REUNIÃO DUROU QUATRO HORAS
Entenda tudo que o Corinthians exigiu para seguir com a SAFiel
O clube condicionou o avanço do projeto de SAF a uma série de esclarescimentos em diversas áreas


A torcida corinthiana segue na expectativa por definições do futuro do clube com a SAFiel - mas ainda não chegou a hora. Para avançar com o projeto, o Corinthians pediu uma série de esclarecimentos sobre a viabilidade financeira da proposta, o uso de informações internas do clube e os possíveis efeitos jurídicos do documento apresentado pelo grupo.
Os questionamentos foram encaminhados aos líderes do projeto e assinados por Osmar Stabile, presidente da Diretoria, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e Miguel Marques e Silva, presidente do Cori.
No documento, a cúpula corintiana afirma que a avaliação da proposta ficará prejudicada enquanto as respostas não forem apresentadas de forma satisfatória. A manifestação, no entanto, não significa aceitação nem recusa ao projeto.
Segundo o próprio Corinthians, os pontos levantados fazem parte da análise interna necessária antes de qualquer decisão sobre a eventual transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol.
Reunião durou quatro horas
O documento foi apresentado na última quarta-feira, 26, durante reunião no Parque São Jorge. O encontro durou cerca de quatro horas e terminou com o compromisso de que a SAFiel responderia aos questionamentos antes de um possível avanço para a assinatura de um memorando de intenções.
Entre os principais pontos, o Corinthians cobra explicações sobre a projeção de captação, a estrutura da empresa responsável pela proposta, o histórico dos envolvidos e a existência ou não de obrigações imediatas em um documento classificado como não vinculante.
Clube questiona projeção de R$ 2,5 bilhões
A SAFiel prevê captar R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 3 bilhões caso a demanda seja maior do que a estimada. Para isso, o projeto considera a adesão de aproximadamente 5% dos torcedores economicamente ativos.
O Corinthians quer saber justamente qual metodologia foi utilizada para chegar a esse percentual e como o grupo compatibilizou dados de instituições como Datafolha, Ipsos/Ipec, IBGE, Serasa, Anbima, B3 e Instituto Locomotiva.
Além disso, o Timão também pede que sejam explicadas possíveis distorções geradas pelo cruzamento de bases com universos diferentes.
A diretoria ainda solicita exemplos verificáveis de operações nacionais ou internacionais de capitalização pulverizada no futebol que tenham alcançado taxa de conversão semelhante à projetada pela SAFiel.
Viabilidade financeira
Dentro disso, o Corinthians também abordou a capacidade real de investimento dos torcedores, questionando se a estimativa levou em conta fatores como endividamento familiar, inadimplência, restrição de crédito e liquidez disponível.
A cúpula corintiana também pediu a apresentação de cenários conservador, intermediário e pessimista usados na elaboração do projeto. Além disso, cobra a possibilidade de auditoria dos dados apresentados no chamado "Book SAFiel 2.0", com o objetivo de verificar premissas macroeconômicas, curva de adesão e viabilidade do modelo de captação.
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Compliance questiona empresa responsável
A área de Compliance da Diretoria também apresentou questionamentos sobre a Invasão Fiel S/A, empresa responsável pela proposta. Um dos pontos envolve o capital social de R$ 3 mil, considerado baixo diante da dimensão financeira projetada para a operação.
O Corinthians também pede explicações sobre a criação recente da companhia, constituída em julho de 2025, sob a atividade principal de holding de instituições não financeiras, buscando detalhes sobre a estrutura societária e o histórico dos sócios em operações semelhantes.
Participação de Maurício Chamati
O documento também cobra esclarecimentos sobre Maurício Chamati, sócio da Invasão Fiel S/A e cofundador do Mercado Bitcoin. Ele integrou o Comitê Independente de Finanças durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo e assinou, em setembro de 2024, um termo de confidencialidade com dever adicional de sigilo por cinco anos após o recebimento de cada informação protegida.
O Corinthians pede que a SAFiel informe se dados acessados por Chamati durante sua passagem pelo comitê foram usados na elaboração da proposta. O grupo também deverá discriminar documentos, dados e fontes utilizados no projeto para que o clube verifique o cumprimento do acordo de confidencialidade.
O termo citado prevê multa compensatória de R$ 500 mil em caso de divulgação indevida de informações confidenciais, desde que eventual violação seja comprovada judicialmente.
Sem culpados
O Compliance ainda menciona pontos de diligência relacionados a Chamati, como participação societária no Mercado Bitcoin, um procedimento investigatório por estelionato associado ao nome do empresário e um suposto envolvimento no financiamento da campanha de Augusto Melo à presidência do Corinthians.
O clube ressalta, no entanto, que os apontamentos não representam conclusão sobre responsabilidade, ilicitude ou culpabilidade. Segundo o Corinthians, as informações foram incluídas como questões a serem esclarecidas antes da conclusão da análise interna.
Documento não vinculante
Por fim, o Corinthians questionou uma cláusula da proposta que poderia produzir efeitos imediatos mesmo com o documento classificado como não vinculante. A preocupação do clube é evitar que a assinatura gere despesas ou responsabilidades financeiras não calculadas ou não submetidas aos órgãos estatutários.
A diretoria quer saber ainda se a assinatura da proposta criaria algum tipo de exclusividade, impedindo o Corinthians de analisar ou negociar outros projetos de SAF durante o período de validade do documento.
E agora?
As respostas e documentos solicitados serão analisados pelas presidências da Diretoria, do Conselho Deliberativo e do Cori, e apenas depois dessa etapa o Corinthians fará uma nova manifestação sobre o projeto.
Por ora, o clube mantém o processo em fase de avaliação e condiciona qualquer avanço a respostas consideradas suficientes sobre a capacidade financeira da SAFiel, a origem dos dados usados na proposta e os efeitos jurídicos do documento apresentado.


