Busca interna do iBahia
HOME > EDUCAÇÃO

EDUCAÇÃO

Formatura celebra alfabetização de idosos em Alagoinhas

Programa Brasil Alfabetizado certifica 34 estudantes após ciclo de aprendizagem

Vitória Sacramento
Por Vitória Sacramento
Cerimônia marca um novo começo para quem passou décadas sem conseguir ler ou escrever
Cerimônia marca um novo começo para quem passou décadas sem conseguir ler ou escrever - Foto: Divulgação | Prefeitura de Alagoinhas

"Agora eu já leio, já escrevo, leio livros. É uma virada de chave na minha vida." A frase de Marta Valdelice Pereira, de 71 anos, resume a emoção que tomou conta da cerimônia de formatura de 34 adultos e idosos alfabetizados pelo Programa Brasil Alfabetizado (PBA), realizada na noite de terça-feira, 4, em Alagoinhas, município do agreste baiano.

Depois de uma vida inteira sem frequentar a escola, Marta viu o sonho de aprender a ler e escrever se tornar realidade. Como muitas pessoas de sua geração, ela começou a trabalhar ainda na infância e precisou deixar os estudos de lado. Décadas depois, voltou à sala de aula e descobriu uma nova autonomia. "Agora eu já leio, já escrevo, leio livros. É uma virada de chave na minha vida", contou.

Tudo sobre Educação em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

EDUCAÇÃO

Ideb atinge maior índice em 20 anos; Bahia acompanha crescimento
Ideb atinge maior índice em 20 anos; Bahia acompanha crescimento imagem

EDUCAÇÃO

Salvador vai pagar R$ 93 milhões em precatórios do Fundef
Salvador vai pagar R$ 93 milhões em precatórios do Fundef imagem

EDUCAÇÃO

Oficinas unem quadrinhos e educação financeira em Salvador
Oficinas unem quadrinhos e educação financeira em Salvador imagem

Ela é uma das 34 formandas das quatro turmas implantadas nos bairros Buri, Nova República, Novo Horizonte e Santa Terezinha. A iniciativa integra o Programa Brasil Alfabetizado, voltado a pessoas que não tiveram acesso à alfabetização na idade adequada e que agora podem dar continuidade aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A cerimônia reuniu familiares, professores e representantes de instituições ligadas à educação e ao bem-estar social. Além da entrega de certificados, o evento celebrou histórias marcadas pela persistência e pelo desejo de conquistar um direito negado durante a infância.

Entre elas está a de Maria Alaíde dos Santos, de 62 anos. Ela lembra que iniciou as aulas com receio, mas afirma que o aprendizado transformou sua maneira de enxergar a vida. "Hoje minha mente está outra. Sou muito grata a Deus e a esse projeto, que foi até o nosso bairro para ajudar pessoas como eu. Espero que ele continue e alcance ainda mais comunidades", disse.

Aos 63 anos, Maria José da Silva também vê a alfabetização como um ponto de partida. Além de aprender a ler e escrever, ela comemora os primeiros passos na matemática. "Aprendi a ler, escrever e somar. Gostaria que esse projeto não parasse, porque ainda tem muita gente precisando dessa oportunidade", afirmou.

A emoção também marcou o discurso de Jocileide Barbosa Andrade, de 54 anos. Ela interrompeu os estudos para cuidar da família e, ao retornar à sala de aula, reencontrou conhecimentos que julgava perdidos. "Quando voltei, relembrei as letrinhas, aprendi outras. Hoje consigo ir para qualquer lugar, tudo muda", relatou.

Por trás dessas conquistas está o trabalho de educadores que decidiram aproximar a escola da comunidade. Professora de uma das turmas do bairro Novo Horizonte, Jaciara Alves dos Santos transformou a garagem de casa em sala de aula para receber 15 mulheres da vizinhança.

"Algumas não sabiam nem assinar o próprio nome. Hoje já trocaram os documentos e passaram a assinar em vez de colocar a digital. Isso é muito gratificante. Sempre dizia para elas que nunca é tarde para aprender e que, enquanto há vida, há esperança", contou.

Segundo a gerente da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal, Rita Rezende, esta foi a primeira edição do Programa Brasil Alfabetizado em dez anos no município. As turmas foram implantadas em comunidades rurais e bairros periféricos para ampliar o acesso à alfabetização e permitir que os participantes prossigam na Educação de Jovens e Adultos.

Para muitos dos novos alfabetizados, a cerimônia representou apenas o início de uma nova etapa. Depois de décadas convivendo com limitações impostas pelo analfabetismo, eles deixam a sala de aula com novos planos, maior autonomia e a expectativa de continuar estudando. Afinal, como repetia a professora Jaciara durante as aulas, "nunca é tarde para aprender".

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Alagoinhas Bahia Educação eja

Relacionadas

Mais lidas