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INCLUSÃO

Festival Emoções inova ao unir balé e audiodescrição em tempo real

Evento conta com audiodescrição e a interpretação em Libras

Franciely Gomes
Por
Trecho de espetáculo do Festival Emoções em sua última edição
Trecho de espetáculo do Festival Emoções em sua última edição - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Não é só durante a arrecadação de fundos para o Instituto de Cegos da Bahia (ICB) que o Festival Emoções implementa a inclusão. Com o lema “Existem Muitas Formas de Ver o Mundo”, o espetáculo beneficente conta com audiodescrição e interpretação em Libras simultânea durante o show.

O poder de traduzir a emoção do evento ficará sob a responsabilidade dos profissionais Ani Santiago, Aléxia Corujas, Larissa Rodrigues, Deise Medina, Rejane Menezes, Zana Luz, Luiz Póvoas, Ronaldo Freitas e Beatriz Lopes, da AD)))arte Acessibilidade, produtora especializada em audiodescrição, legendas descritivas e Libras no audiovisual, teatro, museus e eventos.

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Dentre o público usuário da Audiodescrição (AD) estão pessoas cegas, com baixa visão, com TEA, TDAH, idosos, com síndrome de Down e outras questões. Além disso, pessoas sem deficiência também podem optar por sentir o espetáculo de uma maneira ainda mais intensa.

Como funciona a audiodescrição?

Coordenadora da Audiodescrição do Festival Emoções, Adriana Urpia explicou à reportagem do portal A TARDE como funciona o processo de tradução da emoção no palco durante as apresentações.

“O trabalho da AD na Dança vai muito além de simplesmente descrever a questão técnica. É muito mais relevante informar aos ouvintes da AD que a bailarina saltou com as duas pernas esticadas em linha reta, ficando suspensa no ar por um segundo, do que simplesmente dizer que a bailarina executou um "grand jeté"”, afirmou.

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Ela também destacou que a linguagem precisa ser o mais compreensível possível pelo público ouvinte da AD. “Se o público ouvinte de um espetáculo fosse completamente formado por pessoas envolvidas com o balé, por exemplo, eu, enquanto audiodescritora, poderia usar unicamente o jargão apropriado”.

“Mas como na maioria das vezes o público é diverso, a gente foca mais na anatomia do movimento, na tentativa de reproduzir, da forma mais fiel possível, de que forma a cabeça, o tronco, os braços, as pernas e pés se movem durante uma coreografia. Junto a isso, é preciso trazer o sentimento, as expressões faciais e corporais de quem está dançando”, completou.

Montagem da audiodescrição

Sobre o processo de montagem da audiodescrição, Adriana Urpia contou que a equipe responsável pelo trabalho assiste à coreografia antes, para ter uma noção prévia na hora do espetáculo.

“A equipe de audiodescrição pode assistir aos ensaios e deve assistir a vídeos com as coreografias. O ideal é que sempre haja vídeos, pois a coreografia poderá ser assistida quantas vezes forem necessárias”, explicou.

“Conversar com os coreógrafos e os bailarinos também, se possível, é de extrema importância para que se compreenda o tema da coreografia, e a história que ela nos traz, o que ela quer expressar”.

No entanto, o roteiro só é aprovado após passar pela consultoria de uma pessoa com deficiência visual, que no Festival Emoções será o profissional Bruno Cerqueira. “O roteiro da AD é montado, passa pela consultoria da pessoa com deficiência visual, que é o audiodescritor consultor, e vai sendo trabalhado até que esteja finalizado”, disse Adriana.

Já os improvisos não são tão bem-vindos durante os shows, pois podem acarretar erros de interpretação. “Improvisar em AD de dança é um erro, embora possa acontecer se uma dança acontece naturalmente em uma festa familiar, por exemplo”.

“Essa improvisação pode acontecer em um contexto bem informal, mas em um Festival, onde há todo um preparo de profissionais, a AD tem sempre de ser estudada com antecedência”, reforçou Urpia.

Desafios na transmissão de emoção

Apesar de ser um trabalho nobre, a AD de dança apresenta alguns desafios. Sócia-fundadora da AD)))arte Acessibilidade, Adriana Urpia destaca que é necessária uma preparação prévia para a execução.

É importante conhecer a fundo a coreografia e transmitir exatamente o que ela quer comunicar. “Quando conhecemos a coreografia, as expressões, o figurino e a iluminação, a tarefa se torna mais fácil e agradável. Na AD, podemos utilizar as notas introdutórias: antes da companhia de dança se apresentar, podemos contar brevemente ao público sobre o que será apresentado em seguida”, disse ela.

“Podemos falar do figurino, penteados, maquiagem, cenário, contar um pouco da história que será ali apresentada através da dança, sem dar spoiler. Nada deve estragar a surpresa do momento em que os bailarinos estão no palco e a narração da AD vai acontecendo em concomitância com o que está sendo exibido”.

Exemplo para outros eventos

Consuelo Alban é uma das organizadoras do Festival Emoções
Consuelo Alban é uma das organizadoras do Festival Emoções - Foto: Mila Souza | Ag. A TARDE

Assessora de comunicação do Instituto de Cegos da Bahia e uma das organizadoras do evento, Consuelo Alban alegou que espera que a acessibilidade do Festival Emoções inspire os órgãos públicos e produtores de evento do estado, pois pessoas com deficiências merecem ocupar cada vez mais espaços.

“Fica um grande exemplo, né? Cada vez mais nosso estado e nossa cidade vão evoluindo e incrementando isso, porque é importante que se faça cumprir o direito das pessoas com deficiência visual terem acesso a esses equipamentos públicos culturais e não só culturais, como qualquer espaço”, contou ela ao A TARDE.

“E o ICB está aqui para isso. Para mostrar que esse trabalho é feito e provar que a deficiência visual não limita o cidadão em nada, pelo contrário. Eles estão cada vez mais imersos na sociedade, sendo incluídos, inclusos e felizes”, reforçou.

O Festival Emoções é realizado pela Mantra Produções, com patrocínio da AXXO Construtora e apoio da Fecomércio-BA, AD)))arte Acessibilidade e Grupo A TARDE.

SERVIÇO

O quê: Festival Emoções – Espetáculo beneficente em prol do Instituto de Cegos da Bahia (ICB)

Quando: 16 de julho, às 19h30

Onde: Teatro Sesc Casa do Comércio, Salvador

Ingressos: R$ 60

Vendas: Plataforma Sympla e bilheteria oficial do teatro

Acessibilidade: O evento contará com audiodescrição e intérprete de Libras

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