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Eleitores com mais de 70 anos ampliam participação nas eleições de 2026

Pela primeira vez entre os dois pleitos comparados, mais da metade dos brasileiros com 70 anos votou

Luan Julião
Por
Número de votantes nessa faixa etária saltou de 6,1 milhões em 2022 para 8,8 milhões no primeiro turno deste ano
Número de votantes nessa faixa etária saltou de 6,1 milhões em 2022 para 8,8 milhões no primeiro turno deste ano - Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Eleições 2026

O número de brasileiros com 70 anos ou mais que foram às urnas aumentou em aproximadamente 2,6 milhões no primeiro turno das eleições de 2026, na comparação com 2022. O avanço ocorreu mesmo com a expansão do eleitorado dessa faixa etária e foi acompanhado pela redução da abstenção, que passou de 58,8% para 49,1%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O contingente de pessoas aptas a votar nessa faixa etária subiu de 14,9 milhões para 17,2 milhões em quatro anos. Já a estimativa de comparecimento avançou de 6,1 milhões para 8,8 milhões. Com o resultado, mais da metade dos eleitores com 70 anos ou mais participou da votação pela primeira vez entre os dois pleitos analisados.

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O cenário é acompanhado pelo Movimento Voto 70+, iniciativa da sociedade civil que busca ampliar a presença da população idosa nas decisões políticas. Lançada em abril deste ano, a mobilização tem caráter apartidário e reúne instituições, empresas e organizações em ações voltadas à participação eleitoral desse público.

A campanha foi dividida em etapas. Inicialmente, o foco esteve na regularização dos títulos eleitorais. Depois, o movimento apresentou dois mapeamentos inéditos: um sobre o perfil dos brasileiros com mais de 70 anos que não comparecem às urnas e outro sobre as iniciativas da Justiça Eleitoral relacionadas ao programa Seu Voto Importa.

Para a idealizadora do movimento, Cléa Klouri, os números refletem a importância de reconhecer o papel dos idosos na democracia. “O crescimento da participação dos brasileiros com mais de 70 anos é um sinal de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política. Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro. A repercussão da campanha também mostrou que existe espaço para ampliar o debate sobre o combate ao etarismo e reconhecer o eleitorado mais velho como parte fundamental da democracia brasileira”, pontua.

Mulheres idosas enfrentam obstáculos para votar

A dificuldade de acesso às urnas também é abordada pela campanha Vovó Vota, que terá maior mobilização durante o segundo turno. A iniciativa digital pretende aproximar netas e avós e incentivar a participação das mulheres com mais de 70 anos.

Levantamento reunido pelo data8 indica que, em 2022, 64% das eleitoras dessa faixa etária não votaram. O índice foi dez pontos percentuais superior ao registrado entre os homens com a mesma idade.

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A campanha busca enfrentar fatores que podem contribuir para a ausência dessas eleitoras, como limitações de mobilidade, falta de redes de apoio e desestímulo familiar. Para isso, disponibiliza um guia digital com orientações para organizar o deslocamento até a seção eleitoral, conferir documentos e acompanhar as mulheres que desejam votar. A proposta também incentiva que avós e netas compartilhem a experiência, preservando a autonomia das eleitoras mais velhas e fortalecendo os vínculos entre gerações.

Mobilização continua no segundo turno

Além das ações voltadas às mulheres, o Movimento Voto 70+ manterá a campanha nacional durante a próxima etapa da votação. A iniciativa pretende ampliar o debate sobre as barreiras que afastam os idosos do processo eleitoral, incluindo o etarismo e as dificuldades de deslocamento.

Outro ponto destacado pelo movimento é a possibilidade de o registro de comparecimento às urnas ser utilizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Prova de Vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais.

O mecanismo abrange cerca de 40 milhões de benefícios ativos. O registro eleitoral pode servir para confirmar que o beneficiário está vivo, dispensando o deslocamento a uma agência bancária ou unidade de atendimento exclusivamente para essa finalidade.

A relação entre os registros eleitorais e a comprovação de vida já foi observada em 2024. Naquele ano, foram registrados eventos eleitorais relacionados a 20,95 milhões de beneficiários, que contribuíram para a atualização de aproximadamente 5 milhões de Provas de Vida. Em 2026, a possibilidade também contempla quem não compareceu no primeiro turno.

Cléa Klouri ressalta que a presença desse grupo pode ter relevância no resultado das disputas eleitorais, sobretudo quando a diferença entre candidatos é pequena. “A participação de parcela do eleitorado tem relevância, especialmente quando a diferença de votos entre os candidatos é pequena. Os brasileiros com mais de 70 anos representam uma população crescente, mas ainda enfrentam barreiras para exercer o direito ao voto. Nossa campanha busca mostrar que a participação política não tem prazo de validade e que o envelhecimento não pode significar o afastamento das decisões sobre o futuro do país”, afirma.

A cofundadora do data8 também aponta a necessidade de superar a exclusão de pessoas mais velhas dos espaços de decisão. “Estamos diante de uma contradição importante: nunca tivemos tantas pessoas vivendo mais, com mais experiência e capacidade de contribuição e, ao mesmo tempo, uma parcela significativa desse grupo permanece fora das decisões. A maior geração da história não pode seguir à margem da democracia”, afirma Cléa Klouri, cofundadora do data8 e uma das lideranças da iniciativa ao lado de Adriana de Queiroz.

Sobre o Movimento Voto 70+

Liderado pelo hub de dados estratégicos data8, o Movimento Voto 70+ é uma iniciativa cívica e apartidária que busca ampliar a participação e a representatividade dos brasileiros com 70 anos ou mais. O trabalho envolve pesquisas, levantamentos, campanhas e articulação com empresas, instituições e organizações da sociedade civil.

Entre os objetivos estão identificar obstáculos ao exercício do voto, compreender o comportamento eleitoral desse público e desenvolver ações que contribuam para sua participação nas decisões coletivas.

Sobre o data8

Fundado em 2016, o data8 atua com pesquisa, inteligência de mercado e inovação relacionadas à longevidade. O hub desenvolve estudos sobre comportamento, consumo e tendências da população com mais de 50 anos, com o objetivo de apoiar organizações na transição para a Economia Prateada.

A organização tem como missão contribuir para uma sociedade longeva mais inclusiva e próspera.

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democracia brasileira direitos dos idosos público idoso

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