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Damico vê "drama" na Educação e cobra pagamento de piso salarial

Professor, candidato do PCB fez sugestões de mudanças para a Educação pública

Lula Bonfim
Por Lula Bonfim
Damico é professor do sexto ano da rede pública estadual
Damico é professor do sexto ano da rede pública estadual - Foto: Denisse Salazar | Ag. A TARDE

O candidato do PCB à prefeitura de Salvador, Giovani Damico, durante entrevista nesta sexta-feira, 16, ao programa Isso é Bahia, da Rádio A TARDE FM, avaliou como dramática a situação da Educação pública na cidade. Segundo ele, o sistema educacional local sofre com a evasão escolar e com o aumento dos índices de analfabetismo.

Professor de Geografia do sexto ano da rede estadual de ensino, o comunista afirmou que vê, com o passar da temporada de aulas, seus alunos abandonarem a escola, diminuindo as turmas a cada série.

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“A gente vive um drama considerável na educação, que começa na educação municipal, mas invade até o ensino médio. E tem alguns pontos que eu acho que a gente vai precisar de uma confrontação mais imediata”, declarou Damico.

“Quando você compara a entrada de alunos e quantos deles frequentam e vão até o final do ano — isso já no sexto ano ainda, muito novos —, a gente já começa a ver um indicador de evasão, de abandono da escola. Se você compara o sexto com o sétimo, o sétimo com o oitavo, assim por diante, você vai vendo como as escolas vão tendo cada vez mais alunos abandonando. Então, primeiro, a gente tem um problema grave de evasão”, avaliou o comunista.

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Para Damico, é um erro a retirada das disciplinas de Artes e de Educação Física no currículo municipal. Além disso, o candidato acredita que as salas possuem muito mais alunos do que o ideal, prejudicando o trabalho dos professores e também o aprendizado.

“As estratégias que estão sendo implementadas são muito ruins. A gente tem fechado disciplinas importantes, como Artes e Educação Física, na educação infantil, que permitem estar acessando na escola ferramentas lúdicas, trabalhando concentração e várias outras capacidades e competências do aluno. Isso se junta com salas de aulas hiperlotadas. Então a gente está sempre insistindo que a gente vai precisar reduzir o número de alunos por sala de aula”, afirmou o candidato do PCB.

Ainda de acordo com Damico, com a queda dos índices de alfabetização na cidade, a prefeitura de Salvador deveria apostar ainda mais na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Porém, segundo ele, tem ocorrido o inverso.

“Salvador volta a despontar nos indicadores de analfabetismo. Qual é a resposta do poder público? A gente tem fechado a Educação de Jovens e Adultos, muitas turmas de EJA, especialmente as do noturno. Ela tem algumas atribuições, mas uma delas é o foco de trabalhar com alunos que estão fora da idade de alfabetização. Ou que passaram pela alfabetização, mas com problemas ainda graves na escrita, que a gente chama de analfabetismo funcional”, lamentou o professor.

“Não só no EJA. A gente percebe até na Educação regular. Alunos saindo do Fundamental I, indo para o sexto e para o sétimo ano, ainda com problemas muito graves de escrita e leitura. E a gente não tem tido nenhuma estratégia para lidar com isso”, acrescentou.

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Damico ainda criticou o não pagamento do piso nacional do magistério em Salvador. Segundo ele, a gestão municipal tem usado bonificações para completar o valor. Entretanto, isso acaba prejudicando os valores das aposentadorias dos professores.

“Isso tudo se soma a um quadro docente cada vez mais desmotivado, adoecido. A prefeitura não paga o piso. Isso é importante que se diga. Ela até simula com algumas bonificações, como se pagasse o piso. Mas, se o professor se aposentar, a maioria deles não tem garantido o piso nacional do magistério, que é uma lei federal”, concluiu.

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