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Clube histórico suspende votação de SAF de R$ 1 bilhão em meio a crise
Elenco cobra salários atrasados de seis meses e ameaça paralisar treinos


A Ponte Preta terá de esperar mais para definir o futuro de seu futebol. A Assembleia Geral Extraordinária que discutiria a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) terminou sem votação nesta segunda-feira, 24, após duas decisões liminares da Justiça alterarem o cenário previsto para a reunião.
A sessão sequer chegou a ser oficialmente aberta. O presidente do Conselho Deliberativo, José Armando Abdalla Júnior, decidiu pelo adiamento diante das determinações judiciais e da necessidade de adequar a estrutura do encontro às exigências estabelecidas.
Liminares mudaram os planos
Uma das liminares determinou que, antes de qualquer discussão, fosse esclarecido aos associados qual seria exatamente o objeto da votação: a transformação do clube em SAF ou uma eventual separação do departamento de futebol das demais atividades da associação.
A segunda decisão estabeleceu uma série de exigências para a realização da Assembleia. Entre elas estavam a presença de um tabelião para registrar os acontecimentos em ata, a verificação da regularidade dos associados presentes e a gravação integral da reunião.
A oposição afirma que um oficial de Justiça e uma equipe de filmagem estiveram no estádio, mas não tiveram autorização para entrar no Salão Nobre.
Com o adiamento, a Ponte Preta precisará publicar um novo edital para marcar a reunião. O procedimento exige o cumprimento de um intervalo mínimo de 15 dias entre a publicação da convocação e a realização da Assembleia. Ainda não há uma nova data definida para que os associados voltem a discutir a proposta.
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A indefinição ocorre justamente em um momento delicado para o clube. Na semana passada, jogadores da Ponte Preta divulgaram uma manifestação nas redes sociais na qual afirmaram estar há aproximadamente seis meses sem receber salários.
No comunicado, o elenco defendeu o avanço da proposta de SAF como uma alternativa para reorganizar as finanças e regularizar os pagamentos. Os atletas também estabeleceram um prazo: caso as pendências não fossem resolvidas, a previsão era de paralisação das atividades a partir desta terça-feira, 25.
Proposta pode chegar a R$ 1 bilhão
A proposta de SAF apresentada à Ponte Preta prevê uma operação que pode alcançar R$ 1 bilhão. Um aporte inicial do grupo interessado em assumir o futebol já estaria vinculado à aprovação do negócio.
O valor funcionaria inicialmente como uma espécie de adiantamento. Caso os associados rejeitem a transformação em SAF, a quantia passaria a ter caráter de empréstimo e teria de ser devolvida pelo clube.
Além desse montante, a proposta estabelece outros investimentos específicos:
- R$ 300 milhões para o futebol profissional e as categorias de base ao longo de dez anos;
- R$ 300 milhões destinados ao pagamento de dívidas;
- R$ 10 milhões em um aporte inicial para a Ponte Preta.
A liberação dos R$ 10 milhões, porém, está condicionada ao cumprimento de requisitos jurídicos e financeiros previstos na minuta. Pelo modelo apresentado, a futura empresa controladora ficaria responsável pela administração do futebol profissional e das categorias de base da Ponte.


