EM PAUTA
"Cada real gasto pelo visitante transborda para outros setores", diz secretário de Camaçari
Confira entrevista com o secretário de Turismo de Camaçari, Patrício Moura


A redução da sazonalidade do turismo em Camaçari é parte do planejamento da Secretaria Municipal de Turismo, a partir de pesquisas de opinião com o objetivo de nortear os eventos que trabalham a inclusão e o pertencimento na população. Este e outros assuntos, como os eventos voltados a atrair turistas e o que representam para a economia local foram abordados pelo secretário de Turismo de Camaçari, Patrício Moura.
Confira a entrevista completa
Qual a contribuição da Prefeitura de Camaçari visando a redução da sazonalidade do turismo?
A prefeitura, através da Secretaria Municipal de Turismo, tem feito um planejamento que inclui a realização de pesquisas de opinião para nortear os eventos que trabalham a inclusão e o pertencimento na população, para que se sintam representadas nos eventos, na cultura e na geração de emprego e renda.
A ausência de dados para que pudéssemos planejar os eventos, foi um grande limitador. Porém, na nossa gestão, estamos promovendo escuta, planejamento e formação de um banco de dados para profissionalização. A gestão do turismo e da cultura, por meio do calendário de eventos, desempenha um papel estratégico na dinamização econômica do município.
Qual o impacto econômico e cultural do turismo em Camaçari?
Cada real gasto pelo visitante em hospedagem ou alimentação transborda para outros setores da economia local, beneficiando a rede abastecedora, como distribuidoras de bebidas, hortifrúti, panificação, lavanderias e serviços de manutenção, atém de estimular feiras culturais e circuitos gastronômicos vinculados aos eventos que funcionam como vitrines para a venda direta de artesanato local, produtos alimentícios regionais e souvenir, valorizando a produção.
A estrutura que envolve festas e eventos impulsiona diretamente setores de hospedagem, gastronomia, transporte e comércio local, bem como fornecedores de cenografia, iluminação, segurança privada, serviços de limpeza, receptivo e produção artística local, gerando empregos diretos e indiretos. Ao integrar tradição e modernidade, as festas impulsionam as raízes locais, os blocos de rua, os grupos folclóricos e o artesanato. A entrada dessas divisas fortalece a arrecadação municipal e dinamiza a economia regional.
Que eventos a Secretaria de Turismo de Camaçari promove, ao longo do ano?
Temos captado eventos que atuam de forma direta no combate à sazonalidade turística a partir de um calendário cultural. Esses eventos estimulam os turismos de sol e mar, de aventura, religioso, rural, de negócios, de experiência e de esporte, a exemplo da 1ª Copa Mundial de Moto Aquática “Jet Wave World Cup”, que aconteceu em maio, na Praia de Guarajuba, reunindo 31 pilotos de 11 países, apresentando Camaçari para o mundo.
Na alta estação, temos os festejos da orla e as lavagens tradicionais, com ciclo de festas populares que ocorrem no mês de janeiro, nas localidades de Guarajuba, Monte Gordo, Vila de Abrantes e Jauá, além da Festa de Iemanjá, em 2 de fevereiro, idealizado por Dona Lindaura há 54 anos, e o Presente de Iemanjá, em Arembepe. Em março, tem o Festival de Arembepe, marcando o encerramento oficial do ciclo de festas populares do verão baiano. E, em junho, o Camaforró atrai público de diversos municípios baianos e estimula o comércio formal e informal, a gastronomia típica e a valorização de artistas locais e nacionais do forró e sertanejo.
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O que esses eventos representam para o município?
Representam inclusão social, possibilidade de ganho efetivo para as pessoas excluídas do mercado formal de trabalho. Também, geram renda e ganho efetivo para os segmentos formalizados, além de empregos diretos e indiretos.
O impacto reflete em diversos indicadores socioeconômicos dos municípios, como aumento da arrecadação fiscal, já que o fluxo contínuo de visitantes eleva a receita de impostos diretos e indiretos, especialmente o ISS (Imposto Sobre Serviços) recolhido sobre hospedagem, eventos, transporte e entretenimento, além de incrementar o ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) no comércio local.
A circulação de capital externo também amplia o faturamento do micro e pequenos empresários, além de trabalhadores informais, como ambulantes e feirantes, multiplicando o poder de compra da população local.
Quantos empregos Camaçari gera no setor turístico?
A montagem de estruturas, contratação de segurança, serviços de limpeza, cenografia e produção artística geram postos diretos e indiretos de trabalho. Segundo levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), em 2025, dados sobre empregos formais nos setores de ACT (Atividades Características do Turismo), que englobam alojamento, alimentação, transporte terrestre/aquaviário e agências de viagens, apontam que Camaçari gerou de 12 mil a 15 mil empregos diretos no setor turístico e de eventos na região. Estimam-se entre 25 mil e 35 mil empregos indiretos foram impulsionados pela cadeia de suprimentos local.
Em relação à ocupação hoteleira, que ganhos o turismo traz para Camaçari?
No período do Camaforró, por exemplo, a taxa de ocupação da rede hoteleira na sede do município chegou a 90%. Camaçari conta com mais de 4.200 leitos/meios de hospedagem cadastrados, entre resorts de grande porte, hotéis, pousadas e imóveis de temporada/Airbnb, gerando postos para camareiras, recepcionistas, gestores e manutenção. Ao distribuir grandes eventos ao longo de meses de média e baixa temporada, como o Festival de Arembepe em março, e o próprio Camaforró, em junho, a gestão municipal se preocupa com a longevidade dos negócios.


