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Restituição antecipada do Imposto de Renda pode esconder armadilha

Economista faz alerta para riscos financeiros de endividamento

Isabela Cardoso
Por
Declaração do Imposto de renda
Declaração do Imposto de renda - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A promessa de dinheiro rápido na conta faz com que muitos contribuintes corram aos bancos para antecipar a restituição do Imposto de Renda. No entanto, o que parece uma facilidade esconde riscos financeiros que podem desequilibrar o orçamento.

O crédito oferecido pelas instituições financeiras funciona como um empréstimo convencional, com
cobrança de taxas que exigem cálculo preciso antes da assinatura do contrato.

Em entrevista ao
portal A TARDE, a professora e mestre em economia, Daniela Cardoso, a operação só faz sentido em situações bastante específicas, principalmente quando o dinheiro for utilizado para quitar uma dívida mais cara.

Quando a antecipação pode compensar

De acordo com a especialista, o principal fator a ser analisado é a diferença entre os juros da dívida atual e os cobrados pelo banco na antecipação da restituição.

"A antecipação da restituição do imposto de renda é uma ótima opção quando isso possibilita a quitação de uma dívida cujos juros são superiores aos juros a serem pagos ao banco que está fazendo a antecipação", explica.

Como exemplo, ela cita um financiamento com juros de 12% ao ano que poderia ser quitado utilizando um empréstimo de antecipação com taxa de 5% ao ano. Nesse caso, a troca reduz o custo financeiro da dívida.

Fora dessa situação, a recomendação é evitar contratar a operação.

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Risco de pagar juros sem necessidade

Para quem não possui dívidas, antecipar a restituição apenas para aumentar o poder de compra costuma ser um mau negócio.

Isso porque o contribuinte passa a pagar juros para receber um dinheiro que já é seu e que seria depositado pela
Receita Federal alguns meses depois.

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Na prática, significa abrir mão de parte da restituição em troca de receber o valor antes do calendário oficial.

Operação pode aumentar o endividamento

Outro alerta é o risco de transformar a antecipação em uma nova dívida.

Segundo Daniela Cardoso, algumas pessoas utilizam o dinheiro antecipado para realizar compras financiadas ou recorrer novamente ao crédito, acumulando diferentes encargos financeiros ao mesmo tempo.

"Num país como o Brasil, onde os juros são altíssimos, principalmente os juros financeiros de cartão de crédito para esse tipo de restituição onde os juros são os maiores, o risco da pessoa ficar inadimplente é grande", afirma.

Atraso na restituição também pesa no bolso

Embora o valor da restituição seja informado na declaração do Imposto de Renda, a data do pagamento depende do calendário divulgado pela Receita Federal.

Caso o depósito ocorra mais tarde do que o esperado pelo contribuinte, quem contratou a antecipação continuará
pagando juros até que a restituição seja efetivamente creditada.

Segundo a economista, esse atraso pode representar um custo financeiro adicional.

O que analisar antes de contratar

Antes de fechar o contrato, a orientação é analisar cuidadosamente as condições oferecidas pela instituição financeira e verificar se a operação realmente representa economia.

A economista reforça que a antecipação só deve ser considerada quando ela
reduzir o custo de uma dívida já existente.

"Você só deve aceitar esse tipo de restrição se você tiver que pagar, quitar uma dívida, cujo os juros que você esteja pagando sejam superiores aos juros que você pagará por essa antecipação", afirma.

Há opções mais vantajosas?

Para Daniela Cardoso, a melhor estratégia continua sendo evitar recorrer ao crédito quando não houver necessidade.

"Se não existe uma dívida cara para quitar, antecipar a restituição apenas para consumir significa pagar juros sem necessidade. O ideal é aguardar o pagamento da Receita e utilizar o recurso quando ele estiver disponível", conclui.

Assim, a recomendação da especialista é que a antecipação da restituição seja encarada como uma ferramenta pontual de reorganização financeira, e não como uma forma de aumentar a renda disponível.

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Tags

economia Educação financeira Imposto de Renda

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