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Vizinho do Brasil pode se tornar novo petroestado devido guerra no Irã

As receitas petrolíferas da Guiana aumentaram US$ 370 milhões por semana desde o início dos conflitos

Carla Melo
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Imagem ilustrativa - Foto: HELMUT OTTO / Agência Petrobras

A guerra no Oriente Médio, que se aproxima de completar quatro meses, deixou globalmente a economia marcada por inflação, altas no preço dos combustíveis, além de alertas quanto à segurança alimentar em todo o mundo.

Sem muito tempo para esperar os desdobramentos do conflito geopolítico no Oriente Médio, um outro lugar no mundo, vizinho ao Brasil, está ganhando destaques diante do boom econômico extraordinário após a descoberta de imensas reservas de petróleo em 2015

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A Guiana, terceiro menor estado soberano da América do Sul continental, pode se tornar o mais novo petroestado do mundo devido ao aumento planejado da produção e o efeito da alta dos preços do petróleo como consequência da guerra no Irã.

Segundo Sidney Armstrong, professor do Departamento de Economia da Universidade da Guiana ao BBC News, a produção de petróleo bruto do país estava projetada para atingir em dezembro de 2025 em torno de 892.000 barris por dia, enquanto atualmente já ultrapassa 920.000 (e está em tendência de alta).

Números publicados pela revista The Economist indicam que, desde o início da guerra, as receitas petrolíferas da Guiana aumentaram US$ 370 milhões por semana, chegando a US$ 623 milhões.

"Devido aos preços globais mais altos do petróleo, esperamos que as receitas do governo aumentem em US$ 4 bilhões este ano, em comparação com as estimativas do início de 2026", disse Luiz Hayum, analista sênior de exploração e produção da consultoria Wood Mackenzie ao veículo britânico.

Investimentos em petróleo

É esperado que a produção média de petróleo bruto do país atinja cerca de um milhão de barris por dia em 2026, após a expansão da produção planejada para este ano. No entanto, Sidney Armstrong alerta que a maior parte da receita gerada pela produção de petróleo na Guiana não vai para os cofres do país, devido à forma como os contratos de exploração são estruturados.

Assim, 75% do dinheiro é usado pelas empresas petrolíferas para recuperar o investimento. A Guiana, por sua vez, recebe 12,5% de lucro e mais 2% em royalties, totalizando 14,5%.

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Uma vez que as empresas petrolíferas tenham recuperado o investimento inicial, a Guiana receberá 50% dos lucros mais os 2% de royalties.

Desde o início da guerra, o preço do petróleo negociado em todo o mundo tem sido de três dígitos. Em meio às negociações pela paz entre os Estados Unidos e o Irã, o preço do petróleo caiu e voltou a ser negociado abaixo de US$ 100.

O Brent (caiu 6%, para 103,32 dólares o barril, e o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuou 5,8%, para 96,31 dólares por volta das 10h30 (horário de Brasília).

Apesar disso, as oscilações do preço do petróleo criam oportunidades para as empresas petrolíferas recuperarem o investimento está diminuindo.

O governo da Guiana não tem controle irrestrito sobre os recursos que recebe, visto que o país criou um Fundo de Recursos Naturais no qual as receitas do petróleo são depositadas, e uma lei foi aprovada regulamentando quando, como e para que finalidade esses fundos podem ser utilizados.

Em março deste ano, o fundo detinha aproximadamente US$ 3,8 bilhões.

Impactos com a crise global

Apesar do boom do petróleo, a Guiana não está imune aos problemas que a crise do Oriente Médio causou em todo o mundo.

"A realidade é que a inflação aumentou e, consequentemente, o poder de compra real diminuiu", afirma Armstrong.

"As pessoas estão vendo preços mais altos nos postos de gasolina, o que — obviamente — afeta o transporte e as viagens. Portanto, como qualquer outro país integrado ao sistema global, estamos começando a sentir as repercussões negativas decorrentes da situação das cadeias de suprimentos."

"Os preços dos alimentos aumentaram significativamente: cerca de 25% em um curto período. Isso ocorre claramente porque itens como fertilizantes e outros insumos agrícolas estão ficando mais caros. Os recursos necessários para a atividade agrícola estão se tornando mais dispendiosos, então essas repercussões negativas devem ser levadas em consideração", acrescenta.

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