IMPACTO GLOBAL
Petróleo supera US$ 120 o barril e já acende alerta para combustíveis
Contrariamente, bolsas globais desabaram diante do 10º dia de ataques de Israel e os Estados Unidos (EUA) contra o Irã

Os conflitos no Oriente Médio chegam à segunda semana ainda sem previsão de trégua. As indecisões fizeram com que os preços do petróleo dispararam 30%, se aproximando de 120 dólares por barril nesta segunda-feira, 9.
Contrariamente, bolsas globais desabaram diante do 10º dia de ataques de Israel e os Estados Unidos (EUA) contra o Irã.
As bolsas asiáticas ampliaram as perdas da semana passada. A bolsa de Seul, que até o início do conflito registrava um desempenho forte graças às empresas de tecnologia, fechou a segunda-feira em queda de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%.
As bolsas europeias também operavam em queda: Paris recuava 2,59%, Frankfurt cedia 2,47%, Londres 1,57%, Madri 2,87% e Milão 2,71%. As bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipé, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também fecharam em queda nesta segunda-feira.
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Os três principais índices de Wall Street registraram queda de mais de 2% na semana passada, enquanto o dólar recuperou parte de seu valor devido à condição de investimento refúgio.
Petróleo em alta
O impacto mais forte da guerra acontece no mercado de petróleo. Às 6h30 GMT (3h30 de Brasília), o barril de West Texas Intermediate (WTI), principal referência no mercado americano, subia 15,51%, sendo negociada a 104,96 dólares. Pouco antes, chegou a operar em alta de 30%, a 119,48 dólares por barril.
O Brent do Mar do Norte, contrato de referência europeu, avançava 17,42%, a 108,82 dólares por barril, depois de atingir cotação superior a US$ 119 dólares.
O preço do gás nos contratos futuros do TTF holandês, referência da Europa, também registrava alta de 30%, a 69,50 euros (quase 80 dólares).
Em uma semana, o tráfego de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu 90%, de acordo com a empresa de análises Kpler ao AFP. Isso intensifica ainda mais o cenário do mercado petrolífero sobre o Brasil.
De acordo com Evaristo Pinheiro, presidente da RefinaBrasil, entidade que responde pelas refinarias privadas do país, essas restrições elevam ainda mais o risco de redução da oferta global, principalmente para o Brasil, que já possui paradas relevantes de manutenção programadas para os próximos meses, o que desacelera a oferta doméstica.
Impacto sobre a economia global
O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo e do gás consumidos em todo o mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Com a perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por um longo período, surgiu o temor de uma onda inflacionária que poderia impactar a economia global.
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Em um curto prazo, de acordo com especialistas ouvido pelo Portal A TARDE a tendência é de que esse cenário seja marcado por um aumento no preço dos combustíveis, já que conflitos em larga escala no Oriente Médio e em países produtores de petróleo, o produto sinta de forma sensível os impactos no mercado.
“O que a gente sabe agora é que o preço do petróleo está para cima e é possível que nas próximas duas ou três semanas, ele continue no patamar alto em relação, por exemplo, a janeiro e fevereiro. Petróleo para cima, acompanhado de conflitos e tensões geopolíticas, gera um fortalecimento no dólar, que também encontra-se valorizado, gera um impacto inflacionário aqui no Brasil. Esse cenário deve pressionar o preço dos combustíveis”, explica o economista Cleiton Silva ao A TARDE
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou o aumento no preço do petróleo diante da importância de eliminar "a ameaça nuclear do Irã".
"O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando terminar a destruição da ameaça nuclear do Irã, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. "APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!", acrescentou Trump.
Analistas alertaram, no entanto, para um impacto severo na economia mundial.
"O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva", afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Segundo o analista, "o petróleo acima de 100 dólares não é apenas uma alta no preço das commodities. Ele se torna um imposto sobre a economia global".
*Com informações da AFP
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