional. Agora, o antigo aluno ocupa o lugar de professor e reproduz o conhecimento que recebeu.

"A gente saiu mais do da marginalidade que a gente que tem aqui na comunidade. Então, me desviou um pouco dessa dessa parte e me deu um norte. Fico muito feliz com isso que acontece com a minha comunidade, porque eu posso retribuir o conhecimento que eu tive com Mestre Balão. Eu faço o efeito multiplicador e continuo esse trabalho que foi lindo, que me ajudou e continua ajudando agora esses jovens", disse Coruja.

Neriton Ferreira - Contramestre Coruja
Neriton Ferreira - Contramestre Coruja - Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

É justamente por entender a importância do projeto que Neriton demonstra felicidade ao ver que o filho Corujinha, segue seus passos e também pode desfrutar dos efeitos da capeira em sua vida. "É gratificante proque eu não forço ele. Ele mesmo que veio. Isso aí é vontade dele mesmo que gosta da capoeira", disse.

A história de Mestre Coruja traduz uma das ideias centrais do programa, que é justamente desenvolver habilidades que podem ser utilizadas de diferentes formas no decorrer da vida do aluno, fato que mostra que o projeto também produz um ciclo de formação dentro da própria comunidade.

Mestre Coruja e Corujinha
Mestre Coruja e Corujinha - Foto: Luiza Nascimento/ Ag. A TARDE

Capoeiragem Mirim transforma educação na Escola Comunitária do Bate Facho

O Capoeiragem Mirim passou a incorporar o planejamento pedagógico da Escola Comunitária do Bate Facho, com direito a acompanhamento profissional e atividades voltadas especificamente para o desenvolvimento das crianças e adolescentes.

Diretora da instituição, Mariluce da Anunciação Reis cresceu acompanhando esse processo, que surgiu a partir da iniciativa da própria mãe, Cremilda, que buscava acolher crianças da comunidade em uma época em que havia poucas opções de educação infantil na região.

"Ela tinha a visão de tirar as crianças das ruas por causa de criminalidade e chamava as mães para estarem junto com ela ensinando. E antigamente não tinha escola para educação infantil, então foi uma forma dela acolher essas crianças. Eu cresci vendo ela fazendo esse trabalho e hoje ela passou esse bastão para mim", contou.

Com o tempo, o espaço foi se transformando, ganhando estrutura, profissionais e desenvolvendo novas atividades. Nesse ponto, a capoeira se tornou uma dessas ferramentas de formação e está completamente ligada ao aprendizado das crianças.

"A capoeira vem ensinando inclusão, vem ensinando a educar, ensinando a criança a saber como ter o domínio do corpo, do aprendizado, do pensar. Como a capoeira influi em tudo isso, hoje ela está mais encorpada pedagogicamente na escola, onde é tudo planejado e estudado com nossa equipe", afirma Mariluce.

No espaço, a proposta é integrar os movimentos, a musicalidade e os princípios da capoeira ao planejamento pedagógico. A atividade pode trabalhar coordenação motora e estimular a oralidade, enquanto músicas, cores e movimentos ajudam a desenvolver diferentes habilidades.

"Estimula aquela criança acanhada, porque a capoeira é um teatro para eles [os alunos]. Eles crescem como criança e como um todo, a personalidade, porque da criança a gente faz um adulto. Então quando a criança sai daqui, a gente fica aliviado porque deu uma estrutura boa junto com a capoeira", explica Mariluce.

Diretora da Escola Comunitária do Bate Facho, Mariluce da Anunciação Reis
Diretora da Escola Comunitária do Bate Facho, Mariluce da Anunciação Reis - Foto: Luiza Nascimento/ Ag. A TARDE

Acolhimento que vai além da roda

Além do acompanhamento pedagógico, no local, a atuação do projeto também ganhou uma frente específica de inclusão. A psicóloga Clara Biscarde Carvalho atua como coordenadora auxiliar da instituição, em parceria com professores e famílias, para identificar dificuldades e pensar estratégias que possam ajudar cada criança.

