DEUTSCHE BANK
Bancário admite desvio de quase R$ 4 milhões de clientes de alta renda
Desfalque expôs fragilidades nos processos do maior banco privado da Alemanha


O ex-chefe de uma equipe de private banking do Deutsche Bank confessou ontem em tribunal ter articulado um esquema de desfalque que retirou mais de € 626 mil (cerca de R$ 3,76 milhões) de correntistas de alta renda.
Identificado como Sven R., 39, conforme as leis de privacidade da imprensa alemã, o réu responde por quebra agravada de confiança por fraudes cometidas entre o final de 2023 e meados de 2025.
“Traí a confiança que clientes, colegas e superiores depositaram em mim durante anos. Me arrependo de cada transferência”, declarou em audiência perante a juíza Eva Livesey-Wardle.
Mapeamento da fraude
O réu revelou que escolhia intencionalmente contas de milionários por presumir que quantias pontuais passariam despercebidas frente ao patrimônio total.
As retiradas variavam de repasses volumosos de até € 81,5 mil a pequenas somas de heranças.
- Esquema em pirâmide: quando um cliente questionava movimentações suspeitas, Sven R. estornava o valor alegando falha operacional, cobrindo o furo com recursos sacados de outra vítima.
- Destino dos fundos: os montantes eram transferidos para contas mantidas em nome de parentes e aplicados em operações com derivativos na esperança de ganhos rápidos. Das quantias desviadas, restaram apenas € 48 mil.
- Origem da crise: o acusado alegou ter acumulado prejuízos de € 50 mil em apostas financeiras de alto risco, situação agravada pelo nascimento do terceiro filho e reformas residenciais.
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Brechas
O desfalque expôs fragilidades nos processos do maior banco privado da Alemanha. Sven R. admitiu que se aproveitava do hábito de clientes afluentes realizarem ordens por telefone ou e-mail.
Apesar de as normas exigirem validação dupla e confirmação telefônica para transações acima de € 2,5 mil, a checagem cruzada era frequentemente ignorada por excesso de confiança da equipe. Para obter a autorização de terceiros, o réu costumava alterar o conteúdo das mensagens eletrônicas antes de repassá-las aos colegas de agência.
Em julho, promotores públicos realizaram operações de busca e apreensão na sede em Frankfurt para verificar se as ferramentas de conformidade do banco eram adequadas.
Rumos do julgamento
Em nota oficial, o Deutsche Bank lamentou o ocorrido, atribuiu a responsabilidade à conduta isolada do ex-funcionário — demitido por justa causa — e confirmou que todos os clientes afetados foram devidamente ressarcidos.
A instituição garantiu ter reforçado os mecanismos de segurança em toda a sua rede de atendimento na Alemanha.
O réu formalizou um compromisso de ressarcimento parcelado em € 250 mensais. Diante da confissão e da promessa de reparação dos danos, a Justiça sinalizou que poderá conceder o benefício da pena suspensa, evitando a prisão em regime fechado.
O julgamento vai ser retomado no próximo mês com o depoimento de funcionários e ex-colegas do bancário.


