A guerra no Oriente Médio, envolvendo diretamente o Irã, chegou ao 3º dia e já ameaça impactos diretos e indiretos no Brasil, mais especificamente na Bahia. Especialistas apontam que, com o aumento do petróleo em todo o mundo, o estado baiano pode começar a perceber um aumento no preço da gasolina.
O que aconteceu?
No sábado, 28, os Estados Unidos (EUA) e Israel iniciaram ataques contra o Irã. O cenário marcado pela intensificação de lançamento de mísseis, ameaças a civis e ataques a líderes políticos também já deu os primeiros indícios de que essa será mais uma crise humanitária e diplomática entre potências globais.
Além disso, o aumento as ostensivas e a falta de previsibilidade fizeram com que os preços do petróleo e do gás disparassem.
O dólar também disparou em alta nesta segunda-feira, 2, com avanço de 1,32% por volta das 10h05, cotado a R$ 5,2013. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,07%, aos 187.094 pontos.
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Não há previsão de quando os conflitos se encerrem, e o Irã já afirmou que não tem planos de negociar com os EUA. Caso a guerra se perdure, há uma grande chance de que não somente o mercado de petróleo seja impactado, mas também o consumidor final.
Combustível vai pesar no bolso
Em um curto prazo, de acordo com especialistas, a tendência é de que esse cenário seja marcado por um aumento no preço dos combustíveis, já que conflitos em larga escala no Oriente Médio e em países produtores de petróleo, o produto sinta de forma sensível os impactos no mercado.
“O que a gente sabe agora é que o preço do petróleo está para cima e é possível que nas próximas duas ou três semanas, ele continue no patamar alto em relação, por exemplo, a janeiro e fevereiro. Petróleo para cima, acompanhado de conflitos e tensões geopolíticas, gera um fortalecimento no dólar, que também encontra-se valorizado, gera um impacto inflacionário aqui no Brasil. Esse cenário deve pressionar o preço dos combustíveis”, explica o economista Cleiton Silva
Os combustíveis devem sentir nesse primeiro momento um aumento significativo, acompanhado da alta do petróleo, por serem produtos derivados do líquido natural.
Entram na lista dos maiores impactos:
- Diesel
- Gasolina
- Etanol (Não se deriva do petróleo, mas é substituto da gasolina, que pode ser pressionado com a demanda)
- Gás de cozinha (GLP)
O preço do petróleo internacional é multiplicado pelo câmbio, que é definido pela variação do dólar. Quando os dois estão em alta, isso pressiona para que esse preço chegue ao consumidor.
Silva explica ainda que essa alta não deve acontecer na mesma proporção que o aumento do preço do petróleo, mas que também deve ter impacto significativo.
Para a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), os impactos sobre a economia ainda são incertos, mas a Bahia pode ser atingida em uma escala mais grave dado o fechamento do Estreito de Ormuz, canal onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Além disso, o estado pode ser afetado por:
- Aumento do preço do petróleo e combustíveis
- Inflação de alimentos e fertilizantes
- Instabilidade no Comércio Exterior
"No caso da Bahia que depende fortemente de transporte rodoviário, a elevação no preço dos combustíveis, provocará aumento no preço das passagens, custo do frete interno, e encarecimento na distribuição de alimentos. A inflação deverá se refletir no aumento do gás de cozinha, alimentos básicos, e consequente um maior comprometimento do orçamento das famílias", apontou a superintendência ao Portal A TARDE.
De acordo com a SEI, ainda não há previsão de impactos no que diz respeito a exportações e importações com o Oriente Médio, mas a elevação no preço dos fertilizantes que são importantes para o estado, podem refletir dificuldades para o setor agrícola baiano.
De acordo com os dados do Comexstat apurados pela SEI, as exportações baianas para o Oriente Médio no consolidado de 2025 representaram apenas 2%, enquanto as importações foram 3%.
Apesar de não serem expressivas, a Bahia importa dessa região principalmente:
- Fertilizantes (35%)
- Plásticos e suas obras– Insumos industriais (25%)
Considerando-se os principais países da região destacam-se para as compras baianas: Catar (27%) – Derivado de petróleo e fertilizantes, Egito (26%) –Plástico e suas obras e fertilizantes e Israel (22%) – Plástico e suas obras e fertilizantes.
