RETORNO HISTÓRICO
Gil coroa novo TCA: “Renasceu como uma fênix”
Gilberto Gil encerrou a solenidade de reinauguração do TCA nesta quarta-feira, 1º


Não poderia haver palco mais simbólico para o reencontro da Bahia com sua própria identidade. Cinquenta e sete anos após o antológico show Barra 69, que marcou sua despedida e a de Caetano Veloso antes do exílio imposto pela ditadura militar, Gilberto Gil retornou à Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) nesta quarta-feira, 1º, como a grande voz do espetáculo que marcou a reabertura do espaço.
E se o tempo é rei, na voz do grande mestre ele também pode e deve ser “A paz”, canção que abriu a apresentação de Gil ao lado da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba).
Emocionado diante da plateia, Gil reviveu sua conexão com o teatro, ao qual chamou de “fênix”, ao pontuar o valor do renascimento do equipamento, que já foi atingido por três incêndios.
“Essa é a terceira vez que essa casa é obrigada a se refazer, se restituir. Queimou três vezes, mas estamos aqui, as cinzas, como uma fênix, renascendo das cinzas. Viva ao Teatro Castro Alves!”, celebrou.
Um dos seus últimos atos da noite foi pedir aquilo que parece não faltar ao próprio TCA: fé. Mas a performance de “Andar com fé” veio também acompanhada de uma “divertida bronca”:
“Pronto, teatro entregue a vocês. Cuidem bem para que não pegue fogo de novo”.
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De volta a casa
Como bem destacou o ator Jackson Costa, mestre de cerimônias do evento, “os artistas estavam de volta a sua casa”. Os anfitriões do TCA, a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), e o Balé Teatro Castro Alves (BTCA), receberam o público em uma performance conjunta emocionante, que uniu música e dança.

Logo depois, o palco também foi abençoado por Lazzo Matumbi, que entregou o TCA ao sagrado que rege a Bahia nas canções “Sou de Nanã Ewá” e “É D'Oxum”.
“Aqui eu me sinto uma criança. Sem ter a autorização dos meus colegas artistas, eu digo que aqui a gente não vem fazer um show, a gente vem fazer um espetáculo”, disse o cantor.
Outra participação especial foi a de Virgínia Rodrigues, em apresentações viscerais de “O Canto de Ossanha” e “Yáyá Massemba”. Para a artista, “o palco do TCA é o mais importante da Bahia”. A presença feminina ganhou ainda mais força com a potência de Sued Nunes.
“Momento emblemático na história da nossa cultura. Eu sou uma semente de tudo o que esse palco plantou, do que floresceu nessa nova geração”, afirmou ela.
Em uma verdadeira “Anunciação” das boas novas, Simone se juntou a celebração e também fez questão de agradecer aos trabalhadores da obra.
“Quero pisar muitas vezes mais nesse palco. Fico feliz pelo momento que a gente está passando. Muito obrigada a todos que vestiram a camisa e suaram, a plateia será dos trabalhadores que construíram esse teatro”, declarou.

A solenidade teve direção artística de Elísio Lopes e direção musical do maestro Carlos Prazeres e de Manno Góes.
Presença política
Além da constelação de estrelas, a cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Jerônimo Rodrigues e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Resultado da parceria Bahia-Brasil, com investimento superior a R$ 260 milhões, a terceira e última etapa do projeto Novo TCA, executada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder), marcou a retomada das atividades do equipamento, fechado desde janeiro de 2023, quando um incêndio atingiu parte da cobertura do teatro.
A reabertura teve início com a chamada Operação Teste da Sala Principal, etapa que permitirá o retorno gradual das atividades artísticas e a validação dos novos sistemas técnicos instalados durante a obra.


