EDUCAÇÃO
Ensino técnico amplia emprego, salários e acesso à universidade
Pesquisa inédita acompanhou 4,9 milhões de brasileiros e revela vantagens da educação profissional


Os jovens que cursam o ensino técnico têm mais chances de conseguir um emprego formal, ganhar salários mais altos e seguir para o ensino superior do que aqueles que fazem apenas o ensino médio regular. Os dados são de um estudo inédito do Itaú Educação e Trabalho (IET), que acompanhou a trajetória de cerca de 4,9 milhões de estudantes brasileiros formados em 2014, 2018 e 2022.
A pesquisa, intitulada "Para onde vão os egressos da Educação Profissional e Tecnológica (EPT)? Empregabilidade e acesso ao ensino superior no Brasil", cruzou informações do Censo Escolar, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Censo da Educação Superior para analisar como a formação técnica influencia a vida dos estudantes após a conclusão da educação básica.
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Para medir a qualidade da inserção profissional, os pesquisadores criaram o Índice de Qualidade da Inserção (IQI), que considera fatores como remuneração, vínculo formal de trabalho e complexidade das ocupações exercidas. Também foi desenvolvido o Índice de Trajetória dos Egressos, que relaciona a continuidade dos estudos com a qualidade da inserção no mercado de trabalho.
Os resultados mostram que quem cursou a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) apresenta desempenho superior em todos os períodos analisados. Um ano após a conclusão do ensino médio, o IQI dos egressos da EPT foi de 0,58, contra 0,46 entre aqueles que fizeram apenas o ensino médio regular. Cinco anos depois, os índices passaram para 0,65 e 0,54, respectivamente. Após nove anos, a diferença permanece: 0,69 para os egressos da EPT e 0,61 para os demais estudantes.

Ensino técnico aumenta chances de emprego formal
A pesquisa também revela que a formação técnica aumenta significativamente as chances de conseguir um emprego com carteira assinada. Em 2022, 66,7% dos concluintes do ensino técnico subsequente estavam inseridos no mercado formal de trabalho. Entre os estudantes do ensino médio paralelo à EPT, esse percentual foi de 57,1%. Já entre aqueles que concluíram apenas o ensino médio regular, a taxa foi de 37,1%.
Além da empregabilidade, a EPT também favorece a continuidade dos estudos. O levantamento aponta que 54,1% dos estudantes do ensino médio integrado à educação profissional ingressaram no ensino superior. Na modalidade simultânea, o percentual foi de 42,7%, enquanto entre os concluintes do ensino médio regular a taxa ficou em 39,1%.
Na avaliação da superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Silvana Oliveira, os dados mostram que a formação técnica amplia as oportunidades dos jovens tanto no mercado de trabalho quanto na educação.
"Os resultados mostram que a Educação Profissional e Tecnológica não apenas amplia as oportunidades de inserção qualificada no mundo do trabalho, como também favorece a continuidade dos estudos. Ao combinar formação para o trabalho e ampliação das oportunidades educacionais, a EPT se consolida como uma estratégia relevante para ampliar perspectivas de futuro para as juventudes brasileiras".
Remuneração é maior entre quem fez ensino técnico
Outro destaque do estudo é a renda dos trabalhadores. Os maiores salários foram registrados entre os egressos do ensino técnico subsequente, com remuneração média de R$ 3,1 mil, seguidos pelos estudantes da modalidade concomitante, com R$ 2,8 mil. Já quem concluiu apenas o ensino médio regular recebe, em média, R$ 2,1 mil.
Os pesquisadores também identificaram desigualdades de gênero e raça. Embora as mulheres apresentem maior taxa de ingresso no ensino superior, elas recebem salários menores do que os homens. As menores remunerações foram observadas entre mulheres autodeclaradas pretas, pardas e indígenas, cuja média salarial é de R$ 1,95 mil.

Bahia acompanha tendência nacional
Na Bahia, os indicadores também mostram vantagens para quem cursou a EPT. O Índice de Qualidade da Inserção alcançou 0,60 entre os egressos da EPT, contra 0,51 para aqueles que não fizeram ensino técnico. O Índice de Trajetória dos Egressos foi de 0,52 entre os estudantes da EPT e 0,45 entre os demais. Já o Índice RTI chegou a 0,64, enquanto os alunos sem formação técnica registraram 0,57.
No acesso ao ensino superior, os resultados foram semelhantes, mas ainda favoráveis à educação profissional: 28% dos estudantes que cursaram a EPT ingressaram na universidade, contra 27% entre aqueles que concluíram apenas o ensino médio regular.
A diferença mais significativa aparece na remuneração. Os trabalhadores baianos que fizeram ensino técnico recebem, em média, R$ 2,4 mil por mês, enquanto aqueles sem formação profissional têm rendimento médio de R$ 1,9 mil, uma diferença de aproximadamente 26%.

No recorte regional, o Nordeste apresenta remuneração média de R$ 2 mil entre os egressos da EPT. Entre os eixos tecnológicos, os maiores salários foram registrados nos cursos de Controle e Processos Industriais, com média de R$ 3,1 mil, enquanto áreas como Turismo, Hospitalidade e Lazer aparecem entre as de menor remuneração, com cerca de R$ 2 mil.
O estudo conclui que, embora persistam desigualdades sociais e regionais, a Educação Profissional e Tecnológica tem se mostrado uma estratégia eficaz para ampliar as oportunidades de emprego, elevar a renda e facilitar o acesso ao ensino superior, fortalecendo seu papel como política pública voltada à inclusão produtiva e ao desenvolvimento dos jovens brasileiros.


