LEVANTAMENTO
Rombo de R$ 79 bilhões no FGTS afeta 50 milhões de trabalhadores
Dados do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador revelam inadimplência patronal


Um levantamento divulgado pelo Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) aponta um passivo acumulado de R$ 79 bilhões em depósitos não realizados de FGTS por cerca de 2 milhões de empresas.
O montante compromete o saldo de aproximadamente 50 milhões de trabalhadores brasileiros.
O estudo foi publicado em setembro de 2026, mês em que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço completa 60 anos de existência.
Composição da dívida e situação das empresas
Do total de R$ 79 bilhões calculados pela entidade:
- R$ 66 bilhões referem-se a débitos de 500 mil empresas inscritas na Dívida Ativa da União.
- O restante corresponde a notificações emitidas pela Caixa Econômica Federal relativas a empregadores inadimplentes.
Segundo o IFGT, 95% das empresas responsáveis pelas irregularidades continuam em atividade econômica. A permanência em atividade indica a possibilidade de cobrança administrativa e judicial dos valores devidos.
Canais de recuperação e fiscalização
A cobrança dos valores devidos à Dívida Ativa da União compete à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). As faturas não recolhidas no prazo legal constituem infração à legislação trabalhista e podem ser contestadas por meio de:
- Consulta eletrônica: verificação periódica do extrato do FGTS no aplicativo oficial da Caixa Econômica Federal.
- Denúncia trabalhista: registro de irregularidades nos canais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou nos sindicatos da categoria.
- Ação judicial: intervenção da Justiça do Trabalho para execução de créditos não repassados.
Impacto nas contas vinculadas
O depósito regular do FGTS equivale a 8% da remuneração paga ou devida ao trabalhador a cada mês. A ausência de repasse reduz o rendimento acumulado da conta vinculada e afeta modalidades de saque, tais como:
- Rescisão sem justa causa
- Aposentadoria
- Saque-aniversário
- Financiamento habitacional


