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DESIGUALDADE

Treinadoras ainda são minoria no futebol feminino

Apesar de ganharem espaço nos últimos anos, mulheres ainda são raridade em cargos de comando no futebol

Gustavo Nascimento
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A alemã Marie-Louise Eta se tornou a primeira mulher a assumir o comando técnico de uma equipe masculina nas cinco principais ligas europeias
A alemã Marie-Louise Eta se tornou a primeira mulher a assumir o comando técnico de uma equipe masculina nas cinco principais ligas europeias - Foto: Ronny Hartmann | AFP

O mundo do futebol foi surpreendido neste mês pelo anúncio de Marie-Louise Eta como treinadora interina do time masculino do Union Berlin, clube da primeira divisão da Alemanha. Essa foi a primeira vez que uma mulher assumiu o comando técnico de uma equipe masculina nas cinco principais ligas europeias (Alemanha, Espanha, Inglaterra, França e Itália).

Apesar do feito inédito, a presença de mulheres em cargos de comando no ambiente do futebol ainda é raro, mesmo quando se trata de equipes do futebol feminino.

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Um relatório da FIFA divulgado em 2025 mostrou que apenas 22% das equipes de futebol feminino ao redor do mundo são comandadas por mulheres. Ao todo, foram analisadas 669 clubes de 86 ligas.

No Brasil, apenas três das 18 equipes do Brasileirão Série A1 são treinadas por mulheres: Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro. A Seleção Brasileira, inclusive, é treinada por Arthur Elias, ex-técnico do Corinthians e considerado o maior treinador da história do futebol feminino no Brasil.

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O quadro é ainda mais excludente no futebol masculino. Em abril deste ano, no empate por 1 a 1 contra o Vitória, a Chapecoense efetivou Nívia de Lima como auxiliar técnica do time profissional, sendo essa a primeira vez na história que uma mulher integrou a comissão técnica de um time de Série A no Brasil.

Antes disso, ela havia feito história no início deste ano ao se tornar a primeira mulher a comandar um time masculino na Copa São Paulo de Futebol Jr.

“País do futebol masculino”

A baiana Dilma Mendes, ex-jogadora de futebol e atualmente treinadora da Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7 (Fut7), explica que a discrepância no número de homens e mulheres ocupando cargos de comando no futebol tem uma origem diretamente ligada ao machismo.

“Vivemos no país do futebol masculino. Fora das quatro linhas, a desigualdade repercute nos vários segmentos da sociedade”, destaca Dilma. Ela também relembra a proibição do futebol feminino entre 1941 e 1979, com sua regulamentação somente em 1983, o que gerou sequelas na modalidade que são visíveis até os dias atuais.

Dilma, inclusive, foi uma das primeiras mulheres a atuar profissionalmente no Brasil, integrando a equipe de futebol feminino do Ypiranga na década de 1980. Posteriormente, ela migrou para o futsal, onde se tornou treinadora em meados dos anos 90.

Dilma Mendes na Arena Fonte Nova com a camisa do Ypiranga na década de 1980
Dilma Mendes na Arena Fonte Nova com a camisa do Ypiranga na década de 1980 | Foto: Acervo pessoal

Antes de chegar à Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7, em 2019, Dilma Mendes teve uma trajetória de mais de 20 anos como treinadora de equipes masculinas e femininas no futebol de campo, no futsal e no fut7. Segundo ela, o preconceito era perceptível em todos os ambientes:

As pessoas não acreditavam que uma mulher podia entender de esquema tático, de padrão de jogo, de sistema.
Dilma Mendes - Treinadora da Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7

Caminho para a mudança

Ainda de acordo com Dilma Mendes, o aumento no número de mulheres como treinadoras de futebol passa por diferentes fatores, como a conscientização da sociedade acerca do tema. No entanto, Dilma destaca que a questão principal está na dificuldade para que mulheres consigam a qualificação necessária para se tornarem treinadoras.

“Além de conscientização sobre equidade de gênero, falta oportunidade. É preciso abrir espaço para estágios em categorias de base, além da oferta de cursos acessíveis, já que os que existem são muito caros”, explica ela.

Atualmente, os cursos para formação e capacitação de treinadores de futebol ofertados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) variam entre R$ 5 mil e R$ 25 mil. As licenças são progressivas e obrigatórias para atuar em competições oficiais; entenda cada uma delas:

  • Licença C (Iniciação): Focada em escolinhas de futebol e categorias sub-11;
  • Licença B (Base): Voltada para categorias de base (sub-12 a sub-17);
  • Licença A (Profissional): Necessária para treinar equipes sub-20 e profissionais;
  • Licença PRO (Elite): Exigida para competições nacionais de elite e internacionais.

O argumento de Dilma Mendes é corroborado por Many Gleize, coordenadora de Esportes do Esporte Clube Vitória, que explica que – para além do machismo – os clubes femininos ainda optam por homens como treinadores por conta da escassez de mulheres qualificadas para o cargo.

“Para quem está começando, é necessário ofertar oportunidades de trabalho, cursos, dar experiência no cargo, até que ela esteja apta a assumir o comando do time. Acho que o mercado está se abrindo para as mulheres, oportunidades estão surgindo. Em breve, elas serão maioria, mas isso depende de esforço e qualificação”, complementa Many Gleize.

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