O trabalho inclui:

  • Acompanhamento de comportamentos;
  • orientação às professoras;
  • adaptação de atividades;
  • aproximação com as famílias.

"Eu fui percebendo as nuances que existem dentro da escola, o comportamento infantil, como é que ele vai funcionar aqui dentro, entendendo também a dinâmica de cada indivíduo e do espaço que a gente está falando por ser uma escola comunitária em um bairro de classe média baixa em Salvador", detalhou.

A proposta não é realizar diagnósticos, mas identificar necessidades e criar formas de acolhimento enquanto as famílias buscam, quando necessário, atendimento especializado. Para ela, a inclusão precisa considerar a realidade de cada criança e não apenas aquilo que está previsto nos documentos ou diagnósticos.

Com as professoras, a psicóloga coordena ações de formação continuada, abordando temas como desenvolvimento infantil, atividades lúdicas, inclusão escolar e comunicação entre escola e família.

"Muito além da gente pensar em técnica e procedimento, é pensar que estamos com seres humanos, com suas histórias, com suas formas de ver o mundo [...] A gente cria um espaço de acolhimento, de cuidado, chama as famílias e pensa em um plano pedagógico de intervenção voltado para aquela dificuldade específica da criança", explica Clara.

O acompanhamento também considera a realidade familiar. A equipe passou a realizar cadastros mais detalhados para compreender fatores que podem interferir no desenvolvimento infantil, como rotina doméstica, uso de telas e relações familiares.

O projeto também implica em treinamentos voltados para as professoras com temas atuais que, por vezes, atravessam a sala de aula. A partir deste ponto, serão criadas propostas para beneficiar os assistidos.

"Para que a criança tenha o maior desenvolvimento, porque quando a gente fala de infâncias, a gente tem que falar muito da escola e da família trabalhando em conjunto", informou.

Durante a entrevista, Clara citou uma frase exposta em um mural na escola que diz: "Estudar é abrir o caminho para um futuro melhor".

"A educação é o caminho para transformar a sociedade em uma sociedade melhor, em uma sociedade mais ética, com mais cuidado, com mais empatia, com com mais direitos para todo mundo e quando isso é tirado ou restringido de uma população, certamente vão ter consequências para eles", finalizou.

Psicóloga Clara Biscarde Carvalho, coordenadora auxiliar da Escola Comunitária do Bate Facho
Psicóloga Clara Biscarde Carvalho, coordenadora auxiliar da Escola Comunitária do Bate Facho - Foto: Luiza Nascimento/ Ag. A TARDE

Transformação na autoestima e desenvolvimento motor

A professora Rosilda do Rosário, que trabalha com o Grupo 3, percebe mudanças inclusive entre alunos que apresentavam dificuldades em atividades consideradas simples, ou mesmo os que tinham pouca interação social.

"Estou vendo a evolução com as crianças no despertar do movimento, na coordenação motora... Aquelas crianças que não tinham habilidade para poder pegar num lápis, já estão tendo mais. Tem evolução, principalmente com aquelas crianças que são tímidas, que não tem aquela interação em casa", afirma.

Professora Rosilda do Rosário
Professora Rosilda do Rosário - Foto: Luiza Nascimento/ Ag. A TARDE

Para Balão, a longo prazo, uma das mudanças mais perceptíveis está justamente na postura dos participantes, principalmente no que diz respeito à autoestima.

"A gente vê na própria postura dessas crianças e jovens, que às vezes é uma postura um pouco mais cabisbaixa, e vêm elevando a autoestima. A capoeira é essa ferramenta forte de transformação social através da autoestima, que passa muito forte pela parte da cidadania", disse o mestre.

Escola que acolhe a comunidade

A relação entre a capoeira e a escola também mudou a percepção das famílias sobre a própria modalidade. Mariluce conta que, no início, havia preconceitos e associações equivocadas sobre a atividade, no entanto, ao acompanhar o desenvolvimento dos filhos, os pais passaram a reconhecer a importância da integração.

