Busca interna do iBahia
HOME > ECONOMIA

GUERRA COMERCIAL

Novo tarifaço: o que o Brasil e os EUA podem perder com novas sanções?

O governo dos EUA acusou o país com acusações de práticas comerciais desleais

Carla Melo
Por
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, - Foto: Annabelle Gordon | AFP

Mais um episódio entre os Estados Unidos (EUA) e o Brasil, com acusações de práticas prejudiciais à economia estadunidense, mexeu com a relação comercial e diplomática entre as potências econômicas.

Na segunda-feira, 1º, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão do governo americano responsável por negociações de comércio exterior encerrou uma investigação contra o Brasil, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo de pressão comercial dos EUA contra outros países.

Tudo sobre Economia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Entre as medidas, está a possibilidade de imposição de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O USTR abriu o caso para consulta pública antes de uma decisão final.

Leia Também:

POLÍTICA

Governo Trump critica o Pix e propõe tarifas de 25% sobre o Brasil
Governo Trump critica o Pix e propõe tarifas de 25% sobre o Brasil imagem

MUNDO

Trump indica aliado político para embaixada dos EUA no Brasil
Trump indica aliado político para embaixada dos EUA no Brasil imagem

POLÍTICA

Flávio Bolsonaro culpa Lula por novo tarifaço de 25% de Trump
Flávio Bolsonaro culpa Lula por novo tarifaço de 25% de Trump imagem

No final de 2025, o governo estadunidense também havia imposto a medida ao Brasil, como parte da pressão comercial entre os principais parceiros e exportadores de produtos como café, carne bovina, laranja e cortes de madeira.

Desta vez, esses produtos entram na lista de exceções da medida.

Alimentos

  • Carne bovina
  • Frutos do mar e derivados
  • Hortaliças e fungos
  • Raízes e tubérculos
  • Frutas
  • Nozes
  • Café e outros estimulantes
  • Bebidas e estimulantes
  • Cacau e derivados
  • Especiarias
  • Produtos processados

Recursos naturais, minerais e combustíveis

  • Minérios
  • Minerais
  • Energia e combustíveis

Produtos Químicos, Fertilizantes e Medicamentos

  • Químicos industriais
  • Fertilizantes
  • Saúde e Farmacêuticos

Setor Aeroespacial e outros itens industriais

  • Motores e peças
  • Componentes de voo
  • Equipamentos internos
  • Materiais diversos
  • Madeira
  • Papel e celulose
  • Metais preciosos
  • Tecnologia

Graves impactos econômicos e diplomáticos

Especialistas de economia internacional, entretanto, apontam que essa imposição é mais prejudicial à economia estadunidense do que à brasileira.

“A exemplo do que foi o primeiro tarifaço, nós conseguimos rapidamente nos realocar e nos reinserir nos novos mercados mundiais. O impacto tende a ser pequeno para o Brasil no que se refere a exportações, mas o impacto é muito maior para a economia norte-americana. Os Estados Unidos estão com uma alta inflacionária, e essa alta tende a aumentar à medida em que você sobretaxa produtos brasileiros. Ou seja, é um tiro no pé do próprio Trump, que vai ter uma eleição agora de meio de mandato.”, explica a economista Daniela Pinto Cardoso.

As exceções de produtos também são estratégicas, afinal, os produtos mais consumidos pelos norte-americanos estão fora da lista, o que pode ser uma medida para atenuar o impacto financeiro aos EUA.

“Isso atenua, mas não elimina o impacto inflacionário que a importação dos produtos vai sofrer”, continua ela.

E o PIX, hein?

A investigação, iniciada em 2025, concluiu que o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, dispositivo de pagamento instantâneo e popular no sistema financeiro brasileiro.

O PIX, administrado pelo Banco Central do Brasil (BCB), entrou na mira da investigação e foi acusado de favorecer o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas que atuam no setor.

Segundo o governo americano, o BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favoreceria o PIX e limitaria a atuação de concorrentes.

Para a professora de Pós Graduação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), as ostensivas norte-americanas, como a classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas pelos EUA, e os ataques ao PIX, tem objetivo de desestabilizar a economia brasileira, através da redução de investimento ao país.

Leia Também:

POLÍTICA

Governo Trump critica o Pix e propõe tarifas de 25% sobre o Brasil
Governo Trump critica o Pix e propõe tarifas de 25% sobre o Brasil imagem

MUNDO

Trump indica aliado político para embaixada dos EUA no Brasil
Trump indica aliado político para embaixada dos EUA no Brasil imagem

POLÍTICA

Flávio Bolsonaro culpa Lula por novo tarifaço de 25% de Trump
Flávio Bolsonaro culpa Lula por novo tarifaço de 25% de Trump imagem

“Ele já havia declarado o boicote ao PIX porque é um dispositivo extremamente popular, acessível, rápido e de custo zero. E isso afeta o mercado financeiro, que não é nada interessante para os americanos. À medida que ele classifica grupos criminosos como terroristas e também aplica novas sanções, a principal medida dele é atingir o PIX, a circulação econômica, transações econômicas que acontecem no território norte-americano”, continua Daniela.

Próximos passos

De acordo com a economista, uma forma de desvencilhar esses impactos dos EUA na economia brasileira tem sido adotada pelo governo brasileiro, que através de acordo de cooperação, a exemplo do feito entre Trump e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, especialmente envolvendo comércio e segurança.

“Isso ajuda a prender algum grande criminoso aqui no Brasil e tentar diminuir qualquer possibilidade de drones sobrevoando, investigações sobre a ligação de grupos terroristas, ou maiores sanções. O que se pode fazer também é aguardar o resultado das eleições de meio de ano, porque isso pode mudar tudo para o Trump com a reversão de todas essas sanções”, finalizou a especialista

A nova taxa ainda não está em vigor. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída antes que as medidas entrem em vigor. O prazo final para a imposição das tarifas é 15 de julho.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

brasil economia EUA mundo

Relacionadas

Mais lidas