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Dia das Crianças no varejo: estratégias para aumentar as vendas em 2026

Levantamento da Cielo mostra alta de 6,7% nas vendas da última temporada

Joana Lopes
Por Joana Lopes
Jamile Nery em sua loja, no Shopping Paseo
Jamile Nery em sua loja, no Shopping Paseo - Foto: .José Simões / Ag. A TARDE

O Dia das Crianças está entre as principais datas do calendário do varejo e exige dos negócios mais do que uma campanha promocional. Dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostram que o comércio brasileiro faturou 6,7% mais na semana do Dia das Crianças de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. O crescimento foi de 6% no varejo físico e chegou a 9,7% no comércio eletrônico.

Para 2026, empresas de diferentes segmentos ligados ao público infantil se antecipam ao aumento da demanda com compras de estoque, contratação temporária, revisão de canais de pagamento e criação de atividades específicas para a data, e esperam aumento de até 15% nas vendas.

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A importância do planejamento estratégico e do histórico de vendas

Na avaliação de Aline Liston, head de PMEs da Getnet, a preparação começa antes da definição das ofertas. “Não se trata apenas de definir uma promoção, mas de entender a demanda, preparar estoque, equipe, pagamentos e logística e garantir que a experiência oferecida ao cliente acompanhe o aumento do movimento”, afirma.

Segundo ela, o primeiro passo é analisar os resultados de anos anteriores, observando produtos mais procurados, canais de venda, tíquete médio e problemas operacionais. A partir dessas informações, o empreendedor pode projetar a demanda e estabelecer metas para a campanha.

Gestão de estoques: foco no giro e negociação com fornecedores

O planejamento de estoque é outro ponto central. A recomendação é identificar produtos estratégicos, itens complementares e alternativas para eventuais faltas, além de negociar antecipadamente preços, quantidades e prazos com fornecedores. O objetivo é evitar tanto a perda de vendas por falta de mercadoria quanto o excesso de produtos depois da data.

Rafael de Souza, analista do Sebrae, reforça a necessidade de concentrar recursos nos produtos com maior giro. “O caminho é focar nos produtos de maior giro, analisar o histórico recente de vendas e adotar estoques mínimos combinados com acordos de reposição rápida junto aos fornecedores”, diz.

Casos de sucesso: estratégias no comércio físico e brinquedos educativos

É uma estratégia que já faz parte da rotina de Jamile Nery, dona da Superbacana, loja de brinquedos educativos e fantasias infantis. O planejamento para o período começa antecipadamente, com os pedidos aos fornecedores e a verificação dos estoques. A empresária afirma que outubro concentra uma parcela importante do faturamento anual, porque reúne o Dia das Crianças e, na sequência, o Halloween, outra data relevante para o negócio: “Dobra o número de vendas em outubro em relação ao resto do ano”. Para 2026, a expectativa é crescer 10% em relação a 2025.

Na Superbacana, a estratégia comercial também passa pela definição de um posicionamento que diferencia os produtos oferecidos. Jamile aposta em brinquedos que estimulem atividades manuais, coordenação motora e imaginação. Ela cita itens com piões, pipas, elásticos, bolas de gude e carrinhos de rolimã, que também podem aproximar diferentes gerações. “É um gancho de proximidade com a criança, ‘eu brincava disso, vamos brincar também’”, afirma.

A proposta é trabalhada nas redes sociais, inclusive para responder a uma objeção frequente de pais que procuram presentes para crianças acostumadas a produtos eletrônicos. “Muita gente diz ‘a criança que vou presentear só gosta de eletrônico’, mas eu digo: será que alguém já apresentou esse brinquedo para ela?”, conta.

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Precificação inteligente e margem de contribuição

A definição de promoções, por sua vez, precisa considerar a margem de contribuição e não apenas a capacidade de atrair consumidores. Para Aline, descontos são apenas uma das possibilidades. Kits, combos, benefícios progressivos, frete promocional e condições diferenciadas de pagamento podem ser usados conforme a estrutura de cada negócio. Antes de divulgar uma oferta, porém, é necessário calcular custos, estabelecer regras e verificar se a operação consegue cumprir o que foi anunciado.

