LITERATURA
Pesquisador baiano reúne Snoopy, Bidu e Scooby-Doo em novo livro
Gutemberg Cruz reúne personagens caninos de mais de um século de histórias em quadrinhos


Assim como na vida, os cachorros são praticamente onipresentes nas histórias em quadrinhos – e também na cultura pop, de modo geral. Todo mundo, por mais “adulto” que seja, tem um cachorro de HQ morando em uma casinha dentro do coração.
Pode ser o Snoopy, o Pluto, o Scooby-Doo, o Bidu ou o Dom Pixote: ninguém escapa. Daí o livro Bom Pra Cachorro - Os Cães nos Quadrinhos ser uma boa dica de leitura em qualquer hora para quem se amarra nesses amigos de quatro patas retratados nas quatro cores básicas das revistas em quadrinhos.
Seu autor, o pesquisador baiano Gutemberg Cruz, é um especialista – em quadrinhos e neste tipo de publicação. Nos últimos anos, ele vem se especializando em catalogar personagens de HQ e animação.
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Já fez volumes dedicados aos cangaceiros (Sangue nos olhos - Cangaço nos Quadrinhos), aos indígenas (Guerreiros do Brasil), às mulheres (Cheias de Charme: 101 Mulheres Empoderadas dos Gibis), aos vilões (Aqui só tem bandido - Grande Dicionário dos Vilões das HQs), aos personagens LGBTQIA+ (Traços da Diversidade – De J. Carlos a Laerte) e, claro, aos gatos (Gatolândia - Os felinos mais amados dos gibis) – todos publicados pela editora Noir, fundada por outro grande pesquisador e biógrafo baiano, o jornalista Gonçalo Jr.
“Meu objetivo, ao escrever o livro Bom pra Cachorro – Os cães nos quadrinhos, foi reunir origens, curiosidades, autores, primeiras aparições e a importância de personagens caninos que conquistaram um lugar especial na cultura pop”, conta Gutemberg.
“A obra percorre mais de um século de histórias em quadrinhos, revelando cães famosos, esquecidos, curiosos e surpreendentes, vindos de diferentes países e tradições editoriais”, acrescenta.
Entre centenas de verbetes, cachorreiros e cachorreiras dos quadrinhos poderão descobrir personagens ancestrais, esquecidos nas prateleiras da história, como Hector Sem Teto (Hectos The Tramp), criado no início do século 20 por Harry Hershfield e publicado em jornais norte-americanos.
Outro – infelizmente – pouco lembrado, é baiano: Jab, Um Lutador, criação do cartunista soteropolitano Flávio Luiz, publicado em jornais locais entre o final do século passado e o início deste.
“O livro combina pesquisa histórica, precisão bibliográfica e uma narrativa jornalística, procurando tornar a leitura agradável tanto para colecionadores e estudiosos quanto para fãs de quadrinhos e apaixonados por cães”, afirma.
“Cada verbete é um convite a uma viagem pela chamada nona arte, mostrando como esses personagens ajudaram a emocionar, divertir e inspirar milhões de leitores ao longo de gerações”, garante o autor.
Solta ‘os cachorro’!
Pessoal 50+ vai se encantar com verbetes como o de Oto, o cachorro do Sargento Tainha, personagens inesquecíveis da revistinha do Recruta Zero. Completamente fiel ao dono, Oto se veste e se comporta igual ao insuportável Tainha, criando um efeito hilariante.
Os cães de animações clássicas da Disney como A Dama e o Vagabundo e 101 Dálmatas, os vários cachorros do da Hanna-Barbera (Scooby-Doo, Bionicão, Rabugento, Mutley, Bibo Pai e Bobi Filho, Dom Pixote, a lista é enorme) – todos estes e muitos outros estão aqui com suas origens e trajetórias reveladas pelo autor.
“Minha relação com os quadrinhos começou ainda nos anos 1960. É uma história de muitas décadas de leitura, descoberta e encantamento. Entre os personagens que fizeram parte dessa trajetória estão Rin Tin Tin, cujas aventuras eu já acompanhava na televisão, e Lassie. Vieram depois outros companheiros inesquecíveis: Milou, o intrépido cão que acompanha Tintim em suas aventuras pelo mundo; Snoopy, o filosófico e carismático beagle dono de uma personalidade única; Bidu, o azulado e curioso cão criado por Mauricio de Sousa; e Floquinho, o enigmático cachorro da Turma da Mônica”, enumera.
“Essa relação com os cães ultrapassa as páginas dos quadrinhos. Gosto tanto desses animais que, na vida real, tenho uma cadelinha chamada Niquita, que também faz parte da minha história e do meu cotidiano”, conta Gutemberg.
Relação que remonta a milênios, a amizade entre humanos e cachorros é um dos grandes temas das HQs desde sempre e assim deve continuar sendo por muitos e muitos séculos.
“O livro é, sobretudo, uma homenagem à amizade entre seres humanos e cães e ao papel inesquecível que esses companheiros de quatro patas ocupam na imaginação de artistas e leitores. Ao reunir informação, memória e afeto, a obra celebra dois patrimônios culturais e afetivos que atravessam gerações: os quadrinhos e os cães”, conclui.


