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MEMÓRIA TRICOLOR

Antes de Guido Herrera: relembre os goleiros estrangeiros do Bahia

Chegada do argentino encerra um jejum de quase 30 anos sem goleiros estrangeiros no Tricolor

Téo Mazzoni
Por
| Atualizada em
Da idolatria de Carlos Buttice ao carisma de William Andem, Guido Herrera chega para dar continuidade à história dos goleiros estrangeiros que defenderam a meta tricolor
Da idolatria de Carlos Buttice ao carisma de William Andem, Guido Herrera chega para dar continuidade à história dos goleiros estrangeiros que defenderam a meta tricolor - Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

O argentino Guido Herrera ainda não foi anunciado oficialmente, mas desembarcou em Salvador na noite desta quarta-feira, 8, para assinar contrato em definitivo com o Esporte Clube Bahia até o fim de 2027.

Com sua chegada, o Esquadrão voltará a contar com um goleiro estrangeiro após quase 30 anos.

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Isso porque o último arqueiro de fora do Brasil a defender a meta azul, vermelha e branca foi o camaronês William Andem.

William Andem: o "Gato Preto" que conquistou a torcida mesmo no rebaixamento


Mais conhecido pela torcida tricolor como "Gato Preto" ou "Jacaré", Andem chegou ao Bahia em 1997 e permaneceu no clube por apenas uma temporada, participando da campanha do primeiro rebaixamento da história do Esquadrão. Ainda assim, sua passagem foi marcada pelo carisma, pela raça e pela identificação imediata com o povo baiano.

Apesar de ter sido o goleiro do até então inédito rebaixamento da história do
Bahia, Andem protagonizou verdadeiros milagres em diversas partidas do Campeonato Brasileiro. Mesmo com a queda para a Série B, o camaronês ganhou destaque no cenário internacional, o que lhe garantiu, no ano seguinte, em 1998, a convocação para defender a seleção de Camarões na Copa do Mundo da França.

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Rodolfo Rodríguez: do currículo campeão ao gol histórico de Ronaldo


Antes dele, outro goleiro estrangeiro que defendeu a meta tricolor foi o uruguaio Rodolfo Rodríguez, que vestiu a camisa do Bahia entre 1992 e 1994. O "Paredão", como ficou conhecido durante sua passagem pelo Tricolor de Aço, chegou ao clube já veterano e com um currículo de peso: campeão da Libertadores e do Mundial pelo Nacional, além de ídolo histórico do Santos.

Antes de pendurar as luvas, Rodolfo conquistou dois títulos do Campeonato Baiano pelo Bahia. No entanto, sua passagem também ficou marcada por um lance, no mínimo, folclórico — e igualmente doloroso para a torcida tricolor. Em 1993, durante uma partida contra o Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro, após fazer uma defesa, o goleiro colocou a bola no chão para reclamar com a zaga. O jovem Ronaldo, que pouco tempo depois ficaria conhecido como "Fenômeno", aproveitou a distração, roubou a bola por trás e empurrou para as redes.

Assista:

Carlos Buttice: o "Batman Tricolor" que virou lenda no Bahia


Mas, sem sombra de dúvidas, quem abriu caminho para que tanto Rodolfo quanto Andem pudessem brilhar com a camisa tricolor foi o argentino Carlos Buttice, que defendeu o Tricolor de Aço entre 1971 e 1974 e, de longe, teve a passagem mais marcante entre os goleiros estrangeiros do clube.

Apelidado pela torcida de "Batman Tricolor",
Buttice tinha status de jogador da seleção argentina. Na época, chegou a existir um clamor público — não apenas por parte dos torcedores, mas também da imprensa — para que o goleiro se naturalizasse brasileiro e defendesse a Seleção. Após a "era Félix", campeão da Copa do Mundo de 1970, muitos defendiam que não havia, no futebol brasileiro, um goleiro em atividade que atuasse no mesmo nível do argentino, destaque do futebol nordestino.

O lendário goleiro argentino conquistou dois títulos do
Campeonato Baiano, em 1971 e 1973. O segundo deles marcou o início do histórico heptacampeonato estadual do Bahia, conquistado entre 1973 e 1979. Após anos de sucesso no Esquadrão, Buttice deixou o clube para defender o Corinthians e, posteriormente, retornou à Argentina.

Guido Herrera chega para escrever seu próprio capítulo


Agora, quase três décadas depois da última passagem de um goleiro estrangeiro pelo Bahia, Guido Herrera chega ao clube com a missão de escrever seu nome na história, assim como Buttice; mostrar sua qualidade mesmo experiente, a exemplo de Rodolfo Rodríguez; e conquistar a identificação da torcida, como fez William Andem.

Vestiário repleto de gringos


Com a chegada de Guido Herrera, o elenco do Bahia passa a contar com nove jogadores estrangeiros. Além do goleiro argentino, o grupo é formado por outros quatro compatriotas — Román Gómez, Ramos Mingo, Sanabria e Alejo Véliz —, três uruguaios (Acevedo, Michel Araújo e Kike Oliveira) e um espanhol (Marco Moreno).

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