Busca interna do iBahia
HOME > ECONOMIA
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

GUERRA NO ORIENTE

Crise no ar: combustível em alta ameaça cancelamento de voos no Brasil

Especialistas ouvidos pelo A TARDE apontam possíveis cenários para o setor aéreo brasileiro

Carla Melo
Por
| Atualizada em

Siga o A TARDE no Google

Google icon
O alto custo do combustível foi o grande vilão da vez
O alto custo do combustível foi o grande vilão da vez -

O céu parece não estar tão movimentado quanto antes. A crise marcada pela guerra no Oriente Médio iniciada com ataques ao Irã, em fevereiro deste ano, agora atinge o setor de tráfego aéreo comercial com aumento de custos, risco de desabastecimento e cancelamentos de voos em diversos países do mundo.

O alto custo do combustível foi o grande vilão da vez. O valor do querosene de aviação (QAV) - combustível derivado de petróleo dobrou em quase três meses de conflito, de acordo com a Lufthansa, grupo de companhias aéreas que anunciou recentemente o cancelamento de 20 mil voos até outubro deste ano para economizar combustível.

Tudo sobre Economia em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

A maior parte dos cancelamentos de voos estão concentrados em países da Ásia e da Europa, que são fortes dependentes de petróleo, oriundos do Oriente Médio.

O combustível é o principal produto que abastece aviões e helicópteros dotados de turbina a jato, turboélices ou turbo-fans no país e está sendo um dos grandes temas de debate do setor que já acendeu alerta para o cenário brasileiro.

Passagens caras e cancelamento de voos no Brasil

Especialistas ouvidos pelo Portal A TARDE, apontam que o efeito mais imediato para o setor aéreo seja marcado por um repasse de custos nos preços das passagens aéreas, já que o querosene de aviação representa uma parte relevante da estrutura operacional.

Para Israel Sayão, especialista em negociação internacionais e estratégias de expansão de operações globais, o cenário torna-se ainda mais delicado porque o preço do QAV é negociado em dólar e está suscetível a variação cambial.

“Esse encarecimento, como já é padrão no setor, acaba sendo repassado para as tarifas. Na prática, o consumidor deve ver menos promoções e preços mais altos, especialmente em períodos de maior demanda. Passagens internacionais tendem a subir em dólar, mas por outro lado, a valorização recente do real ajuda a aliviar parte desse impacto para quem compra no Brasil”, explica o especialista.

Leia Também:

Patrícia Bastos, especialista em gestão de risco em viagens, reforça o cenário de encarecimento e afirma que consumidores já sentem esse efeito no preço das passagens.

"Risco de ficar sem combustível não, mas o aumento das passagens já é uma realidade e tende a aumentar os valores devido ao impasse da solução do conflito no Oriente Médio. Os próprios passageiros e as agências de viagem sentem esse aumento no preço das passagens", explica ela.

Quem será mais afetado?

Embora rotas "nobres" como a ponte aérea Rio-São Paulo permaneçam estáveis, os voos para regiões periféricas e estados do Norte e Nordeste estão na mira dos cortes. De acordo com dados da Anac (Siros), os estados com maior redução proporcional em maio incluem:

  • Amazonas: -17,5%
  • Pernambuco: -10,5%
  • Goiás: -9,3%
  • Pará: -9,0%
  • Paraíba: -8,9%

Ainda de acordo com o especialista, companhias aéreas devem iniciar uma série de ajustes e reorganização nas operações aéreas, ao invés de ceder aos cancelamentos de voos.

“Entram em jogo estratégias de proteção contra variações de preço, como o hedge. No médio e longo prazo, o foco segue em renovação de frota, redução de consumo e avanço de alternativas como o SAF. Em um cenário mais provável, veremos ajustes e otimizações, não rupturas”, aponta ele.

"Voos internacionais principalmente para Europa e Ásia terão cancelamentos em cascata. O pior cenário seria na Europa que depende da importação desse produto em quase 100%", continua Patrícia Bastos

Vai faltar querosene no Brasil?

Apesar de o setor estar preocupado com o prolongamento da guerra e os impactos econômicos no Brasil, o risco de desabastecimento de querosene no Brasil é baixo. Isso porque, como o Portal A TARDE vem mostrando desde o início da guerra no Oriente Médio, o país se destaca com produção interna do petróleo e não é 100% dependente da exportação do produto.

“No caso do querosene de aviação, a maior parte do consumo nacional é atendida internamente, o que reduz a exposição em relação a mercados mais dependentes de importação, como a Europa. Além disso, é um derivado com certa flexibilidade de refino, e o Brasil ainda conta com a alternativa de importação, principalmente dos Estados Unidos”, explica o profissional.

No início do mês, o governo brasileiro também anunciou um pacote de medidas que isentam impostos que incidem sobre os combustíveis usados no país, como uma tentativa de frear os impactos da guerra. Entre esses produtos, está o QAV, que foi celebrado pelo setor de aviação.

Junto com isso, o governo federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em articulação com o Ministério da Fazenda, criou uma linha de crédito para capital de giro no valor de R$ 1 bilhão para a compra do combustível.

Passagens na Bahia ficarão mais caras?

Como o Portal A TARDE mostrou em reportagem sobre os efeitos no setor aéreo na Bahia, para Julio Ribas, CEO da VINCI Airports, inclusive a do aeroporto de Salvador, a resposta para essa pergunta não é imediata, afinal os efeitos da medida apesar de ser “extremamente positivo”, não anulam as consequência de altas do preço dos combustíveis, mas mitigam a subida de forma momentânea do combustível.

“A gente não sabe se isso é algo efêmero, se eventualmente essa guerra termine nos próximos dias, se o petróleo abaixa o preço e se o combustível volta aos níveis usuais ou não. Mas é muito positiva a iniciativa do governo, tanto na questão do PIS Cofins, como na questão da linha de crédito. O governo federal aprendeu com a pandemia que você não deve deixar as companhias aéreas chegarem ao limite. O transporte aéreo é mobilidade e mobilidade alimenta a economia das cidades que se conectam não só pelo turismo de lazer mas pelo turismo de negócio”, explicou ele.

O que muda para o passageiro?

Na prática, a menor oferta de assentos combinada com custos mais altos gera um efeito cascata previsível:

  • Aumento nos preços: Com menos voos disponíveis, a tendência é que as passagens fiquem até 30% mais caras.
  • Menos opções de horários: O passageiro terá mais dificuldade em encontrar voos diretos ou em horários convenientes.
  • Risco de cancelamentos de última hora: As empresas podem consolidar voos menos ocupados para economizar combustível.

O CEO não comentou sobre possíveis aumentos ou reduções no preço da passagem aérea na Bahia, mas afirmou que o setor aéreo tem recebido incentivos fiscais para aumentar as rotas. “Isso aumenta o movimento de pessoas, aumenta a máquina da economia, se move mais apra ter esse retorno”, finalizou.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

Cancelamento de voos combustível economia

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
O alto custo do combustível foi o grande vilão da vez
Play

Ponte Salvador-Itaparica: quanto tempo levará a travessia de carro?

O alto custo do combustível foi o grande vilão da vez
Play

Carne nova no pedaço? Proteína de laboratório cresce e mira mercado na Bahia

O alto custo do combustível foi o grande vilão da vez
Play

Esquecido pelo Senado, Super MEI ganha sobrevida e avança na Câmara

O alto custo do combustível foi o grande vilão da vez
Play

Deyvid Bacelar analisa impacto da guerra nos preços dos combustíveis na Bahia

x