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Receita: arrecadação mostra que contração da atividade alcança todas as empresas

Publicado terça-feira, 17 de novembro de 2015 às 16:05 h | Atualizado em 19/11/2021, 07:06 | Autor: Rachel Gamarski e Lorenna Rodrigues | Estadão Conteúdo
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A queda real de 11,33% na arrecadação federal foi a maior do ano. "As previsões já embutiam este desempenho negativo, mas em outubro tivemos um salto um pouco acima e isso está em linha com todos os indicadores macroeconômicos, e o comportamento da arrecadação está em linha com o desempenho ruim da economia", disse o chefe do centro de estudos tributários e aduaneiros, Claudemir Malaquias.

Segundo ele, em outubro, as empresas que vinham efetuando recolhimento diminuíram. "A economia tem certa inércia e hoje a trajetória é descendente", afirmou Malaquias.

A queda nas vendas no comércio varejista afetou o recolhimento com PIS/Cofins e lucro presumido, segundo o coordenador de previsão e análise, Raimundo Elói. "Em outubro, houve redução nas vendas do comércio e, consequentemente, no faturamento", disse Elói.

Para Malaquias, a arrecadação com PIS/Cofins é sensível ao comportamento do varejo, que sofreu forte queda. O mesmo comportamento foi verificado com a arrecadação do Imposto de Renda, receitas previdenciárias e PIS/Cofins, que refletem o fraco desempenho da arrecadação divulgado nesta terça-feira, 17, pela Receita Federal.

Segundo Malaquias, o resultado negativo do lucro presumido significa que a retração da atividade econômica está alcançando todas as empresas. "A gente não vê nenhum segmento que não está sendo afetado pela retração da atividade", afirmou Malaquias.

2016

Malaquias afirmou ainda que o governo irá rever a estimativa de arrecadação na próxima revisão orçamentária que acontecerá até 22 de novembro.

De acordo com Elói, "agora teremos outra revisão em 22 de novembro e pode ser que não haja mudança importante no que já está considerado", afirmou, ao considerar que a revisão que acontecerá pode não ser tão grande porque o governo já considerava a queda tão expressiva de outubro.

Estimando um resultado final para este ano, Malaquias prevê que a arrecadação do ano deve cair mais do que os 3% estimados para o PIB. Quanto à aprovação do projeto que reduz a desoneração da folha de pagamento, Malaquias acredita que a política ainda não teve efeito e deverá ter impacto só no ano que vem.

Segundo a Receita, o setor atacadista é um dos que apresentaram maior queda no acumulado do ano. De janeiro a outubro, a arrecadação com o setor apresentou uma queda de R$ 4,148 bilhões.

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