"Assim com base nessas informações, as relações comerciais baianas com o Irã são inexpressivas. Portanto, a elevação no preço dos fertilizantes que são importantes para o estado, podem refletir dificuldades para o setor agrícola baiano", disse em nota.
Mas Brasil pode surfar na alta
O Brasil é um dos países que dependem economicamente das commodities, entre elas, está a de petróleo, um dos mais exportados e com impactos mais positivos na balança comercial. Cleiton Silva explica ainda que essa dinâmica pode ter ganhos significativos no Produto Interno Bruto (PIB), na arrecadação e no crescimento econômico do país.
Entre os ganhos, estão as expectativas de alta das receitas com a exportação agrícola. Nessa hora, quem exporta pode ter a galinha dos ovos de ouro na mão.
Por esse lado, eu não vejo ameaças significativas para o setor agro. No cenário de câmbio mais desvalorizado, ou seja, dólar mais caro e petróleo mais caro, os exportadores vão conseguir vender a mesma quantidade de tonelada de soja, milho, algodão que o vale para fora, ganhando mais receita em reais porque o dólar está mais caro
O especialista explica ainda que a Petrobras atua com um papel importante para a dinâmica dos preços do combustível, e que podem ser um ótimo intermediador dos impactos da guerra no Brasil.
Em nota enviada ao Portal A TARDE, a Petrobras informou que possui rotas alternativas à região do conflito, o que dá segurança e custos competitivos para as operações da companhia, preservando as margens.
"Os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas. A Petrobras reforça que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento", disse a estatal.
Para isso, o Brasil precisa ficar quieto
Por enquanto, o Brasil pode aproveitar o cenário para aumentar sua arrecadação a partir das commodities de petróleo, enquanto ainda está em alta. Mas o especialista alerta que o Brasil não tem capacidade de influenciar o cenário geopolítico, por isso, é necessário cautela.
“É sentar e aguardar porque não tem muito o que fazer não. Na verdade, fazer o básico: não fazer besteira, não falar besteira, não inventar besteira para fazer. Se só fizermos o dever de casa, igual ao que fizemos em 2003, quando crescemos com força a partir da alta do preço do petróleo”,
Guerra no Oriente Médio
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado, 28, uma série de ataques contra o Irã, após uma intensa ameaça de ostensiva. Ao menos cinco regiões foram atingidas: Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah.
Em resposta, o Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o objetivo central é "destruir o programa nuclear iraniano". Classificada pelo Pentágono como "Fúria Épica", a operação militar busca eliminar o que Washington considera uma ameaça existencial e terrorista.
A operação militar resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei e outros líderes políticos iranianos. Khamenei tinha 86 anos e ocupava o posto de líder supremo desde 1989.
Quais são os principais impactos do conflito no Oriente Médio na economia brasileira?
Os conflitos podem elevar os preços do petróleo, afetando diretamente os combustíveis no Brasil e gerando um impacto inflacionário. Além disso, o Brasil pode se beneficiar com a alta dos preços das commodities agrícolas devido ao câmbio valorizado.
Como os preços do petróleo influenciam o valor do combustível no Brasil?
Quando os preços do petróleo aumentam internacionalmente e o dólar se valoriza, isso pressiona o preço dos combustíveis no Brasil, resultando em uma alta nos valores praticados ao consumidor final.
O que podemos esperar da alta do dólar em relação à economia brasileira?
A valorização do dólar tende a aumentar a receita para os exportadores brasileiros, principalmente em commodities agrícolas, mas também pode gerar altos custos para consumidores devido ao impacto nas importações.
Qual é a relação entre a guerra no Oriente Médio e os preços do gás e diesel?
Os conflitos no Oriente Médio, sendo região produtora de petróleo, tendem a elevar os preços do barril, o que diretamente impacta no preço do diesel e gasolina, já que esses combustíveis são derivados do petróleo.
O Brasil possui alguma influência sobre a situação geopolítica e o preço do petróleo?
O Brasil não possui influência significativa sobre a geopolítica relacionada ao petróleo. Portanto, é fundamental que o país adote uma postura cautelosa e focada em estratégias internas para aproveitar o aumento das commodities.
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