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Prodi busca aliança com Brasil para produzir etanol em países africanos

Publicado segunda-feira, 26 de março de 2007 às 20:54 h | Atualizado em 26/03/2007, 20:54 | Autor: Agência EFE
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O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, se propôs hoje a estabelecer uma aliança com o Brasil para fomentar a produção de etanol na África, após anunciar investimentos milionários no setor brasileiro de biocombustíveis.



Prodi, que hoje visitou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), falou sobre investimentos italianos no valor de US$ 480 milhões no setor do biodiesel brasileiro.



Para isso, a Fiesp e a Câmara de Comércio Ítalo-brasileira assinaram um acordo - com o aval de Prodi e de representantes do Governo e do Parlamento italiano que o acompanham - que deverá ser ratificado pela Petrobras e pela estatal petrolífera italiana ENI (Ente Nazionale Idrocarburi).



Os investimentos se concentrarão na construção de quatro fábricas para a produção de biodiesel, que será misturado ao diesel convencional italiano, de origem fóssil.



No Brasil, existe uma legislação que torna obrigatória a mistura de 2% do biodiesel produzido a partir de oleaginosas, como a soja e o girassol, ao diesel convencional, ao tempo que o etanol, proveniente da cana-de-açúcar, é misturado, a uma proporção que varia entre 20% e 25%, à gasolina derivada do petróleo.



O segundo projeto apresentado por Prodi no setor dos biocombustíveis consiste em propor ao Brasil uma aliança estratégica para a produção de etanol em países africanos, que lucrariam com os empregos gerados e as exportações desse tipo de combustível.



O avanço tecnológico do Brasil em matéria de biocombustíveis chamou a atenção de países como Estados Unidos, Japão e Reino Unido, além de nações latino-americanas interessadas na produção e comercialização de etanol e biodiesel.



Para Prodi, a iniciativa, que será apresentada nesta terça-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve aproveitar a "tecnologia brasileira, o investimento italiano e os grandes territórios do continente africano".



Angola e Moçambique comporiam a "plataforma inicial" do projeto, embora "haja muitos outros países em avaliação" no continente, segundo ele.



"Dessa forma, as empresas italianas terão que incorporar a tecnologia brasileira atuando em outros países, principalmente na África. Na Itália, já não temos mais espaço para essa produção.



Espero sair com algo nas mãos após o encontro com Lula", disse.



O primeiro-ministro afirmou que a busca de acordos com o Brasil no setor de combustíveis alternativos tem como objetivo cumprir a meta de renovação de 20% das fontes de energia proposta pela União Européia (UE), e da qual a Itália ainda está muito distante.



"Essa decisão significa uma grande mudança na estrutura industrial de muitos países da Europa, e um dos mais afetados é a Itália, pois temos um nível muito baixo de utilização de formas alternativas de energia", afirmou.



"Parece até que vocês (brasileiros) tiveram algum tipo de influência sobre os alemães (que exercem este semestre a Presidência rotativa da UE), para que eles propusessem a meta de 20%", brincou.



Prodi explicou ainda que a Itália insistirá na busca de outras fontes alternativas de energia, como "a solar e a eólica, entre outras que serão estudadas".



"Mas é claro que, atualmente, a vantagem é do etanol. Daí nosso interesse no biocombustível", disse Prodi, em seu primeiro dia de visita oficial ao Brasil.



À margem do setor energético, as empresas representadas na Fiesp fecharam acordos com entidades italianas nos setores de comércio, investimentos, ciência, tecnologia e cooperação para o desenvolvimento. Dentre os pactos firmados hoje, está um entre o Banco do Brasil e o italiano Sace, para facilitar créditos para a pequena e média empresa nos dois países.



Prodi disse que a Itália tem hoje três prioridades em matéria comercial: China, Índia e Brasil, que "será uma das grandes potências, tanto em economia como em política, podendo transformar-se em um dos árbitros das negociações comerciais do futuro".



Após o encontro na Fiesp, onde também conversou com membros da Câmara de Comércio Ítalo-brasileira, Prodi foi recebido pelo governador de São Paulo, José Serra, e por representantes da comunidade italiana no Brasil, que reúne 6 milhões de imigrantes italianos e descendentes.

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