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SAF de grande clube do Brasileirão trava após impasse com diretoria

Proposta de SAF perde força na atual gestão, mas grupo garante que seguirá trabalhando

Téo Mazzoni
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Negociações esfriaram após reunião e impasse envolvendo a dívida da Neo Química Arena
Negociações esfriaram após reunião e impasse envolvendo a dívida da Neo Química Arena - Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

As conversas entre a diretoria do Corinthians e a SAFiel, grupo que defende a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), perderam força durante a atual gestão. Depois de reuniões e discussões sobre os termos da proposta, os responsáveis pelo projeto avaliam que não há mais espaço para um avanço durante a administração de Osmar Stabile.

Um dos idealizadores da iniciativa, o empresário Carlos Teixeira, reconheceu que a proposta não deve evoluir antes do fim do atual mandato. Segundo ele, a falta de retorno institucional e a proximidade das eleições do clube praticamente encerraram a possibilidade de um acordo neste momento.

Sendo muito franco, o que passa pela nossa cabeça hoje? Primeiro, uma constatação: nesta legislatura, com a atual diretoria do clube, o projeto não avança mais. Para nós, isso já é uma página virada e uma realidade dada Carlos Teixeira - em entrevista ao portal Meu Timão

Eduardo Salusse, também coidealizador da SAFiel, afirmou que a janela para uma negociação durante a atual administração acabou se fechando. Ele citou a falta de comunicação entre as partes nas últimas semanas e o curto período restante do mandato.

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"Não é uma conclusão definitiva, mas diria que esse é o cenário mais provável — até pela falta de comunicação entre a diretoria e o nosso grupo nas últimas três ou quatro semanas, e pelo fato de o mandato já estar no fim. Não nos parece que este período seja frutífero para dar sequência ao que precisava ser feito. Tivemos uma oportunidade concreta de avançar, mas, infelizmente, não vimos do lado do clube a devolutiva mínima necessária para seguirmos em frente. Portanto, com tão pouco tempo até a eleição, é muito improvável que haja uma mudança repentina. Mas, se por acaso acontecer, nós estamos preparados", complementou o empresário.

Corinthians e SAFiel tiveram reunião de quase cinco horas

A primeira reunião oficial entre a diretoria do Corinthians e a SAFiel ocorreu no fim de agosto, no Parque São Jorge (SP). O encontro durou pouco mais de quatro horas e teve como objetivo apresentar aos dirigentes os principais pontos da proposta não vinculante encaminhada pelo grupo em junho.

Antes da interrupção das tratativas, os envolvidos também chegaram a discutir o memorial descritivo do projeto. De acordo com Carlos Teixeira, o encontro presencial foi marcado por uma série de questionamentos técnicos feitos pelos representantes do Corinthians.

"No dia 26 de agosto, se não me engano, nós passamos quase cinco horas reunidos com o clube. Estavam presentes o presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o doutor Romeu Tuma (presidente do Conselho Deliberativo), o doutor Miguel Marques (presidente do Conselho de Orientação) e outros diretores. Foi um encontro extenso e exaustivo. Ao final, recebemos cerca de 200 perguntas do clube, acompanhadas de um pedido expresso do presidente Osmar: que as conversas dali em diante entre o Corinthians e a SAFiel não ocorressem pela imprensa. Ele deixou isso muito claro naquela sala", afirmou.

Segundo Teixeira, o entendimento sobre o sigilo das negociações acabou sendo rompido posteriormente. O empresário relata que a situação mudou depois de declarações públicas de Osmar Stabile sobre uma condição financeira envolvendo a dívida da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal.

O presidente teria condicionado a assinatura da proposta vinculante à quitação do débito da Arena e à liberação das receitas do clube dadas como garantia.

"No entanto, assim que a reunião terminou, ele concedeu uma entrevista a uma jornalista e nos mandou um recado por meio dela. Na sexta-feira seguinte, na ESPN, ele apontou o dedo para a câmera e nos fez um desafio público: contrariando o próprio pedido de sigilo, nos desafiou a quitar a dívida da Arena e liberar as receitas do clube dadas em garantia; em troca, assinaria a proposta vinculante", disse Teixeira.

O grupo, de acordo com o empresário, decidiu aceitar a condição apresentada publicamente pelo presidente corinthiano.

