LANÇAMENTO EM SALVADOR
Livro de Décio Torres Cruz ganha três contos inéditos em nova edição
Publicado originalmente em 2010, Histórias Roubadas será lançado em Salvador


Em um universo com diversas narrativas, personagens que se rebelam contra o próprio autor, histórias atravessadas pelo teatro, poesia, cinema e além de enredos que convidam o leitor a escolher seus próprios desfechos, Décio Torres Cruz constrói o livro Histórias roubadas.
O escritor baiano lança hoje, 29, a partir das 17h, na Academia de Letras da Bahia (ALB), a segunda edição do livro de contos, que retorna às livrarias ampliado com três novas histórias.
A primeira edição da obra foi lançada em 2010 e a necessidade de ter mais exemplares disponíveis para livrarias, eventos e lançamentos em outras cidades motivou a publicação da nova edição, agora pelo Caravana Grupo Editorial.
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Além de voltar ao mercado brasileiro, o livro ganha projeção internacional: já foi traduzido para o espanhol, segue em processo de tradução para o francês e deverá chegar também a Portugal.
Com 25 contos, Histórias roubadas transita por temas como gênero, identidade, preconceito e existência humana. Para Décio, embora sejam ficcionais, as histórias mantêm uma relação direta com questões presentes na vida cotidiana.
“A literatura, por mais ficcional que seja, mantém um constante diálogo com a realidade. Toda forma artística é uma leitura e representação de fatias do real”, afirma.
Segundo o escritor, os assuntos aparecem ora explicitamente, ora de maneira sugerida. “Essas questões são importantes para nos fazer refletir sobre o nosso papel como ser humano e social, sobre nossos comportamentos, nossos medos e angústias e, principalmente, sobre nossa responsabilidade com o outro”, acrescenta.
Apesar das transformações sociais ocorridas desde a primeira publicação, o autor optou por não atualizar os contos já existentes. Para ele, os conflitos tratados na obra permanecem contemporâneos justamente por partirem da natureza humana.
“Não houve necessidade de nenhuma mudança, pois os temas permanecem bastante atuais. O que sempre fiz questão de enfocar é a natureza humana em suas diferentes facetas, o que é universal e atravessa séculos”, explica.
O autor também destaca que nem todas as histórias seguem um tom reflexivo: o humor e as brincadeiras com a linguagem ocupam espaço importante no livro.
Novas histórias
Entre as principais novidades da segunda edição estão três contos inéditos. Um deles nasceu a partir da própria capa do novo livro, produzida com uma fotografia de Cláudio Gonçalves.
Ao observar a imagem, Décio enxergou uma nova possibilidade para o universo de O ladrão de histórias, conto que abre a obra e que deu origem ao título da publicação.
“Quando vi a capa, senti que ela escrevia um novo conto sobre o tema das histórias roubadas e então resolvi escrevê-lo”, conta. Além dele, o escritor acrescentou duas narrativas curtas que mantêm a proposta do livro e apostam em finais inesperados.
A nova história também marca o retorno de Maurício, personagem de O ladrão de histórias. No conto original, Décio apresenta diferentes possibilidades de encerramento e convida o próprio leitor a escolher um caminho. A estratégia, segundo ele, chegou a provocar contatos de leitores interessados em compartilhar suas escolhas.
Na nova edição, o autor retoma essa brincadeira e apresenta outra possibilidade para o personagem. “Este reencontro representa um certo tipo de fechamento para um final que tinha ficado aberto, mas não totalmente”, adianta, evitando revelar detalhes da história.
Mistura de linguagens
A mistura de gêneros e formatos é uma característica da obra. Os contos dialogam com teatro, cinema, poesia e outras formas artísticas, resultado tanto da trajetória de Décio como escritor quanto da atuação como professor e pesquisador.
Ao longo da carreira acadêmica, ele se dedicou às relações entre literatura, cinema, teatro e artes plásticas, além de áreas como linguística, estudos culturais, estudos identitários e análise do discurso. Essa experiência aparece diretamente em sua produção literária.
Em Histórias roubadas, poemas podem assumir estrutura próxima à de um thriller cinematográfico, contos se transformam em filmes e peças de teatro passam a integrar outras narrativas. Há histórias construídas predominantemente a partir de diálogos teatrais e até personagens que se revoltam contra o autor e decidem interferir no rumo da própria trama.
“A variedade de técnicas e estilos faz com que o leitor transforme sua experiência de leitura em um jogo textual bastante divertido”, diz.
Sobre o autor
Décio Torres Cruz é escritor, crítico literário, tradutor, pesquisador e professor aposentado da Ufba e da Uneb.
É membro da Academia de Letras da Bahia, onde ocupa a cadeira nº 19, além de integrar outras instituições literárias no Brasil e no exterior.
Ph.D. em Literatura Comparada pela State University of New York (SUNY), nos Estados Unidos, possui pós-doutorado realizado em Londres, mestrado em Teoria da Literatura e formação em Letras pela Ufba. Além da produção literária e acadêmica, atua como articulista do Caderno 2 do jornal A TARDE.
Lançamento da segunda edição de ‘História Roubadas’, de Décio Torres Cruz
- Quando: terça-feira, 29
- Horário: 17h
- Onde: Academia de Letras da Bahia – ALB (Palacete Góes Calmon – Avenida Joana Angélica, nº 198, Nazaré)
- Entrada gratuita
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.


