
Vinte anos depois da estreia do primeiro Se Eu Fosse Você, a franquia brasileira retorna aos cinemas nesta quinta-feira, 8, com uma nova geração no centro da famosa troca de corpos.
Em Se Eu Fosse Você 3, Cláudio e Helena, interpretados novamente por Tony Ramos e Glória Pires, vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia (Cleo Pires), agora adulta e casada com Aquiles (Rafael Infante).
A produção mantém a premissa que marcou os dois primeiros filmes, mas transfere o conflito para a nova geração. Desta vez, Bia e Aquiles são surpreendidos pela troca de corpos, enquanto Cláudio e Helena passam a acompanhar a filha diante de uma situação que eles próprios já conhecem.
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Dirigido por Anita Barbosa, o longa chega às salas de cinema com a proposta de preservar elementos que fizeram a franquia conquistar o público e, ao mesmo tempo, apresentar novos conflitos e personagens.
O primeiro filme, lançado em 2006 e dirigido por Daniel Filho, levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas. A sequência chegou às telas em 2009.
Em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE, Tony Ramos, Glória Pires, Anita Barbosa, Cleo Pires e Rafael Infante falaram sobre o reencontro com a franquia, a passagem do tempo, a nova geração de personagens, a relação entre pais e filhos adultos, a nostalgia e a importância da empatia presente na história.
Confira a entrevista completa
Cineinsite A TARDE - O primeiro “Se Eu Fosse Você” estreou em 2006 e o segundo, em 2009. Agora, quase duas décadas depois, vocês voltam a interpretar Cláudio e Helena em uma nova fase da vida. Como foi reencontrar esses personagens e perceber o quanto eles mudaram ao longo desses anos?
Tony Ramos: Para mim, estou falando como Cláudio agora, foi mostrar a esse homem, passados quase 20 anos, o sucesso dele profissional. É um homem muito bem posto na vida, financeira e profissionalmente, que resolve, enfim, coroar esse momento da vida dele com a companheira, viajando, fazendo uma segunda lua de mel. E é uma maravilha, até que, bum, são surpreendidos.
Então, é um reencontro da trajetória. E o que é bom no nosso roteiro é que não é a mera sequência causando efeito entre o casal. É, na verdade, uma vida continuando. Essa vida em continuação envolve a filha, nossa querida Cleo, o genro, Rafael, e a netinha, que é a menina Valentina.
O filme vai mostrando esse cotidiano que o espectador perguntava: “E o 3, não vem? E como é que essa família está hoje? Como ela ficou?” Até que chegou um belo roteiro, bem enxuto, e estamos aí. Vamos torcer para que o público curta e goste bastante. Tony Ramos - Ator
Glória Pires: É uma família que está no imaginário, no coração do público. Tanto que as pessoas pediam tanto essa continuação.
É um momento de muita celebração. Quantas vezes isso acontece? Quantos projetos têm a oportunidade de ter tantas continuações? E pertinentes, sem perder o fio da meada. Glória Pires - Atriz
A franquia usa uma situação sobrenatural e inusitada para falar sobre conflitos muito comuns na vida dos casais. Na opinião de vocês, por que essa premissa continua tão atual e capaz de gerar identificação com o público, mesmo quase 20 anos depois do primeiro filme?
Tony Ramos: Porque eles estão fazendo essa mesma pergunta a cada 24 horas. Eu acho que a existência humana e, basicamente, os relacionamentos, o comportamento entre os casais, passarão eternamente por isso.
E não nos iludamos. Não é porque estamos no século XXI que isso vai mudar. Eu tenho certeza de que os casais continuarão a se perguntar: qual é o seu respeito pelo meu lado e vice-versa? Tony Ramos - Ator
Eu acho que novos comportamentos vão acontecer. É inexorável. A vida está em constante movimento. E acho que o filme se beneficia muito desse questionamento, dessas interrogações dos casais.
Glória Pires: E dessa empatia que precisa acontecer. A partir do momento em que um ocupa o lugar do outro, com as suas responsabilidades. Na hora em que a gente se aproxima da vida real do outro é que, de fato, muita coisa faz sentido.
Numa convivência entre casais, acho também que isso é um questionamento que nunca vai passar, nunca vai deixar de existir. Glória Pires - Atriz
Cleo Pires: O filme tem uma afetividade muito forte e as pessoas possuem uma lembrança afetiva dos primeiros dois filmes, o que é muito importante.
Eu acho que uma das mensagens que também é muito forte e que acaba tocando as pessoas é essa coisa de você se colocar no lugar do outro. Eu acho que isso é muito curioso e interessante. Todo mundo tem essa curiosidade ou essa fantasia, de alguma forma. Cleo Pires - Atriz