"Os pais ficam muito alegres e muito satisfeitos, porque eles veem como os filhos deles estão aprendendo, como os filhos deles estão evoluindo, e como está sendo primordial a capoeira na nossa instituição, disse Mari.

Por vezes, responsáveis podem participar do dia a dia dos filhos, como aconteceu em uma atividade realizada em agosto, em homenagem ao Dia dos Pais. A reportagem esteve presente no momento e acompanhou uma manhã de interação da família com as crianças em uma ação que estimulou, acima de tudo, o afeto.

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Na ocasião, Elton, pai do pequeno Bernardo, disse percebeu mudanças no comportamento do filho depois que começou a praticar capoeira. Segundo ele, o menino era mais reservado e tinha dificuldade para lidar com outras pessoas, mas com a convivência proporcionada pelo espaço, passou a se comunicar melhor.

"Eu trabalho muito, não tenho muito tempo pra estar com ele, pra mim foi muito importante estar aqui participando dessa aula maravilhosa. Ele tem desenvolvido bastante e a capoeira tem ajudado muito na vida do meu filho. Ele tinha uma dificuldade de lidar com pessoas, sempre foi mais reservado, e com a capoeira ele está mais aberto", conta.

Bernardo e Elton
Bernardo e Elton - Foto: Luiza Nascimento/ Ag. A TARDE

Espaço para aprendizagem e pertencimento

Os jovens também conseguem perceber essa transformação. Keila, conhecida na capoeira como Pantera, integra o Capoeiragem Mirim da unidade do Costa Azul, que atende jovens da Comunidade Paraíso Azul, e encontra no espaço um local de acolhimento.

"Eu me sinto bem. Lá tem pessoas que me respeitam e os professores ensinam muito bem. Eu amo todos eles. E também vou aprendendo várias coisas novas, vários golpes, vários movimentos", afirma.

Irmão dela, Caio, o Leopardo, também é aluno na instuição e destaca a disciplina e a convivência como pontos fortes das aulas. Para ele, além de reunir arte, dança, luta e diversão, a capoeira ensina a respeitar os outros e a trabalhar em grupo.

"É uma arte, uma dança, uma luta e traz outras diversões para nós. Eu gosto do mestre porque ele ensina muitas coisas para a gente, ensina disciplina e capoeira. Eu gosto dos colegas porque a gente treina junto. E a capoeira é muito boa porque é uma disciplina e a gente aprende várias coisas nela", conta o aluno.

Keila Katherine (Pantera) e Kaio Pereira (Leopardo)
Keila Katherine (Pantera) e Kaio Pereira (Leopardo) - Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

Para Eliene, mãe de Pantera e Leopardo, o impacto ultrapassa o momento da aula. Ela observa os filhos compartilhando com outras crianças aquilo que aprendem.

"Eles se divertem, aprendem e ensinam. Se estão rua brincando com coleguinhas que não fazem parte da capoeira, eles começam a jogar, começam a brincar. Além de estarem se divertindo, estão mostrando para as crianças como é participar de uma capoeira. Então, para a gente mãe, é muito gratificante ver nossos filhos crescerem, se tornarem pessoas do bem e tudo isso por estar na capoeira", diz.

O Capoeiragem Mirim conta com outros braços, como o Concurso Musical Mestre Pelé Gogó de Ouro, festival que homenageia o legado de Mestre Pelé, conhecido como Gogó de Ouro da Bahia, um dos maiores cantores da história da capoeira. A ação incentiva crianças e jovens a desenvolverem o canto, o toque dos instrumentos e a composição.

Capoeiragem Mirim e a Educação Holística

Depois de mais de três décadas acompanhando crianças e jovens, Mestre Balão decidiu transformar a experiência acumulada em pesquisa. A inquietação surgiu da necessidade de embasar com dados, aquilo que ele observava na prática.

Em 2026, ele lançou o livro Capoeiragem Mirim e a Educação Holística - Um estudo de caso sobre educação na capoeira. A obra analisa como a prática pode contribuir para o desenvolvimento emocional, social, psicomotor, musical e cognitivo de crianças e adolescentes.

