ECONOMIA
Brasil registra maior deflação em 4 anos; entenda o que significa
A deflação acontece após uma queda generalizada e contínua dos preços de bens e serviços


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto registrou uma queda de 0,32% em agosto, o que representa 0,39 ponto porcentual (p.p.) abaixo do 0,07% registrado em julho. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com a queda subsequente, o Brasil registrou a maior deflação em quatro anos desde agosto de 2022, quando o IPCA caiu 0,36%. A deflação acontece após uma queda generalizada e contínua dos preços de bens e serviços em uma economia.
A deflação é o oposto da inflação, que acontece quando o preço dos produtos e serviços aumentam conseguintemente.
Leia Também:
O resultado também reforça o movimento de desaceleração dos preços. No mês de agosto, a queda foi puxada principalmente pelo grupo de Habitação, que recuou 1,87% no mês. Os grupos de Alimentação e bebidas (-0,34%), Transportes (-0,86%) e Comunicação (-0,09%) também registraram deflação.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,11% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,22%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2025, a variação havia sido de -0,11%.
As altas ficaram por conta dos 0,12% de Vestuário e 1,30% de Despesas pessoais. No mês, o preço do cigarro cresceu 19,59%, o que apresentou o maior impacto positivo no resultado do mês (0,11 p.p.).
Veja a variação dos grupos pesquisados pelo IPCA
- Alimentação e bebidas: -0,34%;
- Habitação: -1,87%;
- Artigos de residência: 0,64%;
- Vestuário: 0,12%;
- Transportes: -0,86%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
- Despesas pessoais: 1,30%;
- Educação: 0,47%;
- Comunicação: -0,09%
Setores impactados
Habitação
A queda em Habitação (-1,87%), o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, veio da contribuição de -0,33 p.p. da energia elétrica residencial que recuou 7,63% no mês, em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de agosto.
Em agosto, permanecia em vigor a bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos. Houve, também, a incorporação dos seguintes reajustes tarifários: 8,85% em uma das concessionárias em São Paulo (-7,42%), a partir de 04 de julho; 6,89% em Vitória (-3,13%), vigente desde 07 de agosto e 5,42% em São Luís (-8,51%) a partir de 28 de agosto.
Ainda em Habitação destaca-se, também, a variação de 1,74% no gás encanado, que se deu devido aos reajustes nas tarifas de 10,21% e 1,80%, em Curitiba (9,89%) e no Rio de Janeiro (1,69%), respectivamente, ambos a partir de 1º de agosto. A taxa de água e esgoto (0,11%) reflete o reajuste de 3,55% em Salvador (2,21%), vigente desde 20 de julho.
Transporte
A deflação em Transportes (-0,86%) reflete as quedas de 13,17% nas passagens aéreas e 0,91% nos combustíveis, com recuos no etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). O gás veicular subiu 2,62%. O subitem táxi (0,62%) considera o reajuste de 8,42% nas tarifas em Belo Horizonte (6,33%) vigente desde 08 de agosto. Já a queda de transporte por aplicativo (-4,57%) contempla, além da variação apurada em agosto, parte do resultado de julho que, indevidamente, não foi apropriado no referido mês.
Alimentação e bebidas
Alimentação e bebidas variou -0,34%, após o recuo de 0,67% em julho, por influência da alimentação no domicílio (-0,61%). As principais quedas foram na batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). No lado das altas, destacam-se o leite longa vida (1,78%), frutas (0,84%) e carnes (0,61%). A alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,55% em julho para 0,36% em agosto, com o lanche saindo de 0,76% para 0,62%, e a refeição de 0,42% para 0,18%, no mesmo período.


