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DEUTSCHE BANK

Bancário admite desvio de quase R$ 4 milhões de clientes de alta renda

Desfalque expôs fragilidades nos processos do maior banco privado da Alemanha

Rodrigo Tardio
Por
Deutsche Bank lamentou ocorrido e atribuiu responsabilidade à conduta isolada do ex-funcionário
Deutsche Bank lamentou ocorrido e atribuiu responsabilidade à conduta isolada do ex-funcionário - Foto: Reprodução

O ex-chefe de uma equipe de private banking do Deutsche Bank confessou ontem em tribunal ter articulado um esquema de desfalque que retirou mais de € 626 mil (cerca de R$ 3,76 milhões) de correntistas de alta renda.

Identificado como Sven R., 39, conforme as leis de privacidade da imprensa alemã, o réu responde por quebra agravada de confiança por fraudes cometidas entre o final de 2023 e meados de 2025.

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“Traí a confiança que clientes, colegas e superiores depositaram em mim durante anos. Me arrependo de cada transferência”, declarou em audiência perante a juíza Eva Livesey-Wardle.

Mapeamento da fraude

O réu revelou que escolhia intencionalmente contas de milionários por presumir que quantias pontuais passariam despercebidas frente ao patrimônio total.

As retiradas variavam de repasses volumosos de até € 81,5 mil a pequenas somas de heranças.

  • Esquema em pirâmide: quando um cliente questionava movimentações suspeitas, Sven R. estornava o valor alegando falha operacional, cobrindo o furo com recursos sacados de outra vítima.
  • Destino dos fundos: os montantes eram transferidos para contas mantidas em nome de parentes e aplicados em operações com derivativos na esperança de ganhos rápidos. Das quantias desviadas, restaram apenas € 48 mil.
  • Origem da crise: o acusado alegou ter acumulado prejuízos de € 50 mil em apostas financeiras de alto risco, situação agravada pelo nascimento do terceiro filho e reformas residenciais.

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Brechas

O desfalque expôs fragilidades nos processos do maior banco privado da Alemanha. Sven R. admitiu que se aproveitava do hábito de clientes afluentes realizarem ordens por telefone ou e-mail.

Apesar de as normas exigirem validação dupla e confirmação telefônica para transações acima de € 2,5 mil, a checagem cruzada era frequentemente ignorada por excesso de confiança da equipe. Para obter a autorização de terceiros, o réu costumava alterar o conteúdo das mensagens eletrônicas antes de repassá-las aos colegas de agência.

Em julho, promotores públicos realizaram operações de busca e apreensão na sede em Frankfurt para verificar se as ferramentas de conformidade do banco eram adequadas.

Rumos do julgamento

Em nota oficial, o Deutsche Bank lamentou o ocorrido, atribuiu a responsabilidade à conduta isolada do ex-funcionário — demitido por justa causa — e confirmou que todos os clientes afetados foram devidamente ressarcidos.

A instituição garantiu ter reforçado os mecanismos de segurança em toda a sua rede de atendimento na Alemanha.

O réu formalizou um compromisso de ressarcimento parcelado em € 250 mensais. Diante da confissão e da promessa de reparação dos danos, a Justiça sinalizou que poderá conceder o benefício da pena suspensa, evitando a prisão em regime fechado.

O julgamento vai ser retomado no próximo mês com o depoimento de funcionários e ex-colegas do bancário.

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Tags

controle interno Desfalque bancário Deutsche Bank fraude financeira Justiça e penalidades Private banking

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