Na comparação apresentada pelo trabalho, o núcleo de Camaçari, que contava com acompanhamento pedagógico, apresentou índice de progresso 100% superior ao registrado nos demais.

Para isso, a pesquisa acompanhou um dos núcleos do programa e utilizou sete indicadores qualitativos e quantitativos:

  • Assiduidade nas aulas
  • Presença nos eventos pontuais e intercâmbios
  • Participação nas aulas de capoeira
  • Participação nas aulas do Acompanhamento Pedagógico
  • Avaliação psicomotora
  • Avaliação da aprendizagem de conteúdo
  • Avaliação musical

O estudo também considerou relatos das famílias e aspectos sociais, econômicos e educacionais dos alunos e responsáveis. Foram realizadas três avaliações durante 2022, nos meses de maio, agosto e dezembro.

"Eu tinha que fazer uma entrega para a comunidade capoeirística e para a sociedade no geral, mostrando que tudo isso que a gente tem de amor pela capoeira, tem que ser mais contundente. Dados e estatísticas tinham que ser mostrados de uma forma mais ampla", explica Balão.

O resultado é utilizado pelo projeto para sustentar, com dados, uma percepção que professores, famílias e alunos relatam na prática: quando a capoeira é integrada a outras ferramentas educacionais, os efeitos podem ultrapassar o desenvolvimento técnico da modalidade.

Livro "Capoeiragem Mirim e a educação holística", escrito por Mestre Balão
Livro "Capoeiragem Mirim e a educação holística", escrito por Mestre Balão - Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

Educação que forma para além da capoeira

Responsável pela comunicação institucional da escola e dos projetos do CTE Capoeiragem, Flavia Veiga, a Fênix, afirma que o que mais a motiva no Capoeiragem Mirim é ver crianças e adolescentes encontrando, através da capoeira, um caminho positivo.

A ideia não é que a criança precise, necessariamente, seguir carreira na modalidade, e sim que leve os ensinamentos consigo para todos os âmibitos da vida.

“Queremos que a Capoeira seja esse trampolim para que eles desenvolvam autoestima, equilíbrio emocional, disciplina e cidadania, construindo um futuro digno. Mesmo que não escolham a capoeira como profissão, que possam levar para a vida os valores e a transformação que ela proporciona", disse.

Flávia Veiga "Fênix" e crianças do Capoeiragem Mirim
Flávia Veiga "Fênix" e crianças do Capoeiragem Mirim - Foto: Arquivo Pessoal

Ao unir capoeira, educação, cultura e esporte, através de musicalidade, instrumentos, manifestações populares e outras expressões ligadas às raízes afro-brasileiras, o Capoeiragem Mirim se embasa na Lei nº 10.639, sancionada em 9 de janeiro de 2003.

O texto torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio no Brasil. No entanto, um estudo publicado em 2023, mostra que 71% dos municípios realiza pouca ou nenhuma ação para a efetividade da lei.

Na Bahia, foi regulamentava em 2024, a Lei Moa do Katendê, que defende a capoeira no estado, através da inclusão no currículo das escolas públicas, texto que contou com a contribuição do Mestre Balão.

"Eu chamo de transversalidade, que é quando a gente percorre a história, a geografia, a matemática com a capoeira. Outros profissionais e outras matérias podem também colocar isso em um determinado momento da parte do planejamento deles de aula, e isso está incorporado junto com a capoeira", explicou Balão.

Mesmo antes da norma, aliar capoeira à educação já era um dos princípios do CTE Capoeiragem. Mais de 30 anos depois, esse movimento continua acontecendo e passa de professor para aluno e de aluno para professor, virando uma extensão para a sociedade ao entrar nas escolas, chegar às famílias e ganhar espaço no convívio social.

E é justamente aí que a capoeira deixa de ser apenas uma atividade: torna-se uma ferramenta para abrir caminhos.

Atividade com os pais no Capoeiragem Mirim da Escola Comunitária do Bate Facho
Atividade com os pais no Capoeiragem Mirim da Escola Comunitária do Bate Facho - Foto: Luiza Nascimento/ Ag. A TARDE
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