"Ele nos pegou de surpresa, mas nos reunimos, avaliamos o cenário com muita responsabilidade e, no final do dia, confirmamos que aceitávamos o desafio. Antes de publicar a nota oficial, liguei para ele e disse: 'Presidente, estamos aceitando a sua proposta. Vamos fazer um post para deixar isso claro a todos, já que o senhor fez um desafio público'", complementou.

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Grupo afirma que não recebeu retorno da presidência

Mesmo depois de comunicar a aceitação da condição, a SAFiel afirma que não recebeu uma resposta direta da presidência do Corinthians. O grupo diz ter encaminhado um e-mail com os procedimentos necessários para a quitação da dívida e, posteriormente, enviado uma correspondência registrada para formalizar o recebimento.

"Em seguida, enviamos um e-mail ao clube ratificando a aceitação e detalhando as providências operacionais necessárias para que a quitação pudesse ser concluída. Como não tivemos retorno ao e-mail, enviamos uma correspondência registrada para protocolar o recebimento no clube. Desde então, não houve mais nenhum contato direto conosco", relatou.

De acordo com Teixeira, o único novo posicionamento de Osmar Stabile ocorreu novamente por meio da imprensa. O empresário questionou a exigência de pagamento da dívida antes da formalização de um contrato.


"O único retorno do presidente Osmar veio novamente pela imprensa, quando declarou: 'Eles têm que pagar primeiro a Arena. Depois, nós vamos fazer o contrato.' Mandei uma mensagem direta para ele: 'Osmar, essa condição é inaceitável. Não existe qualquer lógica financeira, empresarial ou jurídica em realizar um pagamento desse montante sem antes ter um contrato assinado com o clube.' Além disso, vale destacar que o presidente não tem autonomia estatutária individual para assinar uma proposta vinculante como prometeu. A impressão clara que ficou é que aquilo foi um gesto puramente político, sem intenção real de construir um acordo", detalhou.

A SAFiel também afirma que houve movimentações de outros órgãos do Corinthians em relação à documentação apresentada pelo grupo. Eduardo Salusse citou os contatos com o Conselho Deliberativo e o Conselho de Orientação.

"Apenas para complementar a cronologia: o post aceitando o desafio foi feito na própria sexta-feira. O e-mail e a carta foram enviados na segunda-feira seguinte, e depois formalizamos a versão protocolada. É preciso ter justiça e registrar que o doutor Romeu Tuma acusou o recebimento e informou que encaminharia a matéria ao Conselho Deliberativo, assim como o doutor Miguel Marques também acusou o recebimento e agradeceu. Contudo, da parte do presidente Osmar Stabile, não obtivemos nenhuma resposta até hoje", puntuou.

SAFiel diz que pretende manter projeto para o futuro

Apesar da falta de avanço durante a atual gestão, os responsáveis pela SAFiel afirmam que não consideram o projeto encerrado. Para Eduardo Salusse, a proposta não estaria vinculada exclusivamente à diretoria que ocupa o comando do Corinthians neste momento, mas ao quadro social do clube.

"Não foi o dono do Corinthians que não quis nos receber. Foi alguém que está temporariamente na presidência. O legítimo titular do direito soberano de deliberar é o sócio do clube. Já disse em outras oportunidades que, no dia em que o sócio, reunido em Assembleia Geral, disser: 'tchau, SAFiel, nós não temos mais interesse', o nosso papel estará encerrado. Até que isso aconteça, entendo que essa resistência é ilegítima, porque não cabe a quem exerce um mandato transitório — e que, portanto, tem um dever fiduciário com quem o elegeu — fazer esse tipo de filtro autoritário", comentou.

A intenção do grupo agora é manter a proposta em discussão e continuar trabalhando para que o projeto possa voltar à pauta em outro momento. A SAFiel afirma que não pretende abandonar a iniciativa mesmo diante da proximidade das eleições e da falta de avanço com a atual diretoria.

"Nós seguiremos trabalhando em prol do Corinthians e de 35 milhões de torcedores que precisam de iniciativas corajosas e de pessoas que não desistem. Até porque a história nos mostra que quem reage à perda de poder espera justamente o cansaço de quem incomoda. Geralmente, essas mobilizações se desfazem com o tempo; aquela massa que grita e protesta no domingo já está no seu trabalho na segunda-feira, e o movimento arrefece. Mas não é isso o que nós vamos fazer. Nós não vamos desistir", finalizou.

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Brasileirão 2026 corinthians SAF

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