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NEGÓCIO BILIONÁRIO

Clube da Série A avança por 90% da SAF em acordo de até R$ 3 bilhões

Parecer favorável abre caminho para venda de 90% da SAF a Marcos Lamacchia

Téo Mazzoni
Por
Parecer favorável dá novo passo para o Vasco vender 90% da SAF do Vasco
Parecer favorável dá novo passo para o Vasco vender 90% da SAF do Vasco - Foto: Dikran Sahagian/Vasco

O Vasco deu um passo importante para viabilizar a venda de 90% das ações de sua Sociedade Anônoma do Futebol (SAF) ao empresário Marcos Lamacchia. Na última quarta-feira, 12, o advogado Athos Neves, nomeado pela Justiça como watchdog da gestão vascaína, apresentou parecer favorável à operação.

O posicionamento representa a primeira manifestação externa positiva em relação à negociação e pode abrir caminho para as próximas etapas do processo. Apesar disso, a venda ainda não está oficialmente autorizada e depende de outras avaliações e aprovações antes de ser concretizada.

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Athos Neves acompanhou de perto a administração do clube após atuar como interventor judicial durante o período em que Pedrinho esteve afastado da presidência por uma liminar, em julho. Posteriormente, foi escolhido como watchdog em consenso entre o Vasco e os integrantes da Justiça, justamente por ser considerado uma figura neutra no processo.

Desde então, o advogado passou a ter acesso a informações financeiras e relatórios da SAF, além de acompanhar questões relacionadas à governança do clube.

Parecer abre caminho para venda de 90% da SAF

Em documento anexado aos autos do processo, Athos Neves se manifestou favoravelmente aos pedidos apresentados pelo Vasco. Embora não cite diretamente Marcos Lamacchia, o parecer é considerado importante para o avanço da negociação que o empresário mantém com a diretoria comandada por Pedrinho.

"Realizadas as considerações expostas, este Profissional submete ao crivo deste Colendo Juízo, não se opondo aos requerimentos formulados pelas Recuperandas [Vasco], desde que sejam garantidos os critérios de publicidade, transparência, competitividade e maximização do valor do ativo", diz trecho da conclusão.

Na prática, o posicionamento não significa que o Vasco já esteja autorizado a transferir os 90% da SAF para Lamacchia. O clube ainda precisa obter manifestações favoráveis do administrador judicial, função exercida pelo escritório Gussem e Lemos Basto Advogados, do Ministério Público e, posteriormente, da juíza responsável pelo processo.

A decisão desta quarta-feira, porém, foi recebida de maneira positiva internamente pelo Vasco, já que representa um avanço no processo de venda da SAF.

Concorrência será necessária antes da venda

Com os primeiros sinais favoráveis, o Vasco poderá avançar para a abertura da concorrência destinada à venda de 90% da SAF. Pela legislação, o clube não pode simplesmente transferir as ações diretamente para Marcos Lamacchia sem antes realizar o processo competitivo.

O empresário, contudo, possui cláusulas de preferência previstas no acordo de investimento. Dessa forma, caso outra proposta seja apresentada durante a concorrência, Lamacchia terá a possibilidade de cobrir a oferta e manter sua posição na negociação.

O acordo de investimento negociado entre Vasco e Lamacchia envolve pouco mais de R$ 3 bilhões. O montante considera diferentes frentes, como o pagamento de dívidas do clube, aportes no futebol e nos centros de treinamento, além da previsão de recursos para cobrir o déficit de caixa durante cinco anos.

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Acordo com Lamacchia passa de R$ 3 bilhões

Vasco e Marcos Lamacchia negociam os termos do contrato de investimento há meses. A operação, porém, está condicionada a uma série de etapas antes de ser concluída.

Entre elas estão a vitória de Lamacchia na concorrência relacionada à Recuperação Judicial, a aprovação do negócio pelo juízo responsável pelo processo, a conclusão de auditorias e o cumprimento do rito interno do clube.

Outro ponto que precisa ser resolvido é a situação envolvendo a A-CAP. O Vasco mantém uma negociação paralela com representantes da empresa norte-americana, que envolve diferentes frentes, incluindo discussões na Arbitragem da FGV e tratativas sobre valores.

O acordo atualmente em negociação prevê a seguinte distribuição dos recursos:

  • R$ 1 bilhão para o pagamento de dívidas, incluindo valores relacionados à Recuperação Judicial e débitos tributários. A dívida bruta do Vasco é estimada em R$ 1,3 bilhão;
  • R$ 1,5 bilhão para cobrir o déficit de caixa durante cinco anos, com base em projeções da Alvarez & Marsal. Atualmente, o Vasco gera cerca de R$ 500 milhões em receitas e possui aproximadamente R$ 800 milhões em despesas;
  • R$ 500 milhões em aportes no futebol ao longo de cinco anos, incluindo investimentos em contratações. Os valores não são necessariamente fixos ou distribuídos de maneira proporcional;
  • R$ 120 milhões destinados à modernização e ampliação do centro de treinamento do futebol profissional;
  • R$ 30 milhões para investimentos no centro de treinamento das categorias de base.

Contrato prevê penalidades e restrições ao investidor


O acordo de investimento também estabelece multas caso o investidor não cumpra os aportes previstos
. A estrutura é diferente daquela estabelecida no contrato firmado anteriormente com a 777 Partners, quando as penalidades envolviam a possibilidade de “devolução” das ações ao Vasco.


Outro ponto previsto no acordo é a permanência mínima de Lamacchia como proprietário das ações. O empresário não poderá vender sua participação nem distribuir lucros durante dez anos.

Os valores definidos no acordo também são tratados como compromissos que podem variar de acordo com a eficiência da gestão. Isso significa que os aportes podem ser menores ou maiores conforme o desempenho financeiro do Vasco.

Um exemplo é o déficit anual do clube. Caso o Vasco consiga aumentar suas receitas e reduzir o rombo projetado, o investidor não precisará necessariamente realizar todo o aporte inicialmente previsto para cobrir o déficit. Por outro lado, a redução das despesas não pode ser utilizada para diminuir os compromissos assumidos no acordo.

Venda da SAF ainda depende de novas aprovações

Apesar do parecer favorável de Athos Neves, o Vasco ainda não concluiu o processo para a venda de 90% da SAF. O clube precisa passar pelas demais etapas judiciais e administrativas antes de poder definir oficialmente o novo controlador.

A manifestação positiva do watchdog, portanto, representa um avanço relevante, mas não encerra a negociação. O próximo passo será a análise dos demais órgãos envolvidos no processo e, posteriormente, a abertura da concorrência, na qual Marcos Lamacchia aparece como candidato com direito de preferência.

Se superar todas as etapas previstas, o empresário poderá assumir 90% da SAF vascaína dentro de um acordo que prevê mais de R$ 3 bilhões em recursos destinados ao clube, incluindo pagamento de dívidas, cobertura do déficit, investimentos no futebol e melhorias nos centros de treinamento.

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SAF vasco

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