"O QUE MAIS AMO NA VIDA"
Bilionário doa R$ 20 milhões a gigante da Série A: "Time é muito ruim"
Empresário fez alertas sobre elenco, presidente e base do clube do coração


Todo torcedor já teve vontade de salvar seu time quando ele está em risco de rebaixamento - alguns, no entanto, podem colaborar para isso. O empresário bilionário Delcir Sonda, histórico parceiro do Internacional, doou R$ 20 milhões ao clube na última semana e fez um alerta sobre o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Preocupado com a crise financeira e com a situação do time na tabela, o investidor afirmou que decidiu ajudar para evitar um agravamento do cenário no Beira-Rio.
A quantia foi destinada à quitação de salários atrasados dos jogadores antes da partida contra a Chapecoense. O Inter vinha de dez jogos sem vencer no Brasileirão e estava afundado na zona de rebaixamento quando recebeu o aporte.
"Eu sou apaixonado pelo Inter e precisava ajudar. Quis dar uma força. Se cair, fica muito mais difícil se levantar. Você perde mais de R$ 100 milhões em receitas", afirmou Sonda, em entrevista ao ge.
Doação antes de vitória importante
Sonda liberou o valor na véspera do confronto contra a Chapecoense, na Arena Condá. O empresário admitiu que temia que um novo tropeço encaminhasse ainda mais o Inter para a Série B.
"Vi o time desse jeito e pensei que dificilmente teria chance caso não vencesse no sábado. O jogo era muito importante para o Inter e liguei para ajudar e tentar dar sorte", contou.
A ajuda coincidiu com a reação em campo. O time comandado por Paulo Pezzolano venceu a Chapecoense por 2 a 1, encerrou o jejum e ganhou fôlego na luta contra o rebaixamento. Mesmo assim, o Colorado segue no Z-4 e terá 11 partidas para tentar escapar.
Sonda, apesar da torcida por uma recuperação, não escondeu a insatisfação com o nível técnico da equipe: "Vou torcer para que dê certo, mas o time é muito ruim".

Críticas à gestão Barcellos
A insatisfação com o time se estende também à gestão do presidente Alessandro Barcellos no comando do clube. Para Sonda, os seis anos de gestão agravaram a situação financeira e esportiva do Inter, que convive com dívida próxima de R$ 1 bilhão.
"A gestão é péssima e só nos complicou. Quebrou tudo. Devia ter montado uma equipe de trabalho muito melhor. Você precisa ser humilde e gerir com cuidado. Não pode deixar uma dívida dessas sem fazer nada para combater", afirmou.
Sonda também criticou a aproximação de Barcellos com o empresário Elusmar Maggi durante o último processo eleitoral. Segundo ele, criou-se uma expectativa sobre uma possível participação do bilionário do agronegócio no segundo mandato, o que não aconteceu.
"Não gostei do que aconteceu. Ele bateu fotos com o cara do Centro-Oeste, que vem de uma família muito rica. Postou fotos, mas nunca foi próximo. Ele não é do futebol", disse.
Base também preocupa
Sonda também vem se preocupando com o trabalho nas categorias de base, lamentando os resultados recentes do Inter no setor e afirmando que a dificuldade em revelar atletas impacta diretamente a capacidade financeira do clube.
O Colorado caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro Sub-20 no ano passado, não conseguiu o acesso nesta temporada e foi eliminado ainda na primeira fase da Copa do Brasil da categoria para o Barra-SC.
No elenco profissional, poucos jogadores formados no clube têm espaço com Paulo Pezzolano. Para Sonda, a falta de atletas revelados diminui o poder de venda do Inter no mercado.
"Fico muito triste. Como um clube com o tamanho do Inter não consegue produzir na base? Qualquer jogador é vendido por, pelo menos, R$ 50 milhões. O Palmeiras cresceu muito com a venda dos meninos ao exterior. Imagina um clube sem base? É o fim do mundo", afirmou.

Empresário cobra dívida do clube na Justiça
Apesar da doação recente, Sonda também cobra do Inter uma dívida de R$ 60 milhões na Justiça, por meio de empresas do grupo que lidera. O empresário afirma que tentou negociar com a atual direção antes de acionar o clube judicialmente.
"Mandei um advogado da empresa tentar negociar. Prometeram e prometeram. Tem uns seis, sete títulos no cartório, mas não pagaram. Foi para juízo. Se fosse uma gestão séria... Sei que o Inter não tem condições, mas que pudessem pagar um pouco. Nem isso fizeram. Sempre procurei ajudar. Sou doente pelo Inter", lamentou.
Duas cobranças envolvem direitos econômicos de Andrés D’Alessandro. A DIS Esportes detinha 50% do meia argentino, que deixou o Inter em 2020 sem custos para defender o Nacional, do Uruguai. Com a saída, a dívida ficou para o clube gaúcho.
Sonda também participou, ao longo dos anos, de negociações de jogadores como Kleber, Aránguiz, Nilmar, Anderson e Luque.
Papel na eleição
O empresário faz parte do grupo político ligado a dirigentes como Fernando Carvalho, Vitorio Piffero, Giovanni Luigi, Marcelo Medeiros e Roberto Melo. Na última eleição, em 2023, Sonda apoiou a candidatura de Melo, que acabou derrotado por Alessandro Barcellos.
Melo é pré-candidato à próxima eleição presidencial do Inter, e Sonda promete colaborar caso o aliado vença. O empresário, no entanto, descarta assumir um papel de linha de frente neste momento, principalmente por questões pessoais e de saúde.
Nos últimos anos, Sonda perdeu três irmãos, incluindo Idi, com quem dividia os negócios da família. Ele próprio enfrentou problemas graves de saúde e ficou internado por longo período.
"Fiz cirurgia e fiquei quatro meses no hospital. Cheguei a ficar 22 dias em coma, mas Deus me segurou. Agora estou há 60 dias em casa, mas preciso cuidar da saúde", contou.
Mesmo assim, o empresário garante que seguirá próximo do clube: "Nunca deixarei de ajudar. Não tive filhos, não sou casado. O que mais amo na vida é o clube. Se o Melo for eleito, vou ajudar, mas não posso largar a empresa. Há cinco anos, eu podia, mas hoje estou sozinho".
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Próximo desafio
O Inter volta a campo no próximo sábado, 19, contra o São Paulo, no Morumbis. Ainda dentro da zona de rebaixamento, o Colorado tenta transformar a vitória sobre a Chapecoense em ponto de partida para uma reação nas rodadas finais do Campeonato Brasileiro.


