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Ensino técnico amplia emprego, salários e acesso à universidade

Pesquisa inédita acompanhou 4,9 milhões de brasileiros e revela vantagens da educação profissional

Vitória Sacramento
Por Vitória Sacramento
Estudo aponta que jovens com ensino técnico têm mais chances de emprego formal,
Estudo aponta que jovens com ensino técnico têm mais chances de emprego formal, - Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Os jovens que cursam o ensino técnico têm mais chances de conseguir um emprego formal, ganhar salários mais altos e seguir para o ensino superior do que aqueles que fazem apenas o ensino médio regular. Os dados são de um estudo inédito do Itaú Educação e Trabalho (IET), que acompanhou a trajetória de cerca de 4,9 milhões de estudantes brasileiros formados em 2014, 2018 e 2022.

A pesquisa, intitulada "Para onde vão os egressos da Educação Profissional e Tecnológica (EPT)? Empregabilidade e acesso ao ensino superior no Brasil", cruzou informações do Censo Escolar, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Censo da Educação Superior para analisar como a formação técnica influencia a vida dos estudantes após a conclusão da educação básica.

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Para medir a qualidade da inserção profissional, os pesquisadores criaram o Índice de Qualidade da Inserção (IQI), que considera fatores como remuneração, vínculo formal de trabalho e complexidade das ocupações exercidas. Também foi desenvolvido o Índice de Trajetória dos Egressos, que relaciona a continuidade dos estudos com a qualidade da inserção no mercado de trabalho.

Os resultados mostram que quem cursou a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) apresenta desempenho superior em todos os períodos analisados. Um ano após a conclusão do ensino médio, o IQI dos egressos da EPT foi de 0,58, contra 0,46 entre aqueles que fizeram apenas o ensino médio regular. Cinco anos depois, os índices passaram para 0,65 e 0,54, respectivamente. Após nove anos, a diferença permanece: 0,69 para os egressos da EPT e 0,61 para os demais estudantes.

Estudo destaca o perfil mais qualificado dos egressos da Educação Profissional.
Estudo destaca o perfil mais qualificado dos egressos da Educação Profissional. - Foto: Divulgação

Ensino técnico aumenta chances de emprego formal

A pesquisa também revela que a formação técnica aumenta significativamente as chances de conseguir um emprego com carteira assinada. Em 2022, 66,7% dos concluintes do ensino técnico subsequente estavam inseridos no mercado formal de trabalho. Entre os estudantes do ensino médio paralelo à EPT, esse percentual foi de 57,1%. Já entre aqueles que concluíram apenas o ensino médio regular, a taxa foi de 37,1%.

Além da empregabilidade, a EPT também favorece a continuidade dos estudos. O levantamento aponta que 54,1% dos estudantes do ensino médio integrado à educação profissional ingressaram no ensino superior. Na modalidade simultânea, o percentual foi de 42,7%, enquanto entre os concluintes do ensino médio regular a taxa ficou em 39,1%.

Na avaliação da superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Silvana Oliveira, os dados mostram que a formação técnica amplia as oportunidades dos jovens tanto no mercado de trabalho quanto na educação.

"Os resultados mostram que a Educação Profissional e Tecnológica não apenas amplia as oportunidades de inserção qualificada no mundo do trabalho, como também favorece a continuidade dos estudos. Ao combinar formação para o trabalho e ampliação das oportunidades educacionais, a EPT se consolida como uma estratégia relevante para ampliar perspectivas de futuro para as juventudes brasileiras".

Remuneração é maior entre quem fez ensino técnico

Outro destaque do estudo é a renda dos trabalhadores. Os maiores salários foram registrados entre os egressos do ensino técnico subsequente, com remuneração média de R$ 3,1 mil, seguidos pelos estudantes da modalidade concomitante, com R$ 2,8 mil. Já quem concluiu apenas o ensino médio regular recebe, em média, R$ 2,1 mil.

Os pesquisadores também identificaram desigualdades de gênero e raça. Embora as mulheres apresentem maior taxa de ingresso no ensino superior, elas recebem salários menores do que os homens. As menores remunerações foram observadas entre mulheres autodeclaradas pretas, pardas e indígenas, cuja média salarial é de R$ 1,95 mil.

Mulheres têm maior acesso ao ensino superior, mas seguem com salários inferiores aos dos homens.
Mulheres têm maior acesso ao ensino superior, mas seguem com salários inferiores aos dos homens. - Foto: Divulgação

Bahia acompanha tendência nacional

Na Bahia, os indicadores também mostram vantagens para quem cursou a EPT. O Índice de Qualidade da Inserção alcançou 0,60 entre os egressos da EPT, contra 0,51 para aqueles que não fizeram ensino técnico. O Índice de Trajetória dos Egressos foi de 0,52 entre os estudantes da EPT e 0,45 entre os demais. Já o Índice RTI chegou a 0,64, enquanto os alunos sem formação técnica registraram 0,57.

No acesso ao ensino superior, os resultados foram semelhantes, mas ainda favoráveis à educação profissional: 28% dos estudantes que cursaram a EPT ingressaram na universidade, contra 27% entre aqueles que concluíram apenas o ensino médio regular.

A diferença mais significativa aparece na remuneração. Os trabalhadores baianos que fizeram ensino técnico recebem, em média, R$ 2,4 mil por mês, enquanto aqueles sem formação profissional têm rendimento médio de R$ 1,9 mil, uma diferença de aproximadamente 26%.

Painel apresenta indicadores que mostram melhor desempenho dos egressos do ensino técnico na Bahia em empregabilidade, renda e acesso ao ensino superior.
Painel apresenta indicadores que mostram melhor desempenho dos egressos do ensino técnico na Bahia em empregabilidade, renda e acesso ao ensino superior. - Foto: Divulgação

No recorte regional, o Nordeste apresenta remuneração média de R$ 2 mil entre os egressos da EPT. Entre os eixos tecnológicos, os maiores salários foram registrados nos cursos de Controle e Processos Industriais, com média de R$ 3,1 mil, enquanto áreas como Turismo, Hospitalidade e Lazer aparecem entre as de menor remuneração, com cerca de R$ 2 mil.

O estudo conclui que, embora persistam desigualdades sociais e regionais, a Educação Profissional e Tecnológica tem se mostrado uma estratégia eficaz para ampliar as oportunidades de emprego, elevar a renda e facilitar o acesso ao ensino superior, fortalecendo seu papel como política pública voltada à inclusão produtiva e ao desenvolvimento dos jovens brasileiros.

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