Rafael chama a atenção para um dos riscos mais frequentes nesse período. “Um dos equívocos mais comuns no período é a concessão de descontos sem a avaliação precisa dos custos e das margens de contribuição”, afirma. Segundo ele, reduzir preços sem controle financeiro pode pressionar o fluxo de caixa e fazer com que o aumento do faturamento não resulte em lucro. A alternativa indicada é trabalhar com kits e combos de produtos complementares, que podem elevar o tíquete médio sem depender de preços.

Operação, logística e preparação de equipes

A preparação também envolve a estrutura para atender o aumento de consumidores. Aline recomenda revisar escalas, preparar a equipe, organizar os canais de atendimento e testar os meios de pagamento antes dos dias de maior movimento. Embalagens, prazos de entrega, retirada de produtos e políticas de troca também devem estar definidos. No comércio eletrônico, entram ainda questões como capacidade de processamento dos pedidos e logística.

Na Brinkarr, rede de cinco lojas em shoppings de Salvador, esse movimento já começou. Segundo o proprietário, José Augusto França, cerca de 80% das mercadorias destinadas ao período já haviam chegado uma semana antes da data. A empresa também reforçou as equipes com contratações temporárias e, em algumas unidades, praticamente dobrou o número de funcionários. A expectativa é de crescimento entre 5% e 10% em relação ao ano passado.

A estratégia da rede é explorar a variedade como uma forma de competir com os grandes marketplaces. “70% dos nossos produtos não estão neles, porque compramos de fornecedores diferentes. Tem produtos que só a Brinkarr vende nas cinco lojas espalhadas nos shoppings de Salvador. Essa variedade e diversificação é nosso diferencial”, afirma França. Entre as apostas para este ano está o drift elétrico, uma espécie de triciclo elétrico.

Serviços e experiências: o movimento no setor de entretenimento

Para negócios que vendem serviços e experiências, a preparação ocorre de outra forma, mas segue a mesma lógica de antecipação. O Trampolim Jump Parque, no Shopping Bela Vista, inaugurado em novembro, projeta crescimento de 15% no movimento em outubro. Segundo o sócio Gilson Dias, a partir desta semana o parque passa a oferecer uma programação específica para o período, com recreação e brincadeiras que não fazem parte da agenda regular. A equipe também foi reforçada.

A operação considera ainda a mudança na rotina das famílias durante a semana do Dia das Crianças. “Tornou-se comum que as escolas suspendam as aulas, então os pais tendem a trazê-las no parque”, afirma Dias. O espaço também explora a possibilidade de participação dos adultos nas atividades. A proposta, segundo ele, é oferecer uma alternativa ao tempo dedicado às telas, com atividades que possam ser realizadas por pais e filhos.

Comunicação eficiente, tecnologia e diferenciais competitivos

Para Aline, a comunicação precisa acompanhar o planejamento operacional. A divulgação deve começar com antecedência e manter as mesmas informações em diferentes canais. Depois da venda, o relacionamento continua com o acompanhamento de entregas, respostas às solicitações e políticas de pós-venda. Com autorização do cliente, os contatos podem ainda ser utilizados para apresentar novidades e oportunidades futuras.

Nesse processo, a tecnologia pode apoiar diferentes etapas da operação, mas a escolha dos recursos deve considerar o modelo de cada empresa. “Hoje, o empreendedor pode contar com diferentes soluções para tornar a operação mais flexível, desde as maquininhas, que ampliam as possibilidades de pagamento presencial, até o Link de Pagamento, para vendas a distância. O desafio é entender quais recursos fazem sentido para a realidade de cada negócio”, afirma Aline.

Para os pequenos negócios, a escala menor também pode ser convertida em estratégia comercial. Rafael aponta a curadoria e a agilidade do atendimento como espaços em que essas empresas podem se diferenciar dos grandes marketplaces. No caso da Superbacana, isso aparece na seleção dos brinquedos e na conversa com os pais sobre alternativas de presente. Na Brinkarr, está na variedade de produtos. No Trampolim Jump, na programação específica e na experiência presencial.

Em comum, os três negócios chegam à principal data infantil do varejo com decisões tomadas antes do movimento começar, deixando menos espaço para que estoque, equipe ou margem sejam definidos no improviso.

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