O humor é uma das principais marcas da franquia, mas também pode provocar reflexões. Que sentimentos e reflexões vocês esperam despertar no público com esse terceiro filme?
Glória Pires: Acho que pensar no próximo. Acho que a empatia está muito adormecida ou, às vezes, desconhecida por muitos. É o momento que a gente vive, com essa coisa das redes sociais, das bolhas criadas.
A empatia é um sentimento que precisa mesmo ser incentivado e redescoberto. Glória Pires - Atriz
Tony Ramos: Ou descoberta por quem nunca descobriu. A gente tem consciência de que, passando pelo humor, não se esqueça: esse público tem que rir, se divertir. Isso não é pecado, não. Isso é bem-vindo. Parece que rir, se divertir, é um palavrão, parece que não se pode mais.
É ao contrário. Ainda mais em situações tão extremas que ainda vivemos, lamentavelmente, parece que é proibido rir. Eu discordo. Temos que rir, temos que pensar junto ao riso.
Eu não gosto de fazer uma comédia só para provocar o riso. Eu gosto que seja uma comédia que faça o espectador, ao voltar para casa, ou ir comer uma pizza, ou pegar o carro, dizer: 'Caramba, você sabe que, naquele momento em que se falou isso, eu me lembrei de quando nós dois... Você lembra disso?' Esta reflexão é que nos interessa. Tony Ramos - Ator
Cleo Pires: Eu quero que as pessoas levem amor. Coração quentinho. Coração é a melhor coisa que existe. E acho que esse filme tem muito disso. Então, acho que dá para levar bastante amor para casa.
Rafael Infante: Tem uma sensação de jogar junto, todo mundo vai melhorar a vida.

Quase duas décadas depois do último filme, “Se Eu Fosse Você 3” traz uma nova geração para o centro da história. Como foi encontrar o equilíbrio entre homenagear os filmes anteriores e, ao mesmo tempo, trazer novidades para essa nova fase da franquia?
Anita Barbosa: Eu acho que rolou, porque a gente quis seguir a mesma métrica dos outros filmes. A gente não quis fugir disso, porque você vai ao cinema para assistir a ‘Se Eu Fosse Você 3’, não a outra coisa. Então, partimos do princípio de que vamos manter isso e contar a história da filha agora, para dar uma movimentada, né?
Nos dois outros filmes, no primeiro, por exemplo, que é a primeira vez que eles trocam, eles têm uma missão a cumprir. Cada um tem a sua missão, né? O Cláudio tem a campanha na agência, e ela tem a coisa do coral.
A gente quis trazer de volta essa ideia das missões deles, só que de uma outra forma, agora colocando a comédia toda em cima da relação deles e da relação deles com quem está em torno deles. Tanto é que a gente tem muitas cenas deles separados, cada um com o seu mundo, não só eles entre si. Anita Barbosa - Cineasta
Como foi acompanhar, nos bastidores, o reencontro de Tony Ramos e Glória Pires e construir uma nova dinâmica com esse elenco?
Rafael Infante: Uma delicinha, né? Tem uma sensação gostosa de estar fazendo parte da história, né? Uma história marcante! Conforto!
Cleo Pires: Em vários momentos, eu vejo, por exemplo, a minha mãe [Glória Pires] e o Tony [Ramos]. Eles já têm uma alquimia ali entre eles, né? E aí eu vejo os dois juntos, às vezes fora de cena, conversando, trocando ideias. Ou está todo mundo, mas aí eles têm uma piada interna, sabe? Então, é gostoso entrar nessa onda.

O filme traz uma perspectiva pouco explorada no cinema, que é a relação entre pais e filhos já adultos. Como foi trabalhar essa dinâmica entre as três gerações da família e como vocês acham que essa nova perspectiva amplia o universo de Se Eu Fosse Você?
Anita Barbosa: Nesse filme atual, a gente criou três gerações. Tem pai, mãe, filha, todo mundo ali, né? Eu acho muito boa a Bia ficar passada porque a Helena não contou para ela. E ela pensa: “Tudo bem, eu tenho agora um problema maior para resolver”. Ela não briga com a mãe, não. Vai lá e conta para a própria filha, porque pensa: “Bom, eu, como sou uma mãe de uma geração melhor, resolvi te contar”. É uma coisa assim.
Cleo Pires: Eu acho que a nossa prioridade é manter o público cativo, que já é apaixonado pela franquia, e ganhar um novo público.
Para encerrar, queria que vocês deixassem um recado para o público de Salvador que está esperando pelo filme. Por que vale a pena ir ao cinema assistir a Se Eu Fosse Você 3?
Glória Pires: O filme estará disponível somente nos cinemas. Vão aos cinemas para assistir a ‘Se Eu Fosse Você 3’. É a mesma história, com novos contornos, surpresas, muito humor e muito amor.
Cleo Pires: A gente quer todos os soteropolitanos maravilhosos no cinema assistindo a gente. A gente espera que vocês gostem muito e sejam muito felizes como foram nos outros.
Tony Ramos: Querida Salvador, querido povo baiano, pessoal do A TARDE, vocês têm um alcance enorme. A partir do dia 8, que está chegando, acontece a estreia nacional de ‘Se Eu Fosse Você 3’, só nos cinemas. Não adianta ficar caçando, porque só estará nos cinemas. E saudades dessa linda terra, saudades dessa boa comida, dessa boa gastronomia. Beijo, saúde e paz a vocês.



