TEATRO CASTRO ALVES
Novo TCA: reabertura se estenderá ao longo de julho com programação diversa
Secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro revelou detalhes e esclareceu se ingressos ficarão mais caros

A obra do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, está 85% concluída. O local está fechado há três anos, devido a um incêndio que atingiu telhado no dia 25 de janeiro de 2023, e vai ser reaberto em 1º de julho deste ano, mesma data prevista para a conclusão da reforma completa do equipamento.
A reforma está nos ajustes finais, especialmente da montagem da Sala Principal, que vai acontecer durante o mês de maio de forma mais efetiva, com a colocação das poltronas, adequação do ar-condicionado e de toda a vestimenta cênica.
Em entrevista ao portal A TARDE, o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, afirmou que esse é o momento de “força máxima da obra”, em que tem mais frentes de trabalho atuando de forma simultânea.
“Não tem nenhum lugar do complexo que não tenha gente trabalhando. É uma operação muito intensa, dentro do cronograma. Não tem nada fora daquilo que foi pensado inicialmente, para que nós tenhamos no fim de junho a conclusão de todo esse processo”, disse.

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A reabertura do TCA vai contar com uma programação especial e que se estenderá ao longo de julho.
“Vai começar no dia 1º, como já foi anunciado pelo governador, mas não será uma programação de um dia só, até porque a expectativa, tanto artística quanto dos nossos públicos, é tão grande que seria impossível abrigar tudo isso em um único dia”, prometeu Bruno Monteiro.
O gestor destacou que terá espaço para o conjunto das artes cênicas e performativas da Bahia. “O TCA é o lugar do teatro, da música, da dança, mas ele é o lugar das exposições, dos encontros e tudo isso vai ter espaço nessa programação de reabertura”, garantiu.
Nós teremos um teatro completamente modernizado, reformado, acessível e mais seguro. Ao mesmo tempo que é um teatro que mantém sua tradição de excelência e como um dos principais palcos de realização da cultura baiana e brasileira.
A data limite não foi escolhida por acaso, já que julho é o mês da Independência da Bahia. A escolha busca aproveitar o período de maior mobilização cultural no estado.
“Eu acredito que o próprio marco do teatro está retornando em torno do 2 de Julho tem um significado muito grande. Porque é o momento em que nós celebramos a libertação do Brasil a partir da luta do povo baiano, que garantiu a independência, autonomia e a liberdade. E nada combina mais com liberdade, independência, direitos e autonomia do que a cultura”, falou o secretário.
Incêndios e protocolo de segurança

O TCA já passou por dois incêndios de grandes proporções. O caso mais recente foi o de janeiro de 2023. O fogo na cobertura no imóvel, próximo a Sala de Ensaios do Balé, começou no início da tarde e foi contido 12 horas depois.
O outro aconteceu na madrugada do dia 9 de julho de 1958. Naquela época, faltavam cinco dias para a inauguração oficial do teatro, que já estava recebendo visitas. Na ocasião, toda a estrutura do equipamento cultural foi atingida naquele que foi o primeiro incêndio da sua história, exceto a Concha Acústica.
No dia 14 de julho de 1958, dia originalmente previsto para a inauguração, foi realizada uma missa campal, que marcou o início das obras de restauração do espaço. O processo de reconstrução do TCA durou nove anos. Ele foi reinaugurado em março de 1967.
Segundo o titular da Secult-BA, “o protocolo e o sistema de segurança do Teatro Castro Alves, como funcionavam, foram essenciais para que o ocorrido em janeiro de 2023 tenha sido contido muito rapidamente de forma segura”.
O secretário enfatizou que não houve problema no sistema de segurança e de combate a incêndios do teatro e ressaltou que a obra estava prevista “desde o governo de Jaques Wagner, quando foi feito um projeto de reforma do conjunto do complexo do TCA”.
"Wagner fez a Concha Acústica e Rui Costa fez a Sala do Coro. O processo foi interrompido pela pandemia e o governador Jerônimo Rodrigues, a partir do incêndio e da necessidade naquele momento de trocar a cobertura, decidiu encarar a maior e mais complexa parte dessa obra 30 anos depois da última grande obra na sala principal”, explicitou.
Foi um conjunto de fatores que levou a isso, mas não é verdade que o incêndio que levou a esse processo. Foi uma decisão política dada a necessidade que o teatro tinha de adequação e modernização de suas estruturas.
Novo espaço e democratização do acesso ao teatro
O TCA se consolidou como um dos complexos mais importantes da América Latina, reunindo história, arquitetura e acesso democrático à cultura.
Projetos como o Domingo no TCA ofereciam ingressos a preços simbólicos, muitas vezes a R$ 1, permitindo que pessoas de diferentes perfis tenham acesso a espetáculos que, em outros estados, podem custar valores elevados.
Segundo o secretário, essa política será mantida e a democratização do acesso ao teatro será ampliada.
“Nós queremos um teatro cada vez mais acessível. Por isso, nós estamos ampliando o Centro Técnico, que é o grande coração do teatro baiano, é onde surgem novos espetáculos, figurinos, cenários e ensaios, tudo isso é feito no teatro. Isso será ampliado”, revelou.
Nós contaremos agora com um novo espaço, que é um Laboratório Cenográfico, que também servirá para confecção e estruturação de novas montagens de teatro.
De acordo com ele, esses espaços, especialmente o Centro Técnico e o Laboratório Cenográfico, “terão também lugares para a formação, para nós ampliarmos o programa de formação, tendo cada vez mais novas gerações de artistas”.
Ingressos mais caros?

Com a reinauguração, a possibilidade de um aumento nos preços dos ingressos no TCA pode ser temia pelas pessoas. À reportagem, Bruno disse que essa é uma discussão que precisa acontecer em conjunto com os produtores.
“Há uma expectativa muito grande de retomada das pautas. Nós sabemos o quanto o TCA é muito procurado para grandes produções, até internacionais, e nós queremos que isso esteja adequado”, assegurou.
O Estado não se eximirá da sua responsabilidade com a manutenção do teatro. Agora, nós também queremos ter diálogo de forma muito aberta com os produtores para que seja um modelo cada vez mais sustentado.
Investimento de R$ 260 milhões

A reforma do TCA contou com um investimento de cerca de R$ 260 milhões do governo estadual.
O projeto prevê a modernização do espaço, com:
- Novos sistemas de áudio, vídeo e iluminação cênica;
- Melhoria da acústica e da acessibilidade;
- Restauração das poltronas e de áreas históricas;
Vale lembrar que, diferente de teatros convencionais, o TCA é um complexo dividido em espaços que atendem a todos os nichos.
Embora a Sala Principal do TCA esteja fechada, o equipamento cultural tem funcionado de forma parcial com:
- Concha Acústica: funciona plenamente e recebe grandes shows nacionais e internacionais
- Sala do Coro: também está aberta, com espetáculos menores, peças e apresentações intimistas
Esse funcionamento parcial, no entanto, não atende à demanda de grandes eventos culturais na capital baiana.
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