EMPREGOS & NEGÓCIOS
Programa de trainee: como se preparar para o processo seletivo
Entre agosto e novembro, empresas tendem a abrir vagas, mas os processos costumam ser concorridos


Vagas de trainee são uma grande opção para aqueles que terminaram uma graduação recentemente e desejam iniciar a carreira com salários acima do mercado. Além da questão financeira, as oportunidades costumam abrir portas para o desenvolvimento de habilidades técnicas e comportamentais.
No entanto, os processos seletivos costumam ser concorridos e complexos, sobretudo entre agosto e novembro, quando ocorre a chamada Alta Temporada de Trainees. Durante o período, cerca de 100 empresas lançam os respectivos programas com salários que podem chegar a R$ 10 mil.
Devido à intensa competição, para se destacar nesse cenário, é essencial ter uma preparação estratégica. Neste ponto, o portal A TARDE conversou com Ana Eliza Silva, especialista em RH da Companhia de Estágios, que explicou o que as empresas mais avaliam nos candidatos.
"As empresas não olham apenas formação acadêmica ou do conhecimento técnico. Como estamos falando de profissionais em início de carreira, um dos principais fatores avaliados é o potencial de desenvolvimento e, principalmente, o potencial de liderança", pontuou a especialista.
Ana Eliza reforça a importância de demonstrar vontade de crescer, aprender e se aperfeiçoar continuamente, além de ter curiosidade, interesse pelo negócio e disposição para sair do óbvio e pensar de formas diferentes. Outro ponto importante é a capacidade de organizar o pensamento, analisar informações e construir raciocínios de forma estruturada.
"Em processos muito competitivos, nos quais vários candidatos possuem formações e experiências semelhantes, uma capacidade analítica acima da média, combinada com boa comunicação e clareza de pensamento, pode ser um diferencial importante", enfatizou.
Segundo a profissional, outros aspectos que costumam contar é a compreensão da cultura corporativa, o raciocínio lógico e o domínio do inglês. Cada vez mais, habilidades digitais como análise de dados, visão omnichannel [integração total dos canais físicos e digitais] e a aplicação estratégica de inteligência artificial diferenciam os candidatos no processo.
Saiba como se preparar para cada etapa do processo seletivo
Triagem
Na maioria dos casos, os processos de triagem são realizados por inteligência artificial. Assim, para se destacar, o candidato deve tornar o perfil totalmente legível e estratégico para o algoritmo, preenchendo todos os campos do cadastro com precisão, detalhando desde a formação, geolocalização e até vivências acadêmicas ou em empresas juniores.
"Também é fundamental alinhar o vocabulário do currículo às palavras-chave e ferramentas exigidas no descritivo da vaga, mantendo um formato limpo, sem gráficos pesados que dificultem a leitura do sistema, e garantindo total coerência entre o cadastro e o perfil do LinkedIn".
Dinâmicas de grupo
Segundo a especialista, vale priorizar a escuta ativa, a comunicação clara e a colaboração, demonstrando liderança sem monopolizar o espaço. O candidato precisa estudar a empresa, entender o negócio, conhecer seus produtos ou serviços, o mercado em que ela atua e, sempre que possível, os principais desafios daquele setor.
"Isso faz diferença porque permite que ele participe das etapas do processo de forma mais contextualizada, seja em uma entrevista, dinâmica de grupo, estudo de caso ou apresentação para executivos", aconselhou.
Também é importante fazer um exercício de autoconhecimento e revisar a própria trajetória, além de saber falar com clareza sobre experiências, projetos, desafios, aprendizados e resultados.
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Entenda os principais erros que costumam eliminar candidatos
Alguns erros costumam ser decisivos durante a escolha do melhor perfil para preencher a vaga. Além de não possuir formação, conhecimento ou competência considerada mínima para determinada posição, durante o processo, é comum que candidatos cometam deslizes relacionados a requisitos técnicos, que podem acabar custando o tão sonhado cargo.
Muitas eliminações em programas de trainee acontecem por questões comportamentais como:
- Arrogância;
- presunção;
- prepotência;
- demonstrar desinteresse;
- pouca curiosidade;
- resistência a feedback;
Geralmente, as empresas que abrem esse tipo de vaga não esperam necessariamente um profissional que saiba tudo, mas alguém que demonstre capacidade e disposição para aprender rapidamente.
"O candidato deve se apresentar de modo autêntico, demonstrando maturidade, capacidade de ouvir, aprender e se relacionar com diferentes pessoas. Outro ponto bastante relevante é o alinhamento cultural. Muitas vezes o candidato possui os conhecimentos técnicos necessários, mas apresenta comportamentos ou valores diferentes daqueles mais valorizados pela cultura da organização", citou.
Nesse caso, a eliminação pode apenas significar que aquele ambiente específico talvez não seja o mais adequado ao perfil do candidato.
Como se destacar mesmo tendo pouca experiência profissional?
Ter alguma experiência na área pode ajudar no currículo, no entanto, a pouca bagagem profissional pode ser compensada por vivências práticas que demonstram iniciativa e visão de negócio.
Segundo Ana Eliza Silva, as empresas tendem a apreciar candidatos que possuam histórico de:
- Trabalhos voluntários;
- projetos em empresas juniores;
- participação em ligas acadêmicas;
- pesquisas de iniciação científica;
- trabalhos de conclusão de curso.
"É fundamental detalhar essas experiências nos cadastros e currículos, pois os algoritmos de recrutamento conseguem identificar competências técnicas e projetos acadêmicos relevantes que poderiam passar despercebidos em uma leitura tradicional", garantiu.
Habilidades comportamentais estão mais valorizadas
Nos processos atuais, habilidades comportamentais têm ganhado ainda mais importância porque as empresas estão inseridas em cenários de mudança, inovação e pressão por resultados. Uma das principais é a capacidade de compreender o contexto e fazer uma boa leitura de cenário.
"Não basta executar bem uma atividade, é cada vez mais importante entender o que está acontecendo ao redor, quais são as prioridades do negócio, quais mudanças estão em curso e como o próprio trabalho se conecta aos resultados da organização", explicou a especialista em RH.
Além disso, pessoas que conseguem atuar bem em ambientes dinâmicos e competitivos, com mudanças frequentes, novas tecnologias e necessidade constante de adaptação, costumam ser mais valorizadas, pois esse tipo de postura exige flexibilidade, agilidade de aprendizagem e abertura para rever formas de trabalhar.
"Competências como liderança, curiosidade, capacidade analítica, dinamismo e pensamento crítico também aparecem com frequência nos estudos e relatórios sobre as habilidades do futuro", finalizou.
Desta forma, o primeiro passo para se destacar em um processo seletivo para trainee é escolher empresas com as quais a pessoa se identifique, principalmente em relação ao alinhamento com a cultura e os valores do lugar.
Após escolher vagas as quais estejam aptos, os candidatos devem identificar o próprio diferencial e destacar experiências e competências relevantes.


