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Serviços públicos têm reajustes acima da inflação

Publicado segunda-feira, 06 de julho de 2009 às 23:29 h | Atualizado em 07/07/2009, 02:29 | Autor: Donaldson Gomes, do A TARDE
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Os gastos do cidadão brasileiro em despesas como a telefonia, internet ou outras formas de comunicação aumentaram 679% nos últimos 15 anos. O período coincide com a difusão da web no País, mas este, longe de tratar-se de um fenômeno isolado, representa de maneira muito clara o aumento nos custos de produtos e serviços regulados pelo poder público durante o Plano Real – todos bem acima da inflação. A variação do custo vida no País medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 244% neste mesmo período.

Completam o quadro de vilões entre os preços administrados os combustíveis para veículos, plano de saúde, energia elétrica, transporte público e os combustíveis para uso doméstico. De acordo com o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, nos primeiros anos do Real, o governo permitiu aumentos acima da inflação como estratégia para desenvolver os serviços. “A telefonia, por exemplo, que está dentro do item comunicação e aumentou bastante, era completamente ineficiente”, avalia o especialista em custo de vida. Ele lembra que a facilidade no acesso à telefonia coincidiu com a abertura do mercado aos operadores privados. “Com a privatização, hoje todos os brasileiros podem solicitar uma linha. Só que estas estruturas custam caro e precisam da geração de receitas”, explica.

A expectativa do especialista para os próximos anos é que os reajustes sejam cada vez menores. “Os grandes reajustes aconteceram no período inicial”, afirma. Com o passar do tempo, ele acredita que grandes reajustes se tornem cada vez menos necessários. “Mesmo com a realização de novas expansões no serviço, talvez não sejam necessários novos aumentos acima da inflação”, diz ele. Até porque o aparecimento de tecnologias mais baratas
acaba reduzindo a necessidade de utilizar produtos anteriormente indispensáveis. “Nós usávamos o telefone como principal ferramenta de comunicação, mas hoje ele só é buscado para coisas que o e-mail não resolve”, lembra André Braz. “Isso reduz a pressão por novas expansões”, acrescenta.

Sem esta pressão e com a atuação das agências reguladoras, é possível até a eventualidade de reduções de tarifas. No ano passado, houve uma inédita redução na energia cobrada pela Coelba, com queda de 13,89%, conforme determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica. Já em 2009, a agência autorizou um reajuste de 6,03% para o consumidor residencial, mas  que foi inferior à correção do salário mínimo (12,05%) e  da inflação no período.  

Em 2009, os reajustes do combustível com combustíveis domésticos e com o item transporte público foram superiores à inflação. Em 2007 e 2008, todos os itens com preços controlados foram inferiores.

De acordo com a Aneel, a tarifa de energia elétrica varia também de acordo com o consumo. O consumidor residencial, classificado como B1, paga no máximo R$ 0,32 por 1 kwh. Mas esta taxa pode cair para até R$ 0,11 em residências que gastem menos

O reajuste da tarifa é calculado por uma fórmula que considera a inflação medida pelo Índice Geral de Preços ao Consumidor (IGP-M) e custos como a energia comprada de geradoras, encargos de transmissão e encargos setoriais, entre eles o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), Reserva Global de Reversão (RGR), Taxa de Fiscalização, entre outros.

No setor de telefonia, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) utiliza o fator X, que mede os ganhos de eficiência das operadoras e funciona como um redutor no cálculo dos reajustes. No ano passado, a agência determinou a aplicação de 2,92% como fator X.

Economize – Independentemente do percentual de reajuste dado pelo governo, quase sempre é possível pensar em pagar menos, garante o economista e professor de finanças pessoais da Profins, Francis Brode Hesse: “Salvo os consumidores de baixa renda, que vivem no limite, todos tem o que cortar no consumo”.

Segundo ele, o que dificulta a conquista de bons resultados é a falta de um método. “As pessoas precisam saber exatamente o que elas gastam e fazer alvos realistas”, explica. Isso exclui aquelas decisões intempestivas do tipo: cortar de uma hora para outra 50% dos gastos de uma conta. “Assim não dá certo, mas com pequenos ajustes é possível conseguir resultados interessantes”.


Dicas para economizar

Controle gasto - O primeiro passo para reduzir os gastos com tarifas de água, luz ou telefone é saber exatamente o que está sendo consumido pela residência. Se possível procure saber o que é gasto de energia por sua geladeira, o quanto consome de água na lavagem de roupas e as despesas com telefone.

Estabeleça metas - A definição de metas é um dos mais importantes passos. Estabelecer uma meta irrealista, como reduzir de uma hora para outra o consumo em 50%, pode desestimular a família. Por outro lado, pensar em reduzir 10% ao mês durante cinco meses deverá manter todos motivados.

Olhe os detalhes - Uma luz acessa sem necessidade ou uma torneira com vazamentos pode parecer um problema pequeno, mas não é. A redução do tempo de banho no chuveiro elétrico, mais o tempo do ferro de passar, somado com a geladeira da residência bem regulada no dia-a-dia podem promover uma boa economia no fim do mês.

Motive a família - Mostrar às crianças da casa os benefícios da economia pode ser uma boa saída, já que ninguém consegue economizar sozinho. Uma boa dica é aproveitar para conversar sobre a consciência ecológica. Outra é, se possível, estabelecer uma premiação pelo bom comportamento.

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