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BC dos EUA espera queda sustentada da inflação

Publicado terça-feira, 09 de outubro de 2007 às 15:45 h | Atualizado em 09/10/2007, 15:45 | Autor: Agencia Estado
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Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) estavam cada vez mais confiantes, em setembro, de que a inflação já não representava uma ameaça significativa e isso, ao lado de um setor de moradias "extremamente fraco", abriu caminho para uma redução agressiva das taxas de juro. É o que diz a ata, divulgada hoje, da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) realizada em 18 de setembro.

Os participantes da reunião não falaram sobre a direção ou sobre o momento de mudanças futuras na política monetária, dizendo que "ações futuras vão depender de como as perspectivas econômicas tenham sido afetadas pelos acontecimentos nos mercados e por outros fatores", diz a ata. O documento acrescenta que, "com a probabilidade de que o crescimento econômico fique abaixo de seu potencial por algum tempo e com dados de inflação favoráveis, parecia improvável que o afrouxamento da política afetasse adversamente a perspectiva da inflação".

Segundo a ata, os técnicos do Fed previam crescimento econômico "moderado" no terceiro trimestre, mas rebaixaram suas previsões para o quarto trimestre e para 2008 "e previam um crescimento modesto do desemprego", que levaria a uma redução dos gastos dos consumidores. Os técnicos da instituição também previam que os investimentos das empresas "se reduzissem levemente".

Apesar disso, "com a expectativa de que os mercados de crédito se recuperem, em grande parte, nos próximos trimestres, espera-se que o crescimento real do PIB firme-se em 2009, para um ritmo um pouco acima da taxa de crescimento potencial". Os economistas do Fed também rebaixaram "levemente" suas previsões quanto ao indicador de inflação preferido pelos dirigentes da instituição, o índice de preços dos gastos com consumo expurgados dos preços da energia e dos alimentos. O índice subiu 1,8% em agosto, em comparação com o mesmo mês de 2006, o que está dentro da chamada "zona de conforto" do Fed.

A ata também diz que os dirigentes do Fed "reconheceram que os dados sobre o núcleo da inflação (que exclui os preços de energia e alimentos) continuavam favoráveis e mostraram mais confiança em que o declínio da inflação verificado mais cedo neste ano seria sustentado".

Unanimidade

Segundo o documento, houve mais uniformidade na decisão de reduzir as taxas de juro em setembro do que a votação de dez a zero indicava. Vários presidentes de distritos regionais do Fed, como Charles Plosser (Filadélfia) e Jeffrey Lacker (Richmond), normalmente contados entre os mais "duros" no que se refere à inflação, não estão entre os dirigentes do Fed com direito a voto nas reuniões do Fomc em 2007. Alguns comentaristas haviam interpretado declarações desses dirigentes anteriores à reunião de 18 de setembro como indicação de que eles teriam votado contra uma redução de meio ponto porcentual na taxa dos Fed Funds, caso pudessem votar.

A ata da reunião, porém, diz que "todos os membros concordaram que uma redução de 50 pontos-base era o curso de ação mais prudente".

Emprego

Quanto ao excepcionalmente fraco indicador preliminar do nível de emprego em agosto ("payroll"), os participantes da reunião disseram que o número de postos de trabalho criados "provavelmente não foi tão fraco como os dados mensais mais recentes sugeriam" (-4 mil, revisados posteriormente para +89 mil), mas reconheceram que mais desaceleração no crescimento do nível de emprego "era provável".

Riscos nos investimentos

Os dirigentes do Fed também não mostraram preocupação com a possibilidade de o afrouxamento monetário inspirar comportamentos arriscados por parte dos investidores (o chamado "risco moral"), dizendo que a redução das taxas de juro "não deverá interferir com um ajuste na direção de precificações mais realistas dos riscos ou com conseqüentes ganhos e perdas para os participantes dos mercados financeiros".

Divulgações

Além da ata da reunião regular do Fomc, o Fed também divulgou as atas das conferências que a instituição realizou nos dias 10 e 16 de agosto, que resultaram em uma redução da taxa de redesconto (ela foi reduzida em 50 pontos-base em 17 de agosto e em mais 50 pontos-base na reunião do Fomc em 18 de setembro). De acordo com a ata, a conferência de 16 de agosto focalizou mudanças no guichê de redesconto do Fed. "A maioria dos participantes exprimiu apoio forte a tais medidas, embora tenha sido notada alguma preocupação com a eficácia provável dessas medidas; um participante também questionou se elas eram apropriadas", diz a ata.

A íntegra da ata do Fed em inglês está disponível em http://federalreserve.gov/fomc/minutes/20070918.htm. As informações são da Dow Jones.

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