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IPI reduzido gera falta de carros para pronta entrega nas concessionárias

Publicado quinta-feira, 18 de junho de 2009 às 00:22 h | Atualizado em 18/06/2009, 00:22 | Autor: Cláudio Pimentel, do A TARDE
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Faltando menos de duas semanas para o fim do prazo de vigência da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados  (IPI)  para veículos novos, os consumidores baianos correram às concessionárias. Resultado: algumas marcas e  modelos mais populares, como o Palio e o Siena,  estão em falta nas revendas de  Salvador  ou com prazos de espera que podem chegar a até 90 dias –  quando o benefício terá acabado, caso o governo decida não prorrogar a medida que zerou a alíquota do imposto para modelos populares e cortou à metade a de carros de maior potência.

Na  Fiori Veículos, concessionária Fiat, a fila de espera para o Palio, por exemplo, alcança três meses. Segundo o gerente de vendas da empresa, Diogo Cardoso, além dos 600 carros vendidos mensalmente, há um total de 150 pedidos em lista de espera, que só poderão ser atendidos em 90 dias. “Hoje, de um estoque de 200 veículos mantidos mensalmente,  só tenho 120 carros para pronta entrega, todos dos modelos  Stilo, Línea e Strada”, diz.

A procura cresceu tanto, que o gerente da Fiori acredita que estes modelos, apesar de luxuosos, serão vendidos até o São João. De acordo com  ele, todos os clientes da lista de espera foram avisados de que se a alíquota do IPI aumentar  será repassado ao preço final do carro zero.

A Indiana, revenda  da Ford, está montando uma operação de guerra para enfrentar os últimos dez dias úteis do mês. Além do IPI, exibe como armas a concessão de crédito em até 80 meses e descontos especiais para o  Fiesta. “Em março vendemos 421 unidades e venderíamos mais se tivéssemos produtos em estoque”, informou o gerente de vendas, Marcos Cardoso. “O consumidor brasileiro tem o hábito de deixar tudo para a última hora e a Ford está apostando nisso. Tanto que  traçamos uma estratégia para zerar os estoques até o dia 30”. A Indiana tem uma fila de espera de até 30 dias para alguns modelos, como Ecosport.

Na Baviera, concessionária Volkswagen, o prazo de espera é de 30 dias para a linha Fox. Os modelos Gol, Voyage e Polo ainda são encontrados para pronta entrega, mas o gerente de vendas,  Ademar Brito,  duvida que o estoque de 140 carros – quase 50% menos que a média mensal –  resista até o dia 20. “O mercado está muito aquecido. O comprador sabe disso e nem está fazendo questão de cor ou modelo. Compra o que tem disponível”.

As concessionárias da General Motors (GM), que recentemente pediu concordata nos EUA, vivem um momento diferente das  concorrentes.  Segundo Miriam Redondo, gerente de vendas da Codismam, o mês de junho não vem apresentando surpresa e tem comportamento um pouco abaixo do registrado em maio. “Vendemos 242 carros em maio e, até agora, nesses 17 dias de junho, vendemos 120 carros, um pouquinho menos se considerarmos a média diária de vendas”, calcula.

PROCURA – A enfermeira Jacimara Matos não imaginou que teria de andar tanto para adquirir um carro zero. Ela estava decidida a comprar um Fiesta na tarde de ontem. “Queria um Siena, mas teria que esperar 90 dias. Fui a uma concessionária da Volks, mas desisti pois os juros estavam mais altos que a média.  Sobrou a Ford, que tem um modelo que se encaixa no meu bolso”.

O baterista e estudante de música Rafael Palmeira estava apostando num Cross Fox, mas teve que se contentar com um Polo Hacht preto. “A compra  já estava programada, mas não imaginava que seria assim. Depois de muita pesquisa, as opções diminuíram e, por causa  do IPI, tive que me contentar com o que havia disponível”, disse.

O IPI também definiu a compra do Ford Ka da estudante de engenharia ambiental, Paula Toniolo. “É o meu presente de vestibular, ao qual só teria direito depois de tirar a carteira de motorista. Com o IPI, tivemos que antecipar a compra”, brinca.

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