EDUCAÇÃO
Formatura celebra alfabetização de idosos em Alagoinhas
Programa Brasil Alfabetizado certifica 34 estudantes após ciclo de aprendizagem


"Agora eu já leio, já escrevo, leio livros. É uma virada de chave na minha vida." A frase de Marta Valdelice Pereira, de 71 anos, resume a emoção que tomou conta da cerimônia de formatura de 34 adultos e idosos alfabetizados pelo Programa Brasil Alfabetizado (PBA), realizada na noite de terça-feira, 4, em Alagoinhas, município do agreste baiano.
Depois de uma vida inteira sem frequentar a escola, Marta viu o sonho de aprender a ler e escrever se tornar realidade. Como muitas pessoas de sua geração, ela começou a trabalhar ainda na infância e precisou deixar os estudos de lado. Décadas depois, voltou à sala de aula e descobriu uma nova autonomia. "Agora eu já leio, já escrevo, leio livros. É uma virada de chave na minha vida", contou.
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Ela é uma das 34 formandas das quatro turmas implantadas nos bairros Buri, Nova República, Novo Horizonte e Santa Terezinha. A iniciativa integra o Programa Brasil Alfabetizado, voltado a pessoas que não tiveram acesso à alfabetização na idade adequada e que agora podem dar continuidade aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A cerimônia reuniu familiares, professores e representantes de instituições ligadas à educação e ao bem-estar social. Além da entrega de certificados, o evento celebrou histórias marcadas pela persistência e pelo desejo de conquistar um direito negado durante a infância.
Entre elas está a de Maria Alaíde dos Santos, de 62 anos. Ela lembra que iniciou as aulas com receio, mas afirma que o aprendizado transformou sua maneira de enxergar a vida. "Hoje minha mente está outra. Sou muito grata a Deus e a esse projeto, que foi até o nosso bairro para ajudar pessoas como eu. Espero que ele continue e alcance ainda mais comunidades", disse.
Aos 63 anos, Maria José da Silva também vê a alfabetização como um ponto de partida. Além de aprender a ler e escrever, ela comemora os primeiros passos na matemática. "Aprendi a ler, escrever e somar. Gostaria que esse projeto não parasse, porque ainda tem muita gente precisando dessa oportunidade", afirmou.
A emoção também marcou o discurso de Jocileide Barbosa Andrade, de 54 anos. Ela interrompeu os estudos para cuidar da família e, ao retornar à sala de aula, reencontrou conhecimentos que julgava perdidos. "Quando voltei, relembrei as letrinhas, aprendi outras. Hoje consigo ir para qualquer lugar, tudo muda", relatou.
Por trás dessas conquistas está o trabalho de educadores que decidiram aproximar a escola da comunidade. Professora de uma das turmas do bairro Novo Horizonte, Jaciara Alves dos Santos transformou a garagem de casa em sala de aula para receber 15 mulheres da vizinhança.
"Algumas não sabiam nem assinar o próprio nome. Hoje já trocaram os documentos e passaram a assinar em vez de colocar a digital. Isso é muito gratificante. Sempre dizia para elas que nunca é tarde para aprender e que, enquanto há vida, há esperança", contou.
Segundo a gerente da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal, Rita Rezende, esta foi a primeira edição do Programa Brasil Alfabetizado em dez anos no município. As turmas foram implantadas em comunidades rurais e bairros periféricos para ampliar o acesso à alfabetização e permitir que os participantes prossigam na Educação de Jovens e Adultos.
Para muitos dos novos alfabetizados, a cerimônia representou apenas o início de uma nova etapa. Depois de décadas convivendo com limitações impostas pelo analfabetismo, eles deixam a sala de aula com novos planos, maior autonomia e a expectativa de continuar estudando. Afinal, como repetia a professora Jaciara durante as aulas, "nunca é tarde para aprender".


