DISPUTA JUDICIAL
Ex-Bahia integra grupo que tenta barrar nova SAF de gigante da Série A
Atacante se junta a outros sete credores em ação contra a operação


A criação da Nova SAF do Vasco ganhou um novo capítulo na Justiça às vésperas do leilão previsto para a próxima sexta-feira, 25. Um grupo formado por sete ex-jogadores e um preparador físico entrou com uma medida judicial na última terça-feira, 22, para tentar suspender a operação que prevê a criação da nova estrutura societária do clube.
Entre os credores está Willian Barbio, ex-atacante do Bahia, que integra o grupo responsável pelo pedido apresentado à Justiça. Também fazem parte da ação os ex-jogadores Breno, Douglas Silva, Lucas Kal, Lucas Siqueira, Luiz Gustavo e Willian Maranhão, além do preparador físico Flávio de Oliveira.

O movimento ocorre poucos dias antes do leilão da Nova SAF, marcado para sexta-feira, quando é esperado o arremate pelo empresário Marcos Lamacchia.
Credores questionam decisão que autorizou operação
O grupo contesta uma decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, proferida em 10 de setembro pela juíza Simone Gastesi Chevrand. A determinação autorizou o financiamento DIP (Debtor-in-Possession) de R$ 150 milhões proposto por Lamacchia ao Vasco e permitiu a abertura do procedimento para o leilão da Nova SAF.
Na petição apresentada à Justiça, os credores sustentam que a decisão teria aplicado de maneira incorreta a cláusula 4.2.1 do Plano de Recuperação Judicial da atual SAF. Segundo a argumentação apresentada, questões consideradas fundamentais para a operação não teriam sido devidamente analisadas.
Entre os pontos levantados estão a alegação de que seria ilegal criar uma "Nova SAF" a partir de outra SAF que já está em recuperação judicial, além de possíveis irregularidades relacionadas à Lei da SAF e ao percentual das receitas destinado aos credores.
O grupo também questiona a necessidade de uma eventual aprovação da operação em assembleia de credores, diante do suposto descumprimento de condições previstas no plano de recuperação judicial.
Outro argumento apresentado é o de que a operação não representaria uma entrada efetiva de recursos na recuperação judicial. Os credores ainda levantam questões relacionadas a arbitragem, sucessão empresarial e possível confusão patrimonial.
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Grupo aponta omissões e contradições
Na avaliação dos embargantes, a decisão da 4ª Vara Empresarial apresenta "erro de fundamentação", "omissões relevantes" e "contradições". Com base nesses argumentos, eles pedem que a Justiça reavalie a autorização concedida e tenha como objetivo "suspender ou revogar a autorização da operação" até que "todas as questões jurídicas levantadas sejam devidamente analisadas" pelo Poder Judiciário.
Os credores também classificam como "contraditória" a decisão de 10 de setembro. Segundo a petição, o despacho "afirma que os interesses dos credores estão protegidos", mas "simultaneamente exige garantias extraordinárias, como caução próxima de R$ 27 milhões, garantia bancária para cobrir o passivo e mecanismos adicionais de proteção".
A argumentação apresentada pelos credores afirma ainda que "se a operação fosse plenamente segura, tais garantias excepcionais não seriam necessárias".
Pedido pode afetar leilão da Nova SAF
Diante dos questionamentos, o grupo solicita a suspensão ou revogação da autorização para a operação societária e para o financiamento DIP. Também pede a interrupção do procedimento competitivo envolvendo a UPI Equity até que as questões apresentadas sejam novamente analisadas pelo Judiciário.
O pedido foi protocolado a três dias do leilão previsto para a Nova SAF do Vasco, acrescentando uma nova disputa judicial ao processo de reorganização do futebol do clube.


