EDUCAÇÃO
Conheça projeto que usa educação para combater bullying em Camaçari
Iniciativa envolve cerca de 512 estudantes da rede municipal


Uma iniciativa desenvolvida no Centro de Educação Municipal de Camaçari (CEMC), na Região Metropolitana de Salvador, tem utilizado atividades educativas e produção de materiais pelos próprios estudantes para combater o bullying e o cyberbullying. Criado há cerca de oito anos pela professora de Língua Inglesa Edite Souza Ramos, o projeto “Bullying e Cyberbullying: Conscientizar para Prevenir e Construir uma Cultura de Respeito” busca transformar a discussão sobre violência escolar em ações práticas de conscientização.
Atualmente, aproximadamente 512 estudantes do turno diurno, com idades entre 10 e 16 anos, participam das atividades. A proposta combina conteúdos teóricos com oficinas nas quais os alunos pesquisam, debatem situações de violência e produzem materiais pedagógicos relacionados ao tema.
Leia Também:
Entre as atividades estão a Árvore do Bem e do Mal, que reúne palavras associadas a atitudes positivas e negativas; o Semáforo do Respeito, que classifica comportamentos em situações que devem ser seguidas, avaliadas ou evitadas; além de cartazes, frases educativas e representações de celulares, computadores e televisores para abordar situações de cyberbullying no ambiente digital.
Segundo Edite, a intenção é fazer com que os estudantes deixem de ser apenas receptores do conteúdo e participem diretamente da construção das atividades. “Mais do que produzir cartazes e trabalhos, o nosso objetivo é construir uma mudança de comportamento”, afirma. Para a professora, a iniciativa busca mostrar que palavras e atitudes têm consequências e que respeito e empatia devem fazer parte da convivência dentro e fora da escola.

Redução de ocorrências
De acordo com a professora, a escola também registrou uma redução nas ocorrências de bullying encaminhadas à coordenação e à direção ao longo do ano letivo. Em março, foram contabilizados 12 casos. Em abril, não houve registros. Em maio, foram 11 ocorrências, enquanto nos meses de junho, julho e agosto houve apenas um caso, segundo os dados repassados à docente pela coordenação.
Edite ressalta, no entanto, que a redução dos registros não significa que o problema tenha sido completamente eliminado. Para ela, o resultado está relacionado ao trabalho desenvolvido com os estudantes e ao acolhimento realizado pela equipe escolar.
O protocolo adotado pela coordenação inclui conversas e orientações com os alunos envolvidos em situações de bullying. A escola também tem percebido reflexos das ações nas reuniões com os pais, que, segundo a professora, relatam mudanças na forma como os filhos abordam questões relacionadas ao respeito, à empatia e ao comportamento nas redes sociais.
Experiência pessoal
A criação do projeto também está relacionada à experiência vivida pela própria professora durante a infância. Edite conta que sofreu bullying quando era estudante, principalmente por ser tímida e ter vindo do interior. Entre as situações enfrentadas, ela relata humilhações, perseguições, apelidos, beliscões e empurrões. A experiência contribuiu para que, anos depois, ela desenvolvesse uma iniciativa voltada à prevenção desse tipo de violência no ambiente escolar.
Após mais de três décadas de atuação na rede municipal de Camaçari e cerca de 14 a 15 anos no CEMC, a professora afirma que percebeu a necessidade de abordar o tema de maneira contínua. O objetivo, segundo ela, é contribuir para uma escola mais segura, humana e comprometida com a cultura de paz.
Além do bullying presencial, o projeto dedica atenção ao cyberbullying, caracterizado por agressões realizadas por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais. As atividades procuram mostrar aos estudantes que comentários ofensivos, exposição indevida de imagens, ameaças e compartilhamento de conteúdos para constranger outras pessoas também podem provocar consequências fora do ambiente virtual.
Para Edite, o trabalho ultrapassa os limites da sala de aula. “Educar também é ensinar a respeitar as diferenças e cuidar uns dos outros”, afirma. A expectativa é que a reflexão construída pelos estudantes alcance também as famílias e a comunidade, ampliando o debate sobre respeito, responsabilidade e convivência.


