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Diesel mais caro: veja o que deve subir nos mercados de Salvador e como economizar

Aumento de preços dos alimentos se deve, principalmente, ao setor de Transportes

Isabela Cardoso
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Diesel alto explica inflação nos alimentos em Salvador
Diesel alto explica inflação nos alimentos em Salvador - Foto: Alessandra Lori/ Ag. A TARDE

O bolso do soteropolitano sentiu em abril um choque vindo diretamente das bombas de combustível. A prévia da inflação (IPCA-15) para Salvador e Região Metropolitana (RMS) registrou alta de 1,19%, o maior índice para o mês em 25 anos.

O principal vetor foi o grupo Transportes, que subiu 3,43%, puxado por uma alta de 13,66% nos combustíveis. Logo atrás, Alimentação e Bebidas avançou 1,19%, refletindo um repasse que começa no diesel e termina na mesa do consumidor.

Esse movimento não ocorreu isoladamente. Dados recentes mostram que o diesel já vinha em trajetória de alta no país. Um levantamento da Gestran, com base em abastecimentos reais de frotas entre fevereiro e março de 2026, aponta que o combustível subiu, em média, 14,7% no Brasil em apenas um mês. Na Bahia, o impacto foi ainda maior: 17,78%.

Na prática, o estado passou a figurar entre os mercados com maior avanço no período. O litro do diesel saltou de R$ 5,74 para R$ 6,59 na média nacional, com alta de R$ 0,85. Já na Bahia, o preço médio atingiu R$ 6,78 em março, acima da média brasileira e entre os mais caros do levantamento.

O diesel como gatilho inflacionário

Diferente de outras regiões do país, onde os reajustes seguem a política da Petrobras, a Bahia opera sob a dinâmica da Refinaria de Mataripe, com repasses mais frequentes e alinhados ao mercado internacional.

Nesse cenário, o diesel deixa de ser apenas um combustível e passa a funcionar como um mecanismo de transmissão de preços.

“O diesel funciona como uma taxa de transmissão obrigatória. Como a Bahia possui uma dependência crítica do modal rodoviário para o abastecimento interno, qualquer variação na refinaria de Mataripe é tributada diretamente no prato do consumidor", explica o economista Edval Landulfo, em entrevista ao
portal A TARDE.

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Segundo especialisa, o diesel funciona como base de toda a cadeia produtiva. “O diesel é o combustível da produção [...] quando a Acelen aplica um reajuste de 20%, o impacto no IPCA não é apenas direto, na bomba, mas também direto, porque tem fretes e a logística", detalha.

Logística: o gatilho rápido para os perecíveis

O efeito é ainda mais rápido no setor de hortifrúti. Diferente dos industrializados, que podem ser estocados, frutas, legumes e verduras dependem de reposição quase diária.

Em um estado altamente dependente do transporte rodoviário, o custo do combustível se desloca com a mercadoria e chega à prateleira em questão de dias.

"A alta de 13,66% nos combustíveis realmente viaja até chegar aos alimentos. Para o produtor e o distribuidor, o combustível não é apenas um insumo secundário, ele é o principal custo variável do transporte", pontua Landulfo.

O reflexo é instantâneo: se o diesel sobe na refinaria hoje, o frete da Ceasa é reajustado no ato.

  • Sem estoque: Itens como tomate e cebola estragam rápido; o preço na prateleira reflete o combustível daquela semana.
  • Cadeia de frio: Caminhões frigoríficos usam motores a diesel para manter a temperatura de carnes e laticínios.
  • Efeito cascata: O custo sobe no trator (fazenda), no frete para a Ceasa e na entrega final ao mercado.

“Produtos como tomate, cebola, cenoura, pimentão possuem o que a economia chama de alta perecibilidade e giro rápido. [...] Na mesma semana, você pode ter preços diferentes se tiver essa gangorra de preço. Como o mercado precisa repor estoque no dia seguinte, ele compra já com preço novo. Não vai ter tempo para esperar a baixa", explica Landulfo.

A "Ditadura da Prateleira" em números

A pressão nos alimentos (1,19%) foi liderada justamente pelos itens que mais dependem de transporte constante. Em abril, o grupo de tubérculos, raízes e legumes subiu 12,78%.

  • Cenoura: +28,22%
  • Tomate: +22,47%
  • Cebola: +14,22%
  • Carnes: +1,54% (com destaque para o contrafilé).

Mesmo com a queda de 23,15% nas passagens aéreas, o alívio foi limitado. Isso porque, ao contrário das viagens, combustíveis e alimentos fazem parte do consumo diário.

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ALÍVIO!

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“O diesel tem um poder contagiante que a passagem aérea não vai ter. [...] A queda das passagens aéreas beneficia apenas um grupo, aqueles que viajam. Já a alta do diesel prejudica quem viaja, quem pega ônibus, quem come, quem produz, ou seja, todo mundo", detalha.

Gasolina amplia o efeito na cidade

Se o diesel pesa no transporte de longa distância, a gasolina amplia o impacto dentro das cidades. O reajuste de 10,2% anunciado no fim de abril atinge a chamada “última milha” - etapa final da distribuição.

Feirantes, pequenos mercados e distribuidores dependem de veículos leves, muitas vezes movidos a gasolina, para buscar e entregar mercadorias.

“A gasolina termina o serviço iniciado pelo diesel. Se o diesel torna o tomate caro na entrada da cidade, a gasolina garante que ele chegue ainda mais caro na prateleira do mercado de bairro", aponta o economista.

Esse custo aparece em:

  • entregas em mercados de bairro
  • feiras livres
  • pequenos distribuidores

Maio sob pressão: o lucro que fica no tanque

A tendência para maio é de manutenção da pressão, mesmo com a entrada de safras que normalmente reduziriam os preços. O motivo é o efeito residual dos combustíveis, que continua sendo repassado ao longo das semanas seguintes.

“Se o custo para buscar esse alimento no campo e trazê-lo até a capital ou região metropolitana subiu 15 ou 20% devido ao diesel, o preço final ao consumidor ele estaciona, porque o lucro da safra fica retido no tanque desse caminhão", completa.

Na prática, isso significa que, mesmo com maior oferta, o consumidor não deve sentir alívio imediato. O diesel segue operando como uma âncora, segurando os preços em um patamar elevado e prolongando a pressão sobre o orçamento das famílias baianas.

Estratégias para driblar a inflação no prato

Diante de um cenário onde o custo logístico é repassado quase que instantaneamente para o varejo, o consumidor precisa de estratégia para proteger o orçamento doméstico.

Substituição por época: Mesmo com o frete alto, itens em pico de safra tendem a ter uma margem de negociação maior no atacado. Se o tomate disparou, busque alternativas em tubérculos que apresentem menor variação na semana.

Aproveitamento integral: Reduzir o desperdício é a forma mais direta de "vencer" o imposto invisível. Talos e cascas de alimentos que pagaram um frete caro devem ser incorporados às receitas.

Frequência na xepa: Como os produtos são perecíveis e o estoque é zero, as feiras livres precisam liquidar o lote do dia para não perder a mercadoria.

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