EMPREGOS & NEGÓCIOS
Funcionários estão evitando virar gestores? Entenda impacto disso no futuro
Assumir uma equipe costuma trazer novas responsabilidades


Crescer profissionalmente, ganhar mais e conquistar melhores benefícios ainda estão entre os principais objetivos de quem está no mercado de trabalho.
No entanto, para uma parcela cada vez maior dos profissionais, alcançar esse crescimento não significa necessariamente assumir uma posição de chefia.
Uma pesquisa global da consultoria Deloitte, realizada em 2025, mostra essa mudança de perspectiva. Apenas 6% dos entrevistados da Geração Z e dos millennials afirmaram que chegar a uma posição de liderança era seu principal objetivo profissional.
Mais responsabilidade nem sempre significa vantagem
Para Abidjan Rosa, empresária, estrategista de negócios e especialista na construção e expansão de negócios, a mudança está relacionada à forma como os profissionais passaram a avaliar o custo de uma promoção.
“Durante muito tempo, crescer profissionalmente significava quase obrigatoriamente assumir um cargo de liderança. Hoje, muitos profissionais estão fazendo uma conta mais ampla: quanto eu vou ganhar, o que eu vou precisar entregar, qual será o nível de responsabilidade e quanto isso vai custar para a minha vida?”, explica.

Segundo ela, o profissional continua interessado em crescimento, reconhecimento e melhores salários, mas passou a avaliar com mais cuidado o que terá de abrir mão para chegar a uma posição de gestão.
Chefia significa mais pressão?
Assumir uma equipe costuma trazer novas responsabilidades. Além de responder pelos próprios resultados, o gestor também passa a lidar com metas coletivas, conflitos, reuniões e decisões que envolvem outros profissionais.
Para Abidjan, o problema aparece quando esse aumento de responsabilidades não é acompanhado por uma remuneração compatível e pelas condições necessárias para exercer a função.
“Se eu assumo uma equipe, passo a responder por resultados que não dependem exclusivamente de mim, tenho mais reuniões, mais conflitos para administrar, mais pressão e disponibilidade exigida, mas a diferença financeira é pequena, naturalmente vou questionar se vale a pena”, afirma.
Nesse cenário, o título de gestor perde parte do poder de atração. A promoção passa a ser analisada não apenas pelo status, mas pelo impacto na carreira, na renda e na vida pessoal.
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Jovens estão mudando a ideia de sucesso
A relação das gerações mais jovens com o trabalho também ajuda a explicar esse comportamento. De acordo com a especialista, autonomia, flexibilidade, tempo livre e qualidade de vida ganharam peso nas escolhas profissionais.
“Um profissional pode querer se tornar uma grande referência técnica, empreender, prestar consultoria, trabalhar por projetos ou construir outras fontes de renda sem necessariamente desejar comandar uma equipe”, destaca Abidjan.
Assim, a trajetória profissional deixa de seguir necessariamente o modelo tradicional de crescimento, em que o próximo passo depois de uma posição técnica é assumir uma equipe.
Segurança financeira também pesa
A pesquisa da Deloitte reforça que o dinheiro continua sendo uma preocupação importante entre os profissionais mais jovens. Em 2025, 48% da Geração Z e 46% dos millennials disseram não se sentir financeiramente seguros.
Os números representam uma piora em relação a 2024, quando os índices eram de 30% entre a Geração Z e 32% entre os millennials.
Nesse contexto, aumentar a renda continua sendo uma prioridade, mas isso não significa necessariamente buscar uma posição de liderança. Para muitos profissionais, outras formas de aumentar os ganhos podem parecer mais interessantes quando não exigem o mesmo nível de cobrança e responsabilidade de uma gestão.
Empresas precisam repensar as promoções
Para Abidjan, a mudança também representa um desafio para as empresas. Se as organizações querem formar novas lideranças, precisam tornar esses cargos mais atrativos e sustentáveis.
“A promoção deixou de ser aceita automaticamente como sinônimo de sucesso. Hoje existe uma pergunta anterior: essa oportunidade faz sentido para a vida e para a carreira que eu quero construir?”, afirma.
Segundo a especialista, oferecer apenas mais responsabilidades e cobranças pode não ser suficiente para convencer um profissional a assumir uma equipe. Autonomia, estrutura, remuneração compatível e condições adequadas de trabalho também entram nessa equação.
“Se querem formar novas lideranças, precisam tornar esses lugares desejáveis e sustentáveis, porque ninguém quer crescer profissionalmente sentindo que, para isso, precisa abrir mão da própria vida”, conclui.


