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TRÂNSITO LIVRE

Peça sobre profissionais do sexo chega aos palcos de Salvador

Atriz interpreta sete mulheres em espetáculo sobre prostituição

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso
Espetáculo transforma relatos de profissionais do sexo em teatro documental
Espetáculo transforma relatos de profissionais do sexo em teatro documental - Foto: Divulgação

Para falar de prostituição feminina, uma das mais estigmatizadas profissões do mundo, o espetáculo-documentário gaúcho Meretrizes traz à tona a exploração de corpos como territórios em disputa e mercadorias sempre à venda.

Criação do Coletivo Gompa (RS), a peça estreia neste sábado, 5, às 20h, na CAIXA Cultural Salvador, na unidade Carlos Gomes, e fica em cartaz, de sexta-feira a domingo, até o próximo dia 13.

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Em cena, a atriz gaúcha Liane Venturella contracena, por vídeo, com personagens da vida real que habitam as ruas das grandes cidades. O público vai se deparar com uma montagem em que teatro, música ao vivo e depoimentos reais se mesclam para compor a dramaturgia.

Os relatos de mulheres marcadas por estigmas sociais, riscos, discriminação e exclusão ganham voz através das denúncias de opressões e preconceitos sofridos cotidianamente por estas profissionais do sexo.

Com direção de Camila Bauer, que também assina a dramaturgia ao lado de Liane, Meretrizes tem roteiro baseado em um resultado de pesquisa e escuta com profissionais do sexo – mulheres entre 18 e 70 anos.

Liane comenta que o espetáculo foi criado para falar sobre mulheres, principalmente sobre o respeito por todas as opções de uma mulher, inclusive a prostituição. “Meretrizes conversa com profissionais do sexo e mostra como muitas enxergam seu corpo, como gerenciam suas vidas”.

Ela diz ainda que a peça não pode ser chamada de solo, já que tem o acompanhamento de uma pianista. “A criadora desse espetáculo foi a Catarina Domenici que, através do piano e das músicas que criou, revela um pouco desse universo de cada uma das personagens, então está muito presente a música no espetáculo”.

No final, o público vive a experiência de conversar com duas profissionais do sexo, então não é um monólogo. É um espetáculo, enfim, com uma equipe muito boa e toda presente em cena”, arremata a atriz.

Hipocrisia e respeito

No palco, Liane se desdobra em cerca de sete personagens. “São várias mulheres profissionais do sexo, e é o tempo inteiro esse trânsito entre contar realmente como atriz, como pessoa, o que foi fazer esse trabalho, e fazer esse trânsito entre essas mulheres. Tentar buscar alguma coisa em comum entre elas, e ao mesmo tempo o que distingue cada uma”.

Ela lembra que Meretrizes faz parte de um tipo de teatro que ela ainda não havia experimentado, que é o teatro documentário e de testemunho. “A gente tinha os relatos, mas um relato é algo muito extenso, de horas de entrevista, então, que recorte nós daríamos a esses relatos? Então, esse trânsito é justamente a mão da Camilla Bauer costurando tudo isso”.

Imagem ilustrativa da imagem Peça sobre profissionais do sexo chega aos palcos de Salvador
Foto: Divulgação

“Existe uma grande hipocrisia da sociedade com relação às prostitutas e a gente queria falar a respeito disso. Independente das escolhas, todas as mulheres merecem respeito. Duvido que alguém saia igual depois de assistir ao espetáculo e conversar com nossas meninas”, complementa a atriz.

Interação com o público

Segundo Camila Bauer, Meretrizes nasce com um propósito estético de construir uma obra de teatro documentário, sobretudo pela presença real das prostitutas.

“Mas com a vontade de sensibilizar o espectador para essas mulheres, profissionais de uma das profissões mais antigas que a gente tem conhecimento e que ainda não são aceitas, ainda sofrem violências sociais o tempo inteiro”, comenta a diretora gaúcha.

“A ideia é justamente chamar a atenção para esse preconceito que a gente tem, que às vezes é velado, às vezes explícito, compreendendo que as mulheres têm a liberdade de escolher o que elas querem para a vida delas”, alinhava Bauer.

Camila informa ainda que o público vai ver em cena um espetáculo de teatro com música ao vivo, através de um piano, encenado por uma atriz que interpreta diversas mulheres e traz os discursos delas para o palco.

“Todas as falas são baseadas em relatos reais. Alguns aparecem em vídeo, outros são transformados em cena, mas o que o público vai ver são relatos reais de profissionais do sexo falando sobre diversos assuntos. Vai poder interagir e perguntar o que quiser”, detalha Camila.

Para ela, esta peça, na verdade, foi calcada no trabalho de escuta das narrativas que essas mulheres queriam que estivessem em cena. “Ao longo do processo, a gente contou com profissionais do sexo nos ensaios, de algum modo também balizando esse trabalho sem romantizar, sem demonizar, mas trazendo essa realidade. Então, o trabalho privilegia esse lugar de escuta por parte do espectador e esse lugar de protagonismo por parte dessas mulheres”.

Quanto a trabalhar com Liane Venturella, Camila garante que foi um privilégio, já que, para ela, Liane é uma das maiores atrizes do País. “Uma das pessoas mais sensíveis que já vi em cena para a construção de identidades, para trazer a humanidade em cada figura, cada gesto, cada olhar. É uma pessoa extremamente versátil para transitar entre essas figuras, capaz de se colocar verdadeiramente no lugar do outro e levar essa empatia para dentro da cena”, finaliza Camila Bauer.

As sessões dos dias 5 e 11 terão bate-papo pós-espetáculo e intérprete de Libras.

Meretrizes / CAIXA Cultural, Unidade Carlos Gomes / 5, 6, 11, 12 e 13 de setembro / Sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h / R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) / Vendas: Sympla / Classificação: 